Primeiro Amor

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[Lance]

Quando o  relógio no criado-mudo marcou 19horas, eu poderia jurar que a luz dele brilhou mais forte, quase que em tom de ironia. Virei pro outro lado da cama puxando meu celular de debaixo do travesseiro.

Tem pouco tempo desde que Pidge prometeu vir "mais tarde", mas parece que foi há uma eternidade. O sol já se pôs, e esse clima frio noturno que eu tanto gosto está fazendo eu me sentir sozinho.

Então ouço alguém batendo na porta do meu quarto. Ignoro, deve ser uma das minhas irmãs vindo ver como estou. Me viro pro outro lado para fingir que estou dormindo e me assusto como uma silhueta na janela.

Keith?
Ele bate contra o vidro outra vez e eu me levanto, indo até ele e abrindo a janela.

-Hey. - sorrio, sem perceber - O que você ta fazendo aqui?

- Eu vim te ver. Você pode vir aqui fora um pouco?

-Claro. - respondo pulando pela janela, ainda bem que meu quarto é no primeiro andar

-Então... - ele começa a andar em direção ao fundo da minha casa e faz um gesto com a cabeça pra que eu o siga - Sobre o encontro.... Eu e você, agora?

Meus olhos já estão arregalados antes mesmo deu ver a cena toda. Um pano quadriculado forrado no gramado, uma caixa de pizza, uma garrafa de refrigerante, dois copos e... velas? Um piquenique montado no fundo do meu quintal!

Keith olha pra mim com uma expressão insegura e eu não consigo me conter, o puxo pela cintura e o beijo. Ele se surpreende a princípio mas corresponde intensamente, jogando os braços ao redor do meu pescoço.

-Você gostou?- ele pergunta quando separamos - Não é um parque de diversão mas....

perfeito! Desde que você não termine comigo na manhã de segunda-feira como da ultima vez tudo tá otimo! - implico, o que ele responde com um soco no meu ombro, em seguida me empurrando pra sentar no cenário que ele arrumou

[Keith]

Nos sentamos junto as coisas e eu já não me sinto mais tão nervoso. De todas as reações que eu imaginei nenhuma era esse beijo, foi positivo. Ele esta feliz, da pra perceber.

-Ainda bem que você mora no primeiro andar!

-Você também pode entrar pela porta, você sabe né?

Concordei com a cabeça sem saber bem o que dizer, pegando um pedaço de pizza.

Pizza.
Eu consigo ver o óleo escorrendo por cima do queijo derretido. Quatro queijos, quanto queijo.

Ta tudo bem, me forcei a sorrir olhando pra longe da fatia que eu estava mordendo. É não pensar nisso.

-O que aconteceu com hoje não ser um bom dia? Não que eu esteja reclamando, longe disso.

idiota. Prefiro nem pensar nisso. - sacudi a cabeça em negação como se pudesse rejeitar a história, de repente caindo a ficha de que não considerei o lado dele -  Desculpa vir sem avisar, você tinha outros planos? Eu posso...

-Não! Não, não, não. Plano nenhum. - ele riu - Tanto faz o que quer que seja que tenha acontecido eu só fico feliz de você estar aqui agora.

-Bobo. - ri amassando meu quardanapo, só percebendo agora que terminei a fatia, amém

-Vem cá... - ele me puxa pra perto dele, distribuindo beijos no meu rosto e me fazendo rir- Isso é tudo que eu sempre quis.

Sinto meu coração acelerando, e me agarro nesse impulso pra dizer o que tenho que dizer. Sem me afastar, sem olhar pra ele.

-Lance... - respiro fundo - Eu te amo.

Ele fica em silêncio por uns segundos e eu juro que consigo ouvir meu coração desesperado.

-Bobo. - ele ri, escondendo o rosto na curva do meu pescoço e me fazendo arrepiar - Eu te amo mais.

Suspiro.
Me segurando ao máximo na alegria desse momento. Eu poderia morrer agora de tão feliz, mas dessa vez, eu nao quero morrer agora.

-Claro que não!- Afasto ele para olhar em seu rosto - É óbvio que eu te amo mais.

-Não. Eu que te amo. - ele protesta, e eu me delicio com a oportunidade de ouvir isso outra vez - Eu te amo há mais tempo.

-Mas é meu primeiro amor então o meu amor por você é mais intenso.

-Você também é meu primeiro amor!

-Até parece! Você já amou a escola inteira.

-Ah ótimo! - ele cruzou os braços irritado - Você vai vir com essa de novo!?

-Só estou dizendo que você desperdiçou beijos em outras pessoas e eu não, então eu tenho mais beijod guardados pra você do que você pra mim!

-Foda-se! Eu sou mais alto, portanto tenho mais espaço pra guardar amor logo tenho mais amor do que você.

-Não! Você gasta parte desse espaço pra amor próprio e isso eu não tenho!

-Pesado. - ele balançou a cabeça em negação me puxando pra mais perto dele - Eu te amo mais porque eu te amo por nós dois!

-Tudo bem. - Me rendo, beijando ele - Eu deixo você ganhar dessa vez.

Ele me beija, e eu beijo ele.
Selinhos suaves se tornando beijos intensos. Minha mão em sua nuca, puxando-o como se fosse possível traze-lo mais perto. Sua mão em minha cintura, a segurando firme, e Deus, eu espero que fique marca.

De alguma forma acabamos deitados de lado na grama, sem nos soltarmos um dos outro ou interrompermos os beijos.

Me sinto repentinamente consciente sobre meu corpo, agora colado no dele. Sinto cada pedaço meu que me incomoda, e me sinto mal com o pensamento de que ele esteja sentindo isso tudo.

Intensifico ainda mais o beijo, pressionando meu corpo no dele na esperança de que isso diminua minha insegurança, ou como uma forma nova de me torturar.

Ele afasta o beijo pra respirar, e eu traço um caminho de beijos pelo seu pescoço, mordiscando sua orelha em seguida.

-Desse jeito você me obriga a quebrar minha regra dos cinco encontros. - Lance sussurra

Voltamos a nos beijar e ele coloca a mão na minha bunda, a apertando de forma a me pressionar ainda mais contra ele, me arrancando um suspiro de ... surpresa?

Sinto como se minha pele estivesse hiper sensível, cada toque é ao mesmo tempo extremamente prazeroso e extremamente doloroso. E quanto mais minha aparência me preocupa mais eu me apresso em esquentar a situação, e quanto mais a situação esquenta mais meu peito doi.

E então eu não consigo mais. Me afasto sem ser capaz de dizer nada com medo de acabar desabando.

Lance para na mesma hora, colocando uma mão de cada lado do meu rosto e fazendo perguntas que não ouço. Provavelmente "esta tudo bem?", "eu fiz alguma coisa?". Me apresso em o afastar, escondendo meu rosto envergonhado no pescoço dele.

Então ele simplesmente me abraça e ficamos assim alguns minutos.

-Foda-se! Eu não consigo nem te dar um encontro descente sem surtar.

-O encontro está perfeito pra mim. - ele beija minha testa, deitando com as costas na grama e me puxando pra deitar em seu peito - Desde que você esteja bem.

-Eu amo você. - repito, talvez na esperança de voltar para o momento feliz de ainda agora, talvez só para garantir que tenha se quer sido dito.

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Feeling Bad By Being FatOnde histórias criam vida. Descubra agora