Juliana Narrando.
― Filha... – Passei os dedos pelos cabelos dela – Você está sentindo algo a mais do que dor de cabeça? – Sussurrei perto do ouvido dela. Olhei pra cima e o Pedro estava todo preocupado ao lado da cama dela. Ele veio correndo depois do trabalho direto pra cá, nem passou em casa pra tirar a roupa de serviço.
A Sofia que sempre chega muito enérgica da escola, passou a semana todinha calada, sem querer ver desenho, comendo bem pouco, nem pediu pra ir brincar com a filha da vizinha.
Hoje chegou da escola reclamando de dor de cabeça, mas eu que sou mãe sabia que tinha algo a mais com a minha filha. Então eu liguei para o Pedro, além do mais ele é pai e tem suas responsabilidades com a menina também.
Pedro: Você quer ir pra casa comigo? – Ele abaixou do lado da cama, passou a mão na costa dela e deixou ali – Amanhã a gente vai no aquário, ver os peixes que tu queria. – Ela negou com a cabeça – Fala para o papai então o que você está sentindo.
Sofia: Eu quero a Lolly... – Ela apontou pra boneca dela que estava jogada no canto do quarto junto a outros brinquedos, peguei e dei pra ela abraçar.
Juliana: Mas hein, tem algum coleguinha da escola implicando contigo? – Ela negou com a cabeça roçando no travesseiro e fechou seus olhos.
Pedro: Você quer dormir?
Sofia: Quero. – A Sofia não é de querer dormir sozinha, dificilmente ela vai pra cama dela antes de pegar no sono, tanto quando o Pedro ainda morava com a gente quanto depois que ele foi embora.
Pedro: Vem aqui Ju. – Ele me chamou pra fora do quarto, apaguei a luz, deixando apenas o abajur ligado e fui com ele para o corredor – Ela está assim até na escola?
Juliana: Está, eu conversei com a Rita hoje e ela disse que a Sofia não tem ficado muito com as coleguinhas.
Pedro: Caramba o que deu nela? Ela não é assim.
Juliana: Ela disse pra esperar, tentar fazer algo que ela goste.
Pedro: Por que você não me avisou quando viu que ela estava assim?
Juliana: Porque eu achei que fosse passar, sabe que a Sof tem horas que faz uns dramas.
Pedro: Isso não é drama Ju, você tem que me contar as coisas, independente do que for.
Juliana: Eu mandei mensagem pra psicóloga mais cedo e ela não deu resposta ainda.
Pedro: Vem cá, tem roupa minha ainda aqui?
Juliana: Vai ficar por aqui hoje?
Pedro: Vou sim, Sofia tá muito estranha pra ir e deixar vocês duas aqui sozinha. Vai que ela passa mal de madrugada.
Juliana: Não precisa se preocupar tanto, se quiser ir pra casa descansar, tá tranquilo pra mim.
Pedro: Não esquenta sua mente com isso. – Fui para o quarto que eu amava chamar de "nosso" quando ele ainda queria fazer parte da nossa família, havia algumas mudas de roupa dele aqui ainda que ao ir embora estava pra lavar então ele não voltou pra buscar. O Pedro pegou a roupa enquanto eu fiquei sentada na cama assistindo ele tão distante ao mesmo tempo tão perto da gente. Mordi meu lábio inferior sentindo um aperto maior do que já estava no meu peito. Era o problema da minha filha misturado com a saudade que eu sentia do pai dela. Pra completar, o Pedro resolveu tirar a camisa de serviço bem a minha frente, abriu a calça e foi para o banheiro pra tomar banho. Sai do quarto pra me poupar de tanto, passei no quarto da Sofia e da porta fiquei vigiando ela quieta na cama.
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Agora eu quero ir
RomantikTraumas psicológicos levaram Betina deixar o interior de São Paulo e buscar uma vida melhor na capital. Mas para isso acontecer ela precisou mentir sua verdadeira identidade. ✓ História publicada originalmente no VK no dia 2 de dezembro de 2017 e fi...
