Me rastejo pelo rastro de sangue que estava espalhado pelo chão. Acabei me deparando com um assassino maluco perto da cela onde Annie e os policiais estavam e a última coisa que queria era um conflito sozinha com um cara desses. Eu até poderia mata-lo com um tiro certeiro na nuca, mas infelizmente deixei minha arma nas mãos do Ackerman. Idiotice da minha parte, eu sei.
Annie com certeza estava à solta procurando por ele para tentar derruba-lo. Não que eu esteja falando que ela é fraca, muito pelo contrário. A loira é uma das pessoas mais fortes que conheci, mas se nem eu consegui parar aquele cara facilmente, imagino que seria um sacrifício para alguém que nunca lutou com eles frente a frente.
Ao me rastejar por mais um tempo tentando impedir que o maluco me veja, acabei por derrubar uma porta-lápis de cima de uma escrivaninha. Quando notei, o maníaco já olhava para mim.
-Merda!
Me levanto e saio correndo para as celas, sendo perseguida por ele. Droga, a última coisa que queria era isso.
Na medida em que corria fui olhando ao redor tentando achar alguma coisa que poderia usar como arma e, felizmente, achei uma vassoura. Quebrei-a no meio e joguei a parte inútil na cabeça do cara para tentar atrasa-lo.
-N-Não se aproxime ou eu fincarei isto em seu pescoço!
Tentei alerta-lo. Foi inútil, como deveria saber.
Ele correu até mim de um jeito totalmente perturbador e eu posicionei o cabo de maneira que atravessaria sua traqueia e acertaria sua nuca. Minhas mãos tremiam. Sempre tive receio de matar, mas as vezes era necessário. Ser policial também significa ter que tirar vidas humanas de vez em quando.
O que eu planejei foi tudo por água abaixo quando ouvi um disparo e vi o sangue do cara espirrar para todo o lado. Ele caiu no chão e aquele vapor começou a subir novamente de seu corpo. Quando olhei para os lados, vi Annie com uma arma em mãos.
-Ai, graças a Deus que está bem.
Larguei o cabo de vassoura quebrado, corri até ela e lhe dei um abraço.
-Eu disse que daria um jeito.
Ela falou quando nos separamos.
-Eu sei, mas fiquei preocupada de qualquer jeito. Nunca se sabe o que pode acontecer, não é?
De repente, ouvi palmas atrás de nós. Quando desviei o olhar vi Nile parado a apenas uns metros de nós.
-Que lindo esse momento entre amigas. Agora, que tal irmos buscar reforços para prender os outros caras restantes?
Revirei os olhos.
-Ah, claro que ele está aí...
-Não vai me dar um abraço também, Larinha? Estou esperando.
O olhei com desprezo, vendo-o abrir seus braços esperando uma coisa que jamais aconteceria. Não de novo, pelo menos...
-Nile, apenas cale a merda da boca, ouviu? Annie, vamos. Não temos muito tempo a perder. O último assaltante ainda está perambulando por aí.
-Certo. Comandante, que tal o senhor ir verificar se os policiais estão bem dentro da cela?
A loira se virou para o comandante.
-Oras, eles estão bem. Prefiro acompanhá-las para me certificar se vocês ficarão bem.
Seu cinismo me dava náuseas.
-Iremos ficar muito melhor sem você por perto, obrigada!
-Tem certeza? Não parece muito segura de si mesma.
Nesse ponto da conversa eu já estava explodindo de raiva. Queria ralar a cara dele no asfalto e quebrar alguma parte de seu corpo para compensar aquilo que, um dia, ele já me fez.
-DÁ PRA VOCÊ CALAR ESSA CARALHA DE BOCA E FICAR PARADO AQUI, PORRA??
Gritei. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios e o silêncio dominou aquele lugar.
-Uau, continua selvagem.
-Vai se fuder, babaca.
Disse, por fim, enquanto andávamos para longe dele.
-VOCÊ AINDA VAI SE ARREPENDER, LARA!
Ouvi-o gritar ao longe. Não dei ouvidos e ignorei seu comentário ridículo. Annie caminhava ao meu lado e permanecia quieta em relação àquilo tudo.
-ACKERMAN? CHURCH??
Chamava pelos dois ex-criminosos que deixara aqui por perto. Já estávamos rondando aquela delegacia quase vazia fazia uns dez minutos e até agora eu não achei nenhum membro da minha equipe.
Minha preocupação já havia aumentado bastante por conta disso. Temia o pior.
-Tem certeza de que era aqui que eles estavam?
Annie perguntou.
-Tenho sim. Me lembro exatamente do local.
-E se eles foram para a entrada procurar os outros?
-Também é uma possibilidade. Acho melhor irmos para lá mesmo.
Continuamos andando em silêncio até que a mulher ao meu lado fala comigo.
-Então... Essa rixa entre você e Nile... Desde quando existe?
-Olha, Annie, não é um momento muito adequado para falarmos sobre isso.
-Eu sei, mas eu consigo perceber que seu ódio é muito acima do normal. E olha que eu odeio muitas pessoas.
-Ele merece todo esse ódio que recebe de mim.
-A questão não é essa... Eu quero saber o motivo.
Chuto uma pequena pedrinha no chão e bufo em irritação.
-É complicado de explicar. Digamos que ele fez umas coisas muito horríveis para mim.
-Coisas horríveis para as pessoas até mesmo eu faço, Lara.
-Mas você não amava essas pessoas.
A olhei despreocupadamente e vi seus olhos arregalados depois da minha frase. Sua boca abria e fechava, mas nenhum som saía delas. Annie estava sem fala.
-É, eu sei.
Quando ela finalmente ia falar algo, ouvimos uns gritos vindo perto dali. Nos entreolhamos e não precisamos falar para saber o que estava acontecendo lá. Corremos o máximo que podíamos e acabamos por encontrar minha equipe inteira, juntamente com Levi e Farlan, segurando o último assaltante que sobrou e tentando imobiliza-lo. O homem estava de bruços com cada soldado meu segurando um membro de seu corpo.
-C-Capitã, que b-bom que chegou!
Petra estava em cima dele. A mulher sangrava por algumas poucas áreas do corpo e, depois, notei que praticamente todos eles estavam machucados de alguma forma.
Não esperei o pior acontecer e já parti para cima do homem deitado no chão com um pedaço de ferro e o acertei na nuca, fazendo seu sangue espirrar em todos os que estavam por perto.
-Os três já estão mortos.
Assenti.
-E agora? Capitã, por que isso aconteceu?
Eld me perguntava.
-Eu não sei. Coletei o sangue de um que matei mais para trás. Nossa maior preocupação aqui é descobrir o motivo e nos certificar de que não há mais gente assim no mundo. Annie, pode contatar Nile e pedir para que ele traga os policiais, por favor?
A loira respondeu com um "sim" e se virou.
-Ackerman, pode devolver meu celular?
Me virei para o moreno que agora já estava de pé.
-Está com Farlan.
Ele disse enquanto olhava para o companheiro logo ali e eu arqueei uma sobrancelha.
-Por que? Eu o dei pra você!
-Decidi ficar de guarda-costas.
Reviro os olhos e vou até Farlan. Quando ele me vê, estende sua mão com meu aparelho na mesma.
-Aqui, capitã.
-Obrigada, Farlan. Fez um bom trabalho hoje.
Sorrio sinceramente para ele.
-Obrigado. Ah, e eu liguei para o comandante. Ele disse que os reforços já estão chegando com algumas ambulâncias.
-Perfeito.
Estava parada na escada da delegacia militar enquanto a Tropa de Exploração pegava informações das testemunhas e recolhia os corpos daqueles que foram vítimas.
O Sol já estava brilhando no céu já que já deu sete horas da manhã. Daqui a pouco eu iria para o trabalho se Erwin não tivesse praticamente me obrigado a tirar um dia de folga. Eu e minha equipe.
Senti uma presença ao meu lado. Era Levi. Ele estava com as mãos nos bolsos e olhava para as viaturas que piscavam em azul e vermelho.
Ri baixo e balancei a cabeça.
-Foi muito bem hoje, Ackerman.
-Hum...
Franzi as sobrancelhas e revirei os olhos. Ele era teimoso e orgulhoso, já percebi isso.
Mordi meu lábio inferior para me impedir de perguntar-lhe se estava tudo bem. Não queria ser tapada o suficiente para falar com alguém que não está nem aí para mim. Não mesmo.
-Você também, capitã.
Olhei para ele surpreendida.
-Obrigada. Acho que sua amiga foi encontrada dormindo no chão da delegacia, provavelmente.
Ri ao imaginar Isabel completamente descabelada dormindo no chão da recepção enquanto os outros passavam por ela.
-Também acho. Ela dorme muito, principalmente quando bebe demais.
-Vou verificar a situação, haha.
Um silêncio agradável se instalou ali. Só se podia ouvir as pessoas falando ao longe e os barulhos dos carros nas ruas.
-Escuta, que tal você deixar de ter esse ódio por mim e começarmos a sermos amigos? Você é uma companhia agradável quando não se está sendo irônico e grosseiro.
-Não acho isso certo. Você é minha capitã, não é mesmo?
-Pelo menos fora do trabalho. Qual é, eu sou amiga de todos da minha equipe.
-Hum... Vou pensar no seu caso, pirralha.
Franzi as sobrancelhas novamente ao ouvir sua última palavra.
-Oi? Me chamou de quê?
-Não quer ser minha amiga fora do trabalho? Terá que me aguentar.
-Mas eu não sou pirralha!
-Pra mim, é. Você é mais baixa que eu, mais nova e é tapada quando não se está trabalhando.
-Mas... Como ousa??
Comecei a rir enquanto dava soquinhos em seu braço.
-É. A partir de hoje te chamarei assim.
-Você não deve ser tão mais velho que eu! Tenho vinte e cinco anos.
-E eu tenho vinte e oito.
-Viu?
-Ok... Você é forte.
-Sim.
-É minha capitã.
-Sim.
-É experiente.
-SIM!
-Mas ainda assim é uma pirralha.
Fiquei boquiaberta.
-Tsk, idiota.
Reviro meus olhos e escondo um sorriso com a mão. Esse cara era um enigma que eu levaria tempo para decifrar. Sua expressão sempre séria ou brava, sem nunca dar um sorriso, me deixava ainda mais intrigada.
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oii, o que acharam do capítulo? Vote e comente, isso me motiva muito a continuar ;*
OI
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Assassino Perigoso
Fanfiction//+16 ~~~~ contém linguagem imprópria\\ A vida no FBI se resume, muitas vezes, em caçar assassinos e investigar assassinatos; e isso não mudou para Leonor, capitã de uma equipe especializada em capturar os piores dos psicopatas de Los Angeles e re...
