16 - Conheço o seu pai

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O meu destino foi o shopping. Eu sabia que precisava esfriar a cabeça e esquecer das palavras maldosas do meu namorado, e talvez o melhor método fosse passar um tempo comigo mesma perdida em lojas.

Tinha a total consciência de que já estava na hora de eu largar Pete, e possivelmente até ceder aos encantos de Joel. Mas o problema continuava sendo o mesmo: eu tinha medo. Medo de como Pete reagirá. Medo de Joel me decepcionar. Medo do que eu terei que enfrentar. Eu sabia que eu poderia estar remoendo algo terrível, que até mesmo poderia resultar numa tragédia. Mas eu preferia ignorar esse sentimento, e me manter forte até ser corajosa o suficiente e enfrentar os meus desafios.

Perambulei por diversas lojas, mas mesmo assim, nada patecia ir embora de minha mente. Eu já considerava desistir e ir atrás de Cecília, mas a convicção de que ela poderia estar com Zabdiel ou que ela não queria companhia, me fez desistir e insistir em olhar as lojas.

Até que quando estava olhando alguns tênis, senti uma mãozinha na minha perna. Olhei para baixo rapidamente, assustada com o momento repentino e então avistei uma menininha de cabelos cacheados e pele morena. Certo, ela parecia muito familiar.

- Oi? - eu cumprimento, minha saudação quase soando como uma interrogação.

- Mamãe? - ela murmura com a voz baixa, se fosse chutar, ela estava assustada.

Eu me abaixo ficando em sua altura e assim consigo identificar a familiaridade. Não era possível.

Eu sorrio fraco.

- Não sou sua mamãe, meu amor. - balbucio as palavras com o máximo de simplicidade e carisma que eu possuia. - Mas talvez posso te ajudar, ela está aqui com você?

A menininha olha para os lados, a procura de algo, e então volta a me olhar.

- Papai. - dessa vez ela afirma, e com isso mentalmente agradeço. Conseguiria resolver a situação facilmente.

- Você se perdeu dele? - questiono e a vejo balançar sua cabeça em uma afirmação. - Então me dê sua mão, vamos encontrá-lo.

Por alguns segundos, ela encara minha mão com seus olhos extremamente castanhos. Com certeza ela ponderava se era uma boa ideia aceitar a mão de uma até então, estranha. Felizmente, sua mãozinha entra em contato com a minha e com isso eu sorrio me levantando e a pegando no colo.

A loja era gigante, e por alguns minutos, eu e a menina caminhamos pela área feminina, mesmo sabendo que com certeza o pai dela não estaria lá. Na verdade, eu havia tirado esses minutos para idealizar o que faria com ela. Pois então finalmente consegui me recordar da tecnologia e sacar o meu celular a fim de procurar um certo número.

- Sophia? Ahn.. Oi! É... eu estou meio ocupado agora, você poderia ligar mais tarde? - ele atende, e eu percebo sua afobação. Ele com certeza estava desesperado a procura de certa mocinha.

- Vá até a sessão feminina. - digo apenas. Por alguns segundos ele fica em silêncio.

- O quê? Olha, eu realmente não...

- Richard! Se acalma, e vem na sessão feminina. - e assim eu desligo, esperando com todas as minhas forças que ele tenha entendido o recado.

Eu olho novamente para a menininha que eu ainda não sabia o nome, ela tinha seus olhos fixos em mim e a cabeça levemente tombada para o lado.

- Seu papai já vem. - eu aviso convicta e assim ela mostra seus dentinhos infantis num sorriso sapeca. - Qual é o seu nome?

- Aaliyah. - ela rapidamente responde e por pouco não consigo identificar sua fala por conta da enrolação que ela havia feito. Eu rio.

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