Futuro

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[3°P]
[Flashback]

Quando Shiro ganhou seu irmão, se sentiu a pessoa mais feliz do mundo. Apesar de nunca ter sido uma criança solitária, o menino sentiu que tinha agora uma parte de si que nem sabia faltar.

Mas Keith nunca foi o único em sua vida. Havia também Pidge, irmã mais nova de seu melhor amigo, que ele também amava como se fosse de sua família.

Eram como os quatro mosqueteiros.
Faziam tudo juntos, inclusive tocar, e foi assim que começaram a banda.

Mais tarde, quando Shiro entrou no 2° Grau, teve seu primeiro grande amor: Adam.

Não foi fácil.
Takashi Shirogane era o filho perfeito, o irmão perfeito, o aluno perfeito, era simpelsmente perfeito, e ninguém esperaria menos dele.

Ainda assim, de um dia para o outro, ele era simplesmente "o garoto gay" da escola. O menino que as outras mães não queriam perto de seus filhos. O menino que as professores olhavam pelo canto do olho.

As meninas sussurravam que ele era "um desperdício". E os meninos o evitavam. E até mesmo seu pai teve problemas para lidar com isso.

Mas ao mesmo tempo, ele era o menino que atravessava o corredor com a cabeça erguida. Dizia para si mesmo, e acreditava, que o amor é o que nos faz valer alguma coisa, e não o contrário.

E quando Shiro estava se formando no Ensino médio , ele tinha as melhores notas da turma, era capitão do time da escola, e completava mais de dois anos de namoro.

Não só seus pais o aceitavam- e amavam, mas toda a escola o tinha como exemplo.

E o rapaz já tinha seu futuro pronto, em planos e promesas. Iria dividir apartamento com Adam, iriam para a faculdade juntos, e não seriam apenas um romance colegial, iriam além.

Foi na noite depois do baile de formatura que tudo mudou. Quando um dos professores que veio parabenizar o melhor aluno, e orador da turma, lhe ofereceu também uma bolsa de estudos.

-É uma grande oportunidade!- Shiro murmurou, justificando, quase pedindo enquanto segurava seu namorado pela mão, para que não se afastasse

-Você não tem mais nada a provar, para ninguém. Mas se você quiser ir, não pense que eu vou ficar te esperando.

Era realmente uma grande oportunidade.

Takashi sabia, já há muito tempo, o que queria estudar: letras e literatura, com ênfase em Japonês. E a bolsa era para o garoto passar seis meses no Japão, estudando. Era mais do que um sonho, era seu desejo e objetivo.

Mas isso significava adiar a faculdade, e ficar fora do país, e longe de todos. Significava abrir mão de seus planos com Adam, o que acabou significando o final de seu relacionamento.

Só que, o que eles não esperavam foi exatamente o que aconteceu. O mundo pequeno demais e o tempo muito rápido, manteve o amor deles exatamente do mesmo jeito.

Quando Shiro voltou do Japão, Adam já havia se mudado, Keith estava no começo do ensino médio (completamente apaixonado), a banda continuara sem ele, e Matt havia crescido.

Não que a diferença de idade entre eles tenha alguma vez sido aparente, assim como a irmã, o garoto era um gênio. Se não fosse pela insistência de sua mãe em não permitir que pulasse séries, já teria se formado.

Mas agora, tudo era diferente.
Matt claramente não o via mais como o melhor amigo de sempre, claramente não estava mais confortável de estar e falar com ele. E não demorou muito para Shiro entender o motivo disso, e começar a se sentir desconfortável também.

E graças a todos os motivos que ele inventou para isso não ser uma boa idéia, não conseguiu perceber o único motivo verdadeiro.

Quando Shiro chamou Matt para um encontro, ele sabia que era uma má idéia.

Mas estava convencido pela parte de si que dizia que devia dar uma chance a esse romance.

E o encontro foi ótimo, depois de 30 minutos de sorrisos constrangidos e conversas constrangedoras, os dois se reencontraram, como quem costumavam ser.

Quando o encontro acabou, Takashi se sentia em casa, como se só agora chegasse do Japão. Ou até mais que isso, se sentia de volta em si.
E aí ficou bem claro, a única coisa que lhe faltava, e que ele sabia faltar, a única coisa que o impedia de seguir em frente.

Ele havia sentido falta de casa, mas pouco adiantou voltar e a encontrar vazia. Adiantava menos ainda estar de volta em si, não si pertencendo.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora