Capítulo 31

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― Posso fazer outra pergunta em relação?

Betina: Esse assunto é muito para qualquer um perguntar. – Ela levantou do meu colo, mas a impedi e fiz ela deitar novamente.

Miguel: Para de escapar, me preocupei pra porra contigo ontem, relaxa e confia.

Betina: Não quero tirar teu sossego.

Miguel: E tu já não tirou não? – Ri – Desde que tu chegou lá na casa tirou a paz que tinha lá.

Betina: Espero que seja bom. – Abriu um sorriso sem exibir os dentes, mas vi certa satisfação em seus olhos.

Miguel: Você sabe que é, não precisa nem desconfiar do contrário.

Betina: Desculpa por ontem.

Miguel: Não acha que tá na hora de você procurar seu irmão pra ele te ajudar? Digo, na boa mesmo, ele pode ser filho da puta pra você, mas você não tá dando conta de tudo sozinha e porra, você tá se machucando tentando sozinha.

Betina: Beto já me fez muito mal, Miguel, eu não quero mais ir atrás dele.

Miguel: Então você topa minha ajuda?

Betina: Não precisa. – Deu de ombros respirando fundo – Vou dar um tempo das coisas e tentar... – Pensou numa resposta – Só vou curtir o momento. Agora eu ganho minha pergunta sobre você?

Miguel: A vontade.

Betina: No que estava pensando agora?

Miguel: Hum... – Pensei na possibilidade de mentir, mas já que ela estava falando, não iria ficar escondendo.

Betina: Você sente prazer em saber que as pessoas sempre tem uma visão negativa de você?

Miguel: Eu não, as pessoas têm porque elas não param pra conversar comigo, mas eu sou de boa e tu sabe disso.

Betina: Claro, porque quando eu cheguei na casa faltou você meter a mão na minha cara.

Miguel: Não curto gente que mente pra mim, já te disse mil vezes.

Betina: Enfim, não foge do assunto.

Miguel: Estava pensando no motivo de te trazer aqui, tá ligada? Quando eu era mais novo vinha aqui pra respirar, pensar, me por limite.

Betina: Limite?

Miguel: Lá pelos meus 14 anos eu me meti numa briga por causa de um comentário sobre a minha irmã e eu finalizei um moleque no meio da sala.

Betina: Você defendeu sua irmã, Miguel.

Miguel: Nem por isso, Bê. – Encostei minha cabeça na parede, estiquei a perna que ela não estava deitada e apoiei meu braço – Sempre fui uma criança e um adolescente problemático até que comecei a ir ao psiquiatra, eu tenho TEI.

Betina: Hum? – Evitei o olhar dela e fitei o céu estrelado – Transtorno explosivo?

Miguel: É, por aí.

Betina: Você é tão de boa, só é mal humorado e grosso.

Miguel: Agora, Betina, antes eu quebrava as coisas, brigava no colégio, arrumava treta na rua, não aceitava perder até que eu comecei a levar meus treinos a sério, fazer minhas sessões com o psiquiatra, tratamento sério mesmo, sabe?

Betina: Você ainda toma remédios pra isso né? No dia que você viu eu vi no seu armário, mas juro que não mexi em nada. – Disse nervosa.

Miguel: Até comprei, mas não tomei nenhum. Depois da minha briga com o Will eu decidi voltar a treinar.

Agora eu quero irHistórias para pegar e não largar. Descubra agora