Dia 18 de Julho de 2014

18 2 0
                                        

Aurora dormia profundamente na sua cama metálica, com lençóis brancos a cobrir o seu fino corpo , envolvida pelo familiar aroma do hospital a álcool. Não queria acordar para não ter de enfrentar a realidade, ma também não queria dormir pois sabia que os pesadelos e as imagens do acidente e do seu irmão lhe viriam atormentar, era um confronto entre Aurora e a sua mente. mas, por vezes, o cansaço levava a sua avante e Aurora deixava-se cair na escuridão da noite.

O episódio recomeçou, todo o acidente lhe vinha à cabeça, o seu coração era alvo da culpa que sentia. lembrou-se de cada pormenor daquele dia, de cada cheiro, de cada emoção e de cada dor tanto física e psicológica. Aurora movia-se sem cessar na sua cama, pequenas gotas de suor começavam a escorrer pela sua face, a sua respiração era cada vez mais ofegante.

- Aurora!

Aurora acordou, ao seu lado estava quem ela menos esperava, os seus pais. E o Henrique.

De súbito, Aurora mergulhou na realidade em que se encontrava e os seus grandes olhos azuis arregalaram ao ver com admiração os seus pais juntos à sua cama.

- Desculpa, querida, mas só conseguimos vir agora. - disse Madalena, entre lágrimas, abraçando a filha.

Rafael sentia um misto de emoções, estava com raiva por esta ter fugido de casa, estava preocupado com o seu estado de saúde, mas acima de tudo estava feliz por estar junto dela. Agarrou delicadamente a mão da filha, contrastando o tamanho das duas, e sorriu, Aurora, por sua vez, retribuiu o sorriso. Aurora estava contente por estar na presença dos pais.

Um pouco mais afastado estava Henrique a observar a cena familiar, mas decidiu retirar-se para que estes pudessem falar livremente, certamente iriam ter uma longa e demorada conversa. O mais silenciosamente possível, girou as rodas da cadeira de rodas em direção à porta, não resistiu em olhar uma última vez para o reencontro familiar que Aurora estava a receber e aparentemente, pelo seu s0rriso a adorar. Girou a maçaneta da porta, abrindo a mesma.

Saí do quarto e entrou no corredor, onde estava a sua própria família, a sua pequena irmã ao colo do pai, estavam ambos a brincar alegremente.

- Mano! - gritou Sara que imediatamente saltou do colo do seu pai, para ir abraçar o irmão mais velho. - Bom dia! - cumprimentando -o com o seu melhor sorriso.

- Bom dia, minha princesinha. Então já tomaste o pequeno-almoço?

- Não.

- Dás-me a honra de acompanhar, Sua Alteza, no seu nutritivo pequeno-almoço. - a pequena Sara, acenou energeticamente e positivamente que sim, com a sua pequena cabeça, onde o cabelo castanho lhe caía sobre os ombros. - Então, faça o favor de subir para esta humilde carruagem.

Sarinha assim o fez, sentou-se no colode Henrique, com o pai a empurrar a cadeira de rodas, seguiram os três em direção ao bar do hospital.


 


 

        

       

a cor da vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora