Musica: Dua Lipa - New Rules
— Bom acho que nos despedimos aqui. — Falou Letícia olhando pelo retrovisor. Rodrigo suspirou abaixando a cabeça, pensou em algo que ela não conseguiu decifrar. — Está tudo bem? — Perguntou. O rapaz ergueu o rosto, mas apenas olhou pela janela os carros na garagem próxima ao aeroporto.
— Está... eu só temo que eles não me recebam bem, provavelmente já sabem as coisas que fiz. — Sua voz transmitiu preocupação. Leticia pôs a cabeça por entre os bancos, tentando conforta-lo com seu sorriso.
— Vai dar tudo certo.
Rodrigo devolveu o sorriso, mas mesmo assim, ainda estava preocupado.
De qualquer forma, ele estava disposto a ir, e essa motivação o fez pegar sua mochila ao seu lado. Conferiu tardiamente se estava levando tudo, na conclusão que sim, colocou o vaso — que estava dentro de uma sacola de supermercado — no bolso da frente, fechando-o parcialmente, para que entrasse ar.
— Ela vai sobreviver a viagem? — Leticia perguntou referindo-se a planta.
— Vai, isso não é uma planta comum, é a magia da minha mãe. Sobrenaturais não adentram o céu, então o poder deles é deixado aqui, no caso dos bruxos, em forma de uma planta. — Explicou.
— Pensei que ela tivesse perdido o poder, no feitiço. — Letícia questionou. Rodrigo não gostava de ficar explicando as coisas, mas foi paciente com ela.
— Pense na nossa magia como um elástico, quando a utilizamos, esse elástico se estica. Com o tempo, esse elástico vai relaxando e abrindo possibilidade de se esticar ainda mais, ou seja nossa capacidade mágica fortalece, mas assim como o elástico, o corpo vai ficando frágil, fraco. Se usarmos uma magia que force esse elástico a esticar demais, ele arrebenta e o bruxo morre. — Explicou novamente, dessa vez, de uma forma que Letícia compreenderia. Fora funcional, de fato ela compreendeu.
— Ah tá, desculpe ficar perguntando, mas é que algumas coisas do sobrenatural me deixam meio confusa. Tipo os vampiros sabe, mesmo sabendo muito sobre, eles fazem algumas coisas bem assustadoras. — Falou arrancando um riso discreto de Rodrigo.
— É... eles são mais poderosos que nós. —Admitiu. — Mas, você e sua amiga não tem medo deles? Tipo, eles meio que se alimentam de vocês. — Letícia desviou o olhar, lembrando-se das vezes que Heigi a mordeu.
— Eu as vezes sinto. — Voltou a olhá-lo. — Mesmo que geralmente o Heigi peça permissão, ele muda quando está com sede, me olha como se quisesse me devorar viva. — Comentou fazendo-o erguer as sobrancelhas. — Nunca aconteceu nada do tipo, e não vai acontecer fica tranquilo. — Afirmou brincalhona.
— Um relacionamento estranho eu diria.
— Ele é um companheiro que dificilmente um humano seria. Eles também abominam traição, então estou tranquila em relação as possíveis sirigaitas que tentarão seduzir ele.
Rodrigo riu com a fala e ela riu também. No entanto ao dar-se conta de que demora demais, o rapaz lhe disse:
— O papo está bom mas eu tenho que ir, meu vôo é daqui a dez minutos. — Colocou a mochila cuidadosamente nas costas. — Acho que ainda nos veremos então isso não é um adeus, tá mais para um até logo.
Ele já estava com a mão na maçaneta do carro, só esperando a resposta de Letícia para sair.
— Então até logo. — Sorriu pela última vez, ele o devolveu e saiu do carro.
Letícia arrancou o veículo e manobrou pela garagem até dar meia volta e passar por ele buzinando. Rodrigo acenou, e a observou ela ir embora até desaparecer de sua visão.
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Anjos do Anoitecer
VampireEm um mundo cuja a existência de vampiros é tolamente tida como lenda, dois jovens descobrem logo cedo de que não se deve enxergar esses seres como mitos. Um programa criado pelos vampiros, consistia em levar crianças órfãs para serem doadoras de sa...
