Parte 20. O Escudo do Norte

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Meu encontro com os mestres de Monte Shasta.

Parte 20. O Escudo do Norte

Após um banho resolvi ler uma mensagem que uma pessoa havia me enviado: páginas de um livro do tipo oráculo, chamado Cartas do Caminho Sagrado. O título do capítulo era O Escudo do Norte.

O texto tinha algumas referências que faziam sentido até então, mas muitas outras bastante esquisitas. Estava com uma certa vergonha de não tê-lo lido antes no vôo, mas preferi dormir para poupar energias que seriam úteis nos 800 quilômetros de estrada que se seguiram às 20 horas de avião e aeroporto.

Li com cuidado. Não queria desapontar a boa vontade de minha companheira de jornada.

O texto falava sobre um lugar sagrado onde há um Conselho de Anciãos.

Falava de uma montanha com árvores antigas e um manto de neve recém caída cobrindo a Mãe Terra.

Falava da entrada no silencio da dimensão dos sonhos.

De uma vasta campina coberta de cor branco azulada.

Dos pinheiros, as árvores da paz.

De um búfalo sagrado da dimensão dos sonhos, com chifres brancos e olhos azuis intensos como o céu do verão. Suas narinas exalam vapor.

Os chifres brancos levam ao céu, para a trilha do Conselho dos Anciãos, onde arde uma fogueira. Sento-me ao Sul e sou chamado por um ancião do Norte para perto da fogueira, que não queima.

O Avô diz que todas as três estradas que levam ao Conselho precisam ser palmilhadas várias vezes e lentamente. Cada passo deve ser temperado pelo fogo da experiência.

Uma Avó me oferece uma concha marítima, para ouvir melhor a Mãe Terra e com isso alcançar a sabedoria.

Um outro Avô ofereceu a machadinha do Pacificador, aquele qie esquece as hostilidades e perdoa, mas que também luta pela verdade.

A terceira, uma Avó, ofereceu um cachimbo, simbolizando o equilíbrio dos três escudos, das energias masculina e feminina, das estradas vermelha e azul mais o terceiro caminho a partir do qual se pode atingir a sabedoria pela gratidão, a beleza do plano perfeito do grande mistério.

Após agradecer encaminhei-me de volta ao centro da fogueira, onde chamas azuis- alaranjadas produziam uma fumaça de cor prata que me levava para o céu, logo acima do Fogo do Conselho dos Anciãos.

A fumaça levava a um local completamente diferente, onde indivíduos se reuniam em torno de uma mesa. Seus rostos eram diferentes, como Irmãos e Irmãs do Céu num estranho agrupamento de raças. Era como os Kachinas queriam ser vistos pelos homens que os receberam na Terra.

Suas aparências causavam perplexidade, mas eram seres com muito calor, carinho e boa vontade.

Um dos seres, sentado ao Norte da mesa, aproximou-se e esclareceu a missão que me seria conferida nesse momento de caminhada na Terra: divulgar os ensinamentos da Raça Vermelha.

O caminho sagrado da sabedoria universal implica aceitar a tudo e a todos sem distinção de aparências, incluindo o incomum e o estranho.

Tornar-se um ser universal é não possuir uma identidade limitada. É perceber que a beleza está nos olhos de quem vê e que todas as raças estão dispostas a ajudar.

O principal ensinamento do Escudo do Norte é o de que nas Rodas de Cura o Norte individual está no topo mas que também o Sul de nossos ancestrais está logo em frente. Para se curar o Norte é preciso curar o Sul, iniciando um ciclo de elos infinitos que conectam as Criaturas do Grande Mistério. Viajando por cada um dos ciclos evoluímos constantemente e nos unificamos.

Não há mais limites quando alcançamos o Centro da Sabedoria. Os segredos serão sempre revelados a todos aqueles que tiverem olhos para ver e ouvidos para ouvir.

O Escudo do Norte mostra que a sabedoria adquirida não pode ser mais retirada. O dom da sabedoria está na gratidão do coração de quem a recebe. Este ensinamento é uma benção que permanece pelo resto da vida, enquanto se permanece conectado através dos elos à Fonte Universal.

E era mais ou menos isso o que o livro tinha a dizer. Sabia que naquele retorno a Shasta não veria nenhum fantasma loiro vestido de branco, então que se houvesse uma mensagem dos mestres teria de me contentar com esta, que já estava comigo o tempo todo.

Melhor dormir. O dia foi longo e amanhã será mais puxado ainda. Iria visitar a montanha e ainda voltar a San Francisco.

 Iria visitar a montanha e ainda voltar a San Francisco

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Meu encontro com os Mestres de Mount ShastaOnde histórias criam vida. Descubra agora