Dia 13 de Julho de 2014

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        "Noc! Noc!"

        O som proveniente do outro lado da porta do quarto de Aurora interrompeu o profundo silêncio que nele reinava.

- Entre. - disse Aurora num tom meio rabuagento. Olhou para o relógio digital que tinha em cima da mesa de cabeceira, este apresentava os dígitos 8:30.

- Aurora! - gritou uma voz fina e aguda mas contraditoriamente estridente.

        Um peso caiu sobre Aurora, era Sara, esta abracava por cima dos lençois que ainda cobriam Aurora.

- Bom dia! - disse animadamente apresentando o seu melhor sorriso desdentado. - Olha, Aurora, olha! - pediu Sara apontando com o indicador para o local onde outrora estivera um dente. - Caiu-me ontem!

- Que fixe! - disse Aurora deixando-se ser contagiada com o entusiamo da criança. - E a fada dos dentes visitou-te esta noite?

- Se por fada dos dentes queres dizer Henrique, então sim. - disse esboçando um pequeno sorriso maléfico. - Eu apanhei-o ontem a colocar 5 libras debaixo da minha almofada.

        Aurora lançou um olhar e afirmou.

- Que fada dos dentes mais trapalhona. 

        Henrique riu-se e sentou-se à beira da cama, retirando a pequena Sara de cima de Aurora, dando a esta a hiopótese de se levantar.

- Vai te vestir, Aurora, temos que nos despachar! - ordenou a pequena Sara.

- Mas porquê? 

- É uma surpresa. - disseram os irmãos em coro.

- Ok, ok eu vou me vestir.

- Posso ajudar a escolher a tua roupa? - perguntou Sara levantando-se ao mesmo tempo que Aurora.

- Claro, querida. - disse-lhe, retirando uma madeixa de cabelo que se encontrava na tez de Sara.

" Agora parecia a minha mãe."

        Ambas as raparigas se dirigiram ao grande armário de soalho e abriram-no. Sara olhou espantadamente para as roupas que lá haviam.

- Então alguma ideia? - perguntou Aurora.

        Sara estava pensativa e num gesto curto e rápido retirou uma camisa axadrezada vermelha, umas calças de ganga, um top branco e os all stars cinzentos de Aurora e entregou-lhe.

- Ótima escolha! - elogiou Aurora espantada com a precisão dos movimentos de Sara e da sua determinação.

        Dirigiu-se à casa de banho, onde tomou um breve duche, enrolou uma grande toalha ao seu corpo e fixou o olhar nas roupas que tinha para vestir. Passado um instante a refletir sobre tudo o que se tinha passado no último mês, lembrou-se que estavam à sua espera. Vestiu-se rapidamente, lavou os dentes, penteiou-se, maquilhou-se e por fim quatro borrifadelas de perfume. Saíu da casa de banho e deparou-se com dois dos maiores sorriso que alguma vez vira. 

- Estás linda mas falta um promenor para estares perfeita. - afirmou Sara, estendendo-lhe um colar cizento.

- Tens razão, Sarinha.

        Sara estava contente, lembrou-se dos conselhos que a mãe lhe dera em tempos e utilizou-os para poder ajudar Aurora, ambas tinham uma relação bastante especial.

- Vamos? - perguntou Henrique.

        Ambas as raparigas acenaram e Sara saiu a correr do quarto para ir chamar o elevador o mais depressa possível. Henrique fechou a porta atrás de Aurora.

- Ela precisa deste apoio femenino. - reconheceu.

- Eu sei e estou aqui para ajudar no que poder. - disse Aurora olhando para os grandes olhos verdes de Henrique. 

        Ambos estavam parados no meio do corredor, perplexos com o olhar que cada um emitia para o outro.

- Vamos ou não? - gritou uma voz proveniente do fundo do corredor.

        Henrique e Aurora riram e avançaram para a caixa cinzenta metálica que os esperava. Saíram da Universidade em direção ao velho carro de Henrique, a bebé. Henrique ia a conduzir, Aurora estava ao seu lado e Sara estava deitada nos lugares de trás, olhando para o teto, enquanto cantava animadamente a música que estava a dar na estação de rádio, com Aurora a acmopanha-la baixinho.

- Acho que o melhor é eu ir na direção do hospital. - disse Henrique num tom algo trocista.

        Quando se apercebeu que tinha a atenção do olhar de Aurora justificou a escolha de palavras.

- Pois uma pirralhinha está me a forar os tímpanos. - disse girando o seu corpo 180 graus.

        Fixou o olhar na irmã, retirou a mão esquerda da perna de Aurora e fez cócegas à pequena. Aurora estava assim como Henrique centrada nos acontecimentos do banco traseiro. Henrique voltou-se novamente para a frente quando uma buzina de um camião tocou, Aurora virou-se imediatamente para a frente, deparando-se com a imagem de um par-choques de um camião cinzento frigorifico. Sem tempo para processar ou raciocinar, Aurora protegeu a cara com a sua mão esquerda, Sara gritou e Henrique fez o volante girar para a esquerda de modo a tentar proteger ao máximo Aurora e Sara, mas sem tempo para tal. 

        

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