Capítulo 44

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Musica: Guns N' Roses Patience

A noite estava especialmente bela, os vampiros interagiam entre si no salão, normalmente. Outros estavam caçando na cidade, Dominic era um deles.

Caçar supria a necessidade dos vampiros de serem predadores, além de melhorar significantemente seus sentidos ao longo do tempo, pois durante a caçada, eles os usavam constantemente. Além de tudo, caçar, espreitar e atacar a vítima certa proporcionava-lhes certa diversão, principalmente pra ele, que por ser adolescente vivia com tédio.

A beira de um parapeito, observava as pessoas que caminhavam na rua, e em um momento inesperado, sentiu um cheiro que chamou sua atenção. Procurou com o olhar o dono ou dona do aroma e sorriu de lado ao encontrá-la. Vampiros tendem a preferir o sexo oposto como vítima, é algo que vai da sexualidade, logo, outras orientações sexuais podem alterar essa preferência.

Seu apetite ampliou-se consideravelmente, o que fez seus sentidos ficaram ainda mais aguçados. Suas presas formigaram assim que imaginou cravando-as no pescoço da humana, que andava tranquilamente até o ponto do ônibus.

Ele continuou na espreita, observando, e a acompanhou com o olhar até ela adentrar o coletivo que havia acabado de parar.

Certo de que já era a hora, Dominic saltou do prédio, tornando-se corvo a poucos metros de distância chão.

O vampiro seguiu o veículo, atento cada pessoa que descia. Ele não percebeu, mas também estava sendo seguido.

O ônibus chegou a zona residencial, cujas as ruas sossegadas não emitiam um barulho, nem movimento. A jovem desceu em um ponto, frente a um boteco que ainda estava aberto. Os bêbados dali a cantaram, mas a jovem estava tão exausta da rotina pesada, que nem os olhou. Dominic continuou a seguindo, bem camuflado na escuridão.

A garota seguiu pela rua, logo a frente havia um viaduto, cuja a sombra deixaria seu caminho escuro o suficiente para que o vampiro atacasse sem ser percebido.

Sua fome o fez priorizar apenas seu olfato e sua visão. Ignorou a audição que denunciaria os sanguinários que o seguiam.

Dominic assumiu sua forma normal novamente, e aproximou-se da jovem sorrateiramente por trás. A garota sentiu a presença do vampiro, através do calafrio, mas não pode reagir a tempo, Dominic tapou sua boca e mordeu seu pescoço de maneira desajeitada, fazendo o sangue espirrar assim que a veia foi perfurada. Porém, logo tomou controle da situação e evitou o desperdício. Sua força a impediu que desvencilhasse, e inimaginável era o desespero pelo fato de não nem sabia quem ou o que estava a mordendo.

A jovem parou de remexer, e concluiu que era inevitável relutar. Foi bom para ela, já que movimentos bruscos ampliam a dor, impossibilitando que o humano sinta o prazer que a mordida de um vampiro pode oferecer caso ele tenha algum interesse pelo mesmo; pelo sangue e/ou principalmente romântico.

Saciado, Dominic a soltou e humana se virou num momento breve de curiosidade, conseguiu ver com dificuldade seu traje e seus olhos brilhantes. Não ficou ali olhando por mais tempo, virou-se e saiu correndo. Ele ponderou, em dúvida se iria atrás para hipnotizá-la ou não. Seus ombros caíram, estava com preguiça de alcançá-la.

Acabou por apenas limpar a boca e virar-se saindo, era menos trabalhoso.

Porém, ouviu um grito, e por esse motivo olhou para trás. Levantou as sobrancelhas ao ver a garota ao chão, aos pés de três sanguinários, jovens como ele. Um deles segurava um coração na mão.

— Quando iniciar uma refeição, termine-a, fraco! — Reprovou o negro jogando o coração que caiu ao seu lado. O vampiro olhou o orgão com pesar, afinal tinha empatia, e ela era uma humana que não merecia morrer.

Anjos do AnoitecerOnde histórias criam vida. Descubra agora