Capítulo 63

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Sara

— O que estava fazendo? — Sara ouviu a voz da responsável da cozinha atrás de si, fazendo-a pular de surpresa.

 Ela se virou para a cozinheira, mas manteve o olhar pregado no chão, depois de quase um mês naquele lugar, Sara já sabia que aquela mulher era o que ela devia temer naquele castelo e irritá-la nunca trazia nada de bom.

— Estava limpando o alojamento da guarda, senhora. — Sara respondeu prontamente, sabia que Gertrana nunca saía da ala dos empregados e da cozinha, então não saberia que na verdade ela tinha ido até as celas, ver Olsen.

— Engraçado. — Gertrana falou, percorrendo Sara com o olhar. — Pensei que tinha sido designada para a cozinha hoje. — Ficamos com uma pessoa a menos para servir a refeição do meio, e sabe muito bem que o castelo está cheio. Nosso rei está aqui.

— Me desculpe Gertrana, quando estava passando perto dos alojamentos hoje, fui abordada por um capitão da guarda que reclamou que o alojamento estava muito sujo, e ordenou que eu o limpasse. Não tive escolha. — Sara falou, esperando ser uma desculpa boa o suficiente para a mulher.

Gertrana levantou umas das sobrancelhas, desconfiada. E jogou o pano que levava na mão sobre um dos ombros antes de falar:

— Vai passar dessa vez, apenas porque estou muito atarefada para te punir. Mas entre na cozinha imediatamente, temos um banquete hoje a noite para servir.

Sara assentiu e abriu a porta alta que levava a cozinha. O interior do comodo grande estava quente, aproximadamente uma dezena de servos corriam de um lado para o outro para completar as tarefas que tinham sido passadas a eles.

Ela nunca tinha precisado limpar antes do exército do rei marchar sobre sua cidade natal. Não que aquela era uma tarefa ruim, mas Sara tinha vindo de uma família de eruditos. Seus pais e irmãos eram lideres que planejavam um levante contra o rei, passavam a maior parte do tempo com os narizes metidos em livros e adquirindo o máximo de conhecimento que podiam para se preocupar com tarefas de limpeza. Faziam apenas o essencial. E o buraco onde viviam nunca estava limpo de verdade.

O trabalho parecia nunca acabar naquela noite, toda vez que estava perto de terminar de lavar a pilha de pratos sujos mais louça surgia em sua frente. A este momento a maioria dos nobres mais importantes do reino estavam unidos no salão do castelo para o banquete. Ela encarou a bacia com água suja por um momento antes de agarrar um caneco com um resto de bebida fermentada, bem que ela estava precisando de uma bebida.

Lan, estão reclamando da demora para encher as canecas. — A voz de Rosalina, uma cozinheira, ressoou pela cozinha.

— Mande mais serventes, por acaso é estupida?   — Gertrana ordenou sem tirar a atenção da carne que assava.

Sara abaixou a cabeça, voltando seu olhar para a louça que limpava, antes de escutar o resmungo de Rosalina. Ela nunca tivera muito contato com a mulher, alta que parecia vir de algum lugar da fronteira com o norte, mesmo uma cozinheira, Rosalina era, em muito, mais alta na piramide da complicada hierarquia da sociedade celariana.

— Lusina, Julaza, e Hateni, vão para o salão, rápido. — Rosalina chamou. — E não se atrevam a deixar nenhum copo vazio, ou terão que enfrentar o castigo. 

As três jovens largaram imediatamente o que estavam fazendo para correr porta afora em direção ao salão. A maioria das pessoas que trabalhavam como servas inferiores no castelo do rei não parecia ser de Celaria. Sara respirou aliviada por não ter sido escolhida. Tinha sido ensinada a odiar todos aqueles que estavam no salão, a ultima coisa que queria era ver frente a frente aquele que foi o responsável pelo extermínio de todos que conhecia, e ainda ter que servir seu copo, mais uma dose de bebida enquanto comemorava suas vitórias.

A Canção do Antigo (Completo)Onde histórias criam vida. Descubra agora