Dia 31 de Junho de 2014

23 1 0
                                        

Aurora acordou com a sensação que algo faltava... mas não sabia o quê...Espreguiçou-se, procurando Henrique na tenda, com os olhos ainda ensinados, ás apalpadelas ao colchão.

" Onde é que ele foi? "

Aurora saiu da tenda e olhou para o perímetro do acampamento. Ninguém se encontrava cá fora e as tendas estavam todas fechadas.

" Se calhar voltou para a tenda com o Rodrigo. "

Espreitou para o interior, pela janela transparente, que se encontrava no tipo da tenda. Mas só visualizou um corpo, baixo demais para ser Henrique.

Olhou novamente para o perímetro do acampamento, mas ainda ninguém la se encontrava. Alargou a sua busca olhou para o seu lado direito, começando a rodar a cabeça na direção oposta, ate chegar ao lado oposto, o esquerdo. Ninguém. Decidiu repetir o processo.

" Arvores, flores, arbustos, esquilos, folhas, o rio... "

Algo ou alguém perto do rio despertou a atenção de Aurora, que não reparou da primeira vez. Tentou focar a visão.

" Aquilo é uma pessoa?! "

Encaminhou-se na direção ao rio com passos curtos e hesitantes. Inclinou a cabeça levemente para a esquerda numa tentativa de identificar o indivíduo.

- Henrique? - disse Aurora, num sussurro, quase inaudível. Este voltou-se para trás e sorriu abertamente. Estendeu a mão a Aurora, que, retribuiu o gesto, dando oportunidade a Henrique de a puxar para seu lado. Aurora sentou-se a seu lado e nada disse, assim como ele. A ausência de palavras era estranhamente confortável, não sentiam necessidade de falar, de comunicar verbalmente! Em tão pouco tempo os dois já se conheciam de uma ponta a outra, e não precisavam de palavras para se entenderem.

Aurora estranhou tanto silêncio da parte de Henrique, olhou para ele preocupada e reparou numa pequena lágrima solitária a cair pelo seu rosto. Abraçou-o como nunca abraçou ninguém! Era um abraço protetor e acolhedor, com a mensagem nítida e simples.

- Eu estou aqui. - disse num sussurro que, se não estivesse com a cabeça deitada no peito de Henrique este não teria ouvido.

Henrique sorriu minimamente e beijou os cabelos sedosos de Aurora, num agradecimento silencioso.

Passado longos minutos, Henrique interrompeu o silêncio:

- Obrigada. - disse sorrindo.

- Sabes que não tens de agradecer. - Henrique riu e levantou-se num pulo. Ainda com a sua mão na de Aurora ajudou a mesma a levantar-se que, com a força inesperada de Henrique, projetou Aurora para os seus braços. Olhou para cima e descobriu um rosto brincalhão. Aurora começou a correr em direção às tendas como se a brincar à apanhada como quando era pequena. Henrique seguiu-a.

- Vou-te apanhar! - gritava Henrique.

- Não vais não! - contradizia Aurora, metendo a língua de fora.

Perdendo tempo valioso a responder e a olhar para Henrique, Aurora via-se agora no alcance de Henrique, que a apanhou facilmente, caindo os dois no chão, rebolando, na relva fresca.

Os olhares cruzaram-se, fixando-se um no outro. O corpo de Henrique estava por cima do de Aurora, as suas mãos prendiam os pulsos inquietos de Aurora, não dando escapatória possível. As faces de ambos estavam perto... Muito perto. Aurora sentiu as suas bochechas a aquecerem, sobre o olhar intenso e atento de Henrique. Reparou igualmente que um certo ambiente, entre ambos se instalou. O rosto de Henrique estava cada vez mais perto do de Aurora e mais perto. Aurora sentia respiração ofegante de Henrique. Reparou em cada detalhe do seu rosto. As suas sobrancelhas estavam descontraídas, não evidenciando as rugas da testa que se formavam quando estava zangado ou irritado. Os seus lábios estavam entreabertos, dando-lhe um ar sexy. Henrique aproximou mais o seu rosto, do de Aurora. Tocou no seu nariz. Aurora largou um tímido riso. Aurora sentia-se estranha...num bom sentido. Sentiu que não precisava de mais ninguém, sentiu-se contente, sentiu que todo o mundo desapareceu e que aquele momento parara no tempo.

" Dizem que os momentos mais felizes, são os que passam mais depressa. Eu não... "

- Mas que é isto? - o pensamento de Aurora foi interrompida por uma voz rouca e grave. Não se mexeu, assim como Henrique.

A voz "tossiu".

Aurora olhou para trás em direção da fonte sonora, os seus pulsos foram largados pelas mãos de Henrique, que estava evidentemente chateado com a voz que interrompeu. Este saiu de cima dela e ajudou-a a levantar-se agora mais suavemente. Fuzilou a voz, que sorriu de modo vitorioso, enquanto Aurora estava de costas a ajeitar a roupa.

- Já não me bastava aqueles dois!Agora também vocês? - disse agora serio.

Henrique entrelaçou a sua mão na de Aurora e sorriu de orelha a orelha para a voz confusa com a felicidade deste.

- Agora alguém me pode explicar o que se passou aqui?

Henrique com um sorriso no rosto, caminhou em direção ao indivíduo, batendo-lhe no ombro.

- Não tenho que te dar justificações da minha vida, Rodrigo.

Aurora andando ao lado de Henrique, riu baixinho. Este abriu a tenda para que Aurora entrasse.

- Ainda é cedo porque não vais dormir mais um bocado? - Rodrigo não queria acreditar que Henrique lhe tinha perguntado e entrado na tenda logo de seguida.

Sem saber o que fazer, Rodrigo olhou para o relógio.

" Porra ele têm razão. "

Revirou os olhos e entrou na tenda.

Já na tenda de Aurora, Henrique estava deitado ao lado da "amiga" que deitava a cabeça no seu peito, adormecendo lentamente, enquanto este brincava com uma madeixa de cabelo dela.

a cor da vidaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora