Os raios de sol, entravam agora pela janela do quarto de hospital, com paredes brancas e um relógio que só indicava os minutos. A luz ainda era fraca e fria, iluminava pouco mais que a maca onde Aurora descansava. Quando o sol se colocou mais alto, a luz entrou em contacto com as pálpebras de Aurora que a fizeram acordar. A rapariga de olhos azuis bocechou fortemente e olhou para a paisagem que a janela do quarto lhe preposionava. A paisagem, a natureza e os simples raios de sol acalmavam o estado de espirito de Aurora. Deixou-se ficar a apreciar a imagem do pequeno esquilo com pelo acastanhado, que comia uma bolota num ramo da árvore em frente da janela. Quando a criatura peluda se apercebeu que estava sobre o olhar de Aurora, fugiu e escondeu-se dentro da toca, fazendo Aurora suspirar, lambrando-se do Sr. Bigodes.
" Como estará o Sr. Bigodes? "
Aurora tentava agora mover-se, para se puder espreguiçar e esticar-se um pouco, pois as suas pernas estavam a adormecer e já estava sentada ou deitada à imensas horas, mas não conseguiu, porque, algo, a puxou. Olhou por cima do seu ombro, coberto com a bata de hospital e reparou em Henrique adormecido, os seus braços fortes e musculados envolviam a cintura de Aurora, com dificuldade voltou-se para o lado. Estava agora frente a frente com Henrique.
" O Rinoceronte de olhos verdes está a ressonar! "
Sem piedade ou misericórdia, Aurora leva as suas mãos frias ao tronco de Henrique.
- Vingança! - grita fazendo cócegas ao amigo.
Henrique acorda sobressaltado e começa a rir instataneamente. Não conseguindo mover-se ou raciocinar, Henrique cai no chão.
- Ahahahahahah!!! Pará por favor tou com dores de barriga de tanto rir. - dizia Aurora com a mão na barriga.
Henrique levantou-se de rompansse, com um olhar furioso.
" Ok é agora que ele me vai matar! "
Aurora parou de rir subitamente com o olhar de fúria do ser de olhos verde postos em si. O olhar foi ficando menos rigido, dando lugar a um sorriso malicioso.
- Agora vais ver o que é vingança! - exclamou.
Henrique atirou-se para cima da cama, fazendo cócegas a Aurora.
- Tu queres guerra?! - disse Aurora, dando mais um ataque a Henrique.
Os dois travavam agora a 3º Guerra Mundial. Henrique fazia cócegas a Aurora e Aurora a Henrique, mas este tinha a força como vantagem, aproveitando-se agarrava Aurora pelos pulsos, com uma só mão, deixando-a imóvel.
Quando já nenhum aguentava, deitaram-se os dois lado a lado. As respirações eram fortes e ofegantes, o único ruído na divisão.
- Infantil! - acusou Henrique.
Aurora figiu-se ofendida, sentou-se na cama com a mão no peito e a boca entreaberta de espanto e num só movimento retirou a almofada, a que Henrique apoiava a cabeça e deu-lhe, sucessivamente com a mesma no tronco e na cabeça do amigo.
- Morre Rinoceronte de olhos verdes!
- Rinoceronte?
- Sim... És alto, gordo e tens uma patas gigantes! - Aurora explicava o significado da alcunha enquanto gargalhava, apontando para as mãos realmente grandes de Henrique.
- Posso entrar? - perguntou a simpática enfermeira que trazia o pequeno almoço. Ambos riram da imagem de criancinhas que estavam a tranparecer. Aurora assentiu. - Está aqui leite com chocolate e tostas mistas. Bom apetite!
- Obrigada! - agradeceram em uníssono.
- O Doutor Michael deve estar a vir para lhe dar alta.
- Obrigada!
A simpática senhora abandonou o quarto, deixando novamente os dois amigos sozinhos. Quando o som da porta a fechar-se, Aurora atirou-se ao leite com chocolate.
- Chocolate! Que saudades!
Henrique revirou os olhos verde azeitona que agora brilhavam, como nunca. Aurora agarrava a garrafa de leite com chocolate, como um bebe.
- A fomiga musical está com fome.
Aurora riu e deu um murro do ombro do rinoceronte, Henrique masajou o local de impacto.
- E com força.
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a cor da vida
Teen FictionA história de uma rapariga de 16 anos, que foge para Londres onde faz um amigo para a vida e onde desenvolve o seu conhecimento e paixão pela música e pelas artes.
