Capítulo 73

35.8K 1.4K 1.2K
                                        

2 anos depois.

Betina narrando.

A nossa última noite havia sido o estopim para a minha loucura de deixar a capital de São Paulo e seguir noiva do Miguel para Nevada.

A frase que estava gravada em meu peito, é a mesma que o Miguel usou para fazer o simples pedido enquanto estava deitado ao meu lado na cama, "Amor, apenas diga que você não vai embora". Eu não iria embora, porque quando fui escuridão, ele me mostrou o caminho da luz. Ele me pedia para ficar um pouco mais em sua vida todos os dias, todo momento que a sua boca encostava em minha pele, eu sentia seu desejo de amor mais profundo.

Poderia eu negar algo a ele? Poderia eu dizer "não estou pronta" quando os meus olhos já haviam denunciado a minha resposta?

Eu não teria coragem de dizer não para ele, se eu tivesse uma escolha de ter tudo o que eu quisesse nessa vida, eu negaria porque tudo o que eu mais quero é ele. E se me faltasse tudo, eu ainda o teria. Ele não é matéria, nem riqueza, eu e ele somos tudo o que temos no quesito amor e é apenas o que nos basta.

Deixei para trás o meu trabalho de conclusão de curso, que eu recentemente havia começado a produzir, minha família, meus amigos e segurei na mão do homem que por todo esse tempo nutriu o amor em mim.

Nas nossas malas não haviam apenas roupas, mas inúmeros segredos, que optamos por não contar para terceiros.

Com certeza, Roberto me ligaria xingando muito quando visse que não fui para a comemoração de sua promoção no trabalho, a Nina quando soubesse o motivo iria mandar ele calar a boca e me apoiar de olhos fechados. Minha mãe e a do Miguel, mandariam nos matar, isso nunca foi uma dúvida. Nossos amigos, os eternos talaricos, bem eles vão duvidar que tivemos essa coragem até o último dia de nossas vidas.

Com certeza inventarão inúmeras teorias para negar que de fato escolhemos Las Vegas como local para o nosso casamento.

Eu escolhi narrar o novo capítulo da minha história ao lado dele, com o simples desejo de querer envelhecer ao lado do homem que faz o nosso amor ser a coisa mais fácil do mundo. O nosso nós, nosso mundo, nosso lar, nossos segredos e nossa intimidade.

Ser eu e ele, transformar em nós todos os dias, porque sabemos que o mar é mais de espinhos do que de flores. Enquanto o avião decolava, minha cabeça em seu ombro, rememorava todos os nossos grandes momentos, cada sorriso, cada lágrima, cada filme ruim que assistimos juntos e cada madrugada que caminhamos pelas ruas falando sobre a vida. O cheiro dele tranquilizando e dando mais certeza da minha decisão, fazia-me refletir que mesmo quando separados pela morte, jamais poderia deixar de amá-lo.

Uma manhã, ele tomando seu café, afirmou que eu o amava. Não discordei da sua afirmação, mas curiosa, o questionei e ele respondeu: "Você me decifra com um 'bom dia' desde quando nos conhecemos, como não me amaria?". Mal sabendo ele da sensação de lar que senti no primeiro abraço que demos na sala da casa em que moramos juntos pela primeira vez.

Nunca havia estado fora do Brasil, encantei-me com cada luz de Las Vegas, não conseguia olhar para cima sem me sentir excitada. No quarto do hotel, brindamos com Champagne em meio a beijos e sem sequer se dar o trabalho de ligar nossos celulares. Eu queria viver aquele momento com ele. Egoísmo? Irão dizer com todas as letras que sim, mas sonho é sonho e estávamos vivendo o nosso.

― Amor, está me ouvindo? Estou falando com você. - Ele sussurrou, passou seus braços ao redor da minha cintura e aninhou seu rosto em cima dos meus seios.

Já era manhã, estava sorrindo mantendo meus olhos fechados, desacreditada ainda que estava realizando meu sonho.

Betina: Estou te ouvindo.

Agora eu quero irHistórias para pegar e não largar. Descubra agora