Capítulo 57

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Musica:  Dua Lipa - New Rules

— Bom acho que nos despedimos aqui. — Falou Letícia olhando pelo retrovisor. Rodrigo suspirou abaixando a cabeça, pensou em algo que ela não conseguiu decifrar. — Está tudo bem? — Perguntou. O rapaz ergueu o rosto, mas apenas olhou pela janela os carros na garagem próxima ao aeroporto.

— Está... eu só temo que eles não me recebam bem, provavelmente já sabem as coisas que fiz. — Sua voz transmitiu preocupação. Leticia pôs a cabeça por entre os bancos, tentando conforta-lo com seu sorriso.

— Vai dar tudo certo.

Rodrigo devolveu o sorriso, mas mesmo assim, ainda estava preocupado.

De qualquer forma, ele estava disposto a ir, e essa motivação o fez pegar sua mochila ao seu lado. Conferiu tardiamente se estava levando tudo, na conclusão que sim, colocou o vaso — que estava dentro de uma sacola de supermercado — no bolso da frente, fechando-o parcialmente, para que entrasse ar.

— Ela vai sobreviver a viagem? — Leticia perguntou referindo-se a planta.

— Vai, isso não é uma planta comum, é a magia da minha mãe. Sobrenaturais não adentram o céu, então o poder deles é deixado aqui, no caso dos bruxos, em forma de uma planta. — Explicou.

— Pensei que ela tivesse perdido o poder, no feitiço. — Letícia questionou. Rodrigo não gostava de ficar explicando as coisas, mas foi paciente com ela.

— Pense na nossa magia como um elástico, quando a utilizamos, esse elástico se estica. Com o tempo, esse elástico vai relaxando e abrindo possibilidade de se esticar ainda mais, ou seja nossa capacidade mágica fortalece, mas assim como o elástico, o corpo vai ficando frágil, fraco. Se usarmos uma magia que force esse elástico a esticar demais, ele arrebenta e o bruxo morre. — Explicou novamente, dessa vez, de uma forma que Letícia compreenderia. Fora funcional, de fato ela compreendeu.

— Ah tá, desculpe ficar perguntando, mas é que algumas coisas do sobrenatural me deixam meio confusa. Tipo os vampiros sabe, mesmo sabendo muito sobre, eles fazem algumas coisas bem assustadoras. — Falou arrancando um riso discreto de Rodrigo.

— É... eles são mais poderosos que nós. —Admitiu. — Mas, você e sua amiga não tem medo deles? Tipo, eles meio que se alimentam de vocês. — Letícia desviou o olhar, lembrando-se das vezes que Heigi a mordeu.

— Eu as vezes sinto. — Voltou a olhá-lo. — Mesmo que geralmente o Heigi peça permissão, ele muda quando está com sede, me olha como se quisesse me devorar viva. — Comentou fazendo-o erguer as sobrancelhas. — Nunca aconteceu nada do tipo, e não vai acontecer fica tranquilo. — Afirmou brincalhona. 

— Um relacionamento estranho eu diria.

— Ele é um companheiro que dificilmente um humano seria. Eles também abominam traição, então estou tranquila em relação as possíveis sirigaitas que tentarão seduzir ele.

Rodrigo riu com a fala e ela riu também. No entanto ao dar-se conta de que demora demais, o rapaz lhe disse:

— O papo está bom mas eu tenho que ir, meu vôo é daqui a dez minutos. — Colocou a mochila cuidadosamente nas costas. — Acho que ainda nos veremos então isso não é um adeus, tá mais para um até logo.

Ele já estava com a mão na maçaneta do carro, só esperando a resposta de Letícia para sair.

— Então até logo. — Sorriu pela última vez, ele o devolveu e saiu do carro.

Letícia arrancou o veículo e manobrou pela garagem até dar meia volta e passar por ele buzinando. Rodrigo acenou, e a observou ela ir embora até desaparecer de sua visão.

Anjos do AnoitecerOnde histórias criam vida. Descubra agora