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  Após observar (com muita satisfação) Nile saindo furioso daqui, e ver todos os presentes reunindo seus pertences e deixando o local, eu me aproximei lentamente de Levi, a fim de ter uma breve conversa com ele. O moreno estava virado de costas para mim e apoiado na cadeira que estava sentado antes; parecia pensativo.

-Então... Ganhamos, agora vocês fazem parte da Exploração.

  Ele virou a cabeça para mim lentamente e me olhou com o canto dos olhos, até voltar ao jeito que estava, sem me encarar.

-Não sei se fico feliz ou se lamento por isso.

-Lamentar? Por quê? Você acabou de se livrar de apodrecer na prisão para sempre.

  Falei com uma voz calma enquanto encostava em suas costas com minha mão direita.

-Porque eu não sei se minha possível capitã terá coragem de considerar um grupo de ex-assassinos como parte do esquadrão dela.

  Respirei fundo e comecei a acaricia-lo nas costas, como forma de tranquiliza-lo.

-Levi, não precisa agir dessa forma, eu...

  De repente, ele se vira e pega meu pulso, afastando-o de seu corpo. Arregalo levemente os olhos com aquilo e dou uns passos para trás. O olhar do moreno era gelado, quase podia sentir uma brisa fria saindo por aquelas íris cinzas.

-Lara, você provou para mim essa manhã que eu sou uma vergonha pra você, se quer ter aquele lado meu de volta, ou a minha gentileza, vai ter que provar o contrário. Assunto encerrado.

  Sua voz era capaz de me quebrar pedacinho por pedacinho de tão séria. Assim que disse isso, o Ackerman se virou e saiu pela porta central, me deixando ali, plantada.

-Ótimo!

  Dei um suspiro pesado e franzi as sobrancelhas, tentando manter a paz com aquele Ackerman. Entretanto, essa paz sumiu de vez quando uma quatro olhos sem noção apareceu ao meu lado cantarolando uma música infantil ridícula.

-Larinhaaaaaaa, não acredito que ganhamos esse caso, ai eu to tão feliiiiiiz! Não creio que desabafou tudo aquilo para o juíz, meu Deus, como eu queria ter filmado!

Ela pega meus ombros e começa a me chacoalhar, então abro os meus braços e me afasto dela.

-Qual foi, sua maluca? Claro que a gente ia ganhar, desde o princípio eu sabia. Não sei como não confiou em mim e no teu namorado.

-Aaah, mesmo assim bate aquele nervoso, não é? E me explica, que cena foi essa agora com teu boy? Ele não quis reatar o peguete de vocês?

  Apertei a ponte do meu nariz e dei um longo suspiro, logo em seguida eu ajeitei minha bolsa em meu ombro.

-Ainda não, ele quer que eu prove que ele não é uma vergonha para mim.

Após eu falar isso, Hanji apoia um braço na mesa e a outra mão ela apoia no queixo.

-Iih, acho que ele quer que você o peça em namoro.

Engasguei depois daquela frase e dei um tapa no braço daquela maldita. O que? Pedir o Ackerman em namoro? É sério isso?? Não, ao menos agora não, quero focar em conseguir a "gentileza" dele de volta primeiro, depois pensamos em algo desse nível. Afinal, o que tivemos não foi nada além de transa casual, certo? Apenas desejo um pelo outro, sem muito sentimento.

-Dá pra você controlar sua língua, sua ridícula? De onde você tirou essa ideia maluca?? Me erra!

-Bom, pedir em namoro nem tanto, mas tá na cara que o baixinho quer um ato grande, que prove que você o quer de verdade e não tem vergonha de assumi-lo. Se minhas experiências com filmes clichês de romance valeram a pena, tenho certeza que a melhor coisa que poderia fazer é correr atrás dele agorinha mesmo, gritar pelo nome dele e confessar seu lindo amor no meio da multidão. Assim ele daria um sorriso de canto, colocaria a mão na sua cabeça, falaria algo bem másculo e belo e te daria um beijo, e depois todos aplaudiriam e vocês se tornariam uma atração pública, apareceriam até no jornal, aí então...

Assassino PerigosoOnde histórias criam vida. Descubra agora