"Noc! Noc!"
O som proveniente do outro lado da porta do quarto de Aurora interrompeu o profundo silêncio que nele reinava.
- Entre. - disse Aurora num tom meio rabuagento. Olhou para o relógio digital que tinha em cima da mesa de cabeceira, este apresentava os dígitos 8:30.
- Aurora! - gritou uma voz fina e aguda mas contraditoriamente estridente.
Um peso caiu sobre Aurora, era Sara, esta abracava por cima dos lençois que ainda cobriam Aurora.
- Bom dia! - disse animadamente apresentando o seu melhor sorriso desdentado. - Olha, Aurora, olha! - pediu Sara apontando com o indicador para o local onde outrora estivera um dente. - Caiu-me ontem!
- Que fixe! - disse Aurora deixando-se ser contagiada com o entusiamo da criança. - E a fada dos dentes visitou-te esta noite?
- Se por fada dos dentes queres dizer Henrique, então sim. - disse esboçando um pequeno sorriso maléfico. - Eu apanhei-o ontem a colocar 5 libras debaixo da minha almofada.
Aurora lançou um olhar e afirmou.
- Que fada dos dentes mais trapalhona.
Henrique riu-se e sentou-se à beira da cama, retirando a pequena Sara de cima de Aurora, dando a esta a hiopótese de se levantar.
- Vai te vestir, Aurora, temos que nos despachar! - ordenou a pequena Sara.
- Mas porquê?
- É uma surpresa. - disseram os irmãos em coro.
- Ok, ok eu vou me vestir.
- Posso ajudar a escolher a tua roupa? - perguntou Sara levantando-se ao mesmo tempo que Aurora.
- Claro, querida. - disse-lhe, retirando uma madeixa de cabelo que se encontrava na tez de Sara.
" Agora parecia a minha mãe."
Ambas as raparigas se dirigiram ao grande armário de soalho e abriram-no. Sara olhou espantadamente para as roupas que lá haviam.
- Então alguma ideia? - perguntou Aurora.
Sara estava pensativa e num gesto curto e rápido retirou uma camisa axadrezada vermelha, umas calças de ganga, um top branco e os all stars cinzentos de Aurora e entregou-lhe.
- Ótima escolha! - elogiou Aurora espantada com a precisão dos movimentos de Sara e da sua determinação.
Dirigiu-se à casa de banho, onde tomou um breve duche, enrolou uma grande toalha ao seu corpo e fixou o olhar nas roupas que tinha para vestir. Passado um instante a refletir sobre tudo o que se tinha passado no último mês, lembrou-se que estavam à sua espera. Vestiu-se rapidamente, lavou os dentes, penteiou-se, maquilhou-se e por fim quatro borrifadelas de perfume. Saíu da casa de banho e deparou-se com dois dos maiores sorriso que alguma vez vira.
- Estás linda mas falta um promenor para estares perfeita. - afirmou Sara, estendendo-lhe um colar cizento.
- Tens razão, Sarinha.
Sara estava contente, lembrou-se dos conselhos que a mãe lhe dera em tempos e utilizou-os para poder ajudar Aurora, ambas tinham uma relação bastante especial.
- Vamos? - perguntou Henrique.
Ambas as raparigas acenaram e Sara saiu a correr do quarto para ir chamar o elevador o mais depressa possível. Henrique fechou a porta atrás de Aurora.
- Ela precisa deste apoio femenino. - reconheceu.
- Eu sei e estou aqui para ajudar no que poder. - disse Aurora olhando para os grandes olhos verdes de Henrique.
Ambos estavam parados no meio do corredor, perplexos com o olhar que cada um emitia para o outro.
- Vamos ou não? - gritou uma voz proveniente do fundo do corredor.
Henrique e Aurora riram e avançaram para a caixa cinzenta metálica que os esperava. Saíram da Universidade em direção ao velho carro de Henrique, a bebé. Henrique ia a conduzir, Aurora estava ao seu lado e Sara estava deitada nos lugares de trás, olhando para o teto, enquanto cantava animadamente a música que estava a dar na estação de rádio, com Aurora a acmopanha-la baixinho.
- Acho que o melhor é eu ir na direção do hospital. - disse Henrique num tom algo trocista.
Quando se apercebeu que tinha a atenção do olhar de Aurora justificou a escolha de palavras.
- Pois uma pirralhinha está me a forar os tímpanos. - disse girando o seu corpo 180 graus.
Fixou o olhar na irmã, retirou a mão esquerda da perna de Aurora e fez cócegas à pequena. Aurora estava assim como Henrique centrada nos acontecimentos do banco traseiro. Henrique voltou-se novamente para a frente quando uma buzina de um camião tocou, Aurora virou-se imediatamente para a frente, deparando-se com a imagem de um par-choques de um camião cinzento frigorifico. Sem tempo para processar ou raciocinar, Aurora protegeu a cara com a sua mão esquerda, Sara gritou e Henrique fez o volante girar para a esquerda de modo a tentar proteger ao máximo Aurora e Sara, mas sem tempo para tal.
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a cor da vida
Novela JuvenilA história de uma rapariga de 16 anos, que foge para Londres onde faz um amigo para a vida e onde desenvolve o seu conhecimento e paixão pela música e pelas artes.
