Por volta das 16 horas, Ed Westqualquercoisa me pergunta se eu gostaria de conhecer o lugar onde ele mora, e imediatamente digo que sim. Se ele ainda tiver alguma daquelas manias estranhas, com certeza elas vão aflorar em um ambiente que lhe seja familiar.
Enquanto eu dirijo o meu carro, seguindo-o até a sua casa (garotas, tenham sempre um carro pronto para fugir, qualquer que seja a ocasião), tento me lembrar de como era transar com ele, se era bom, mas a minha memória está vazia. A única coisa de que eu me lembro é que ele, às vezes, se empolgava demais. Ele sempre fazia expressões faciais exageradas quando transávamos.
Por exemplo, em um momento ele fechava os olhos e rangia os dentes, e no momento seguinte ele abria a boca com força, como se fosse um tigre rugindo. Ele sempre pareceu intenso.
Eu estaciono na calçada em frente à casa de Ed, e depois me encontro com ele na porta de entrada. Eu ainda estou trazendo Eva comigo, e ela está dormindo dentro da sua bolsa. Ela teve um dia muito cansativo e está exausta. Enquanto espero que Ed destranque a porta, penso sobre o dia que passamos juntos.
Se ele for normal, eu acho que as coisas poderiam dar certo entre nós. Se conseguisse descobrir um jeito de me livrar da família dele...
Brincadeirinha!
Mas talvez não.
De qualquer forma, estou tão contente pela possibilidade de que Ed seja uma pessoa normal que não consigo conter um sorriso quando entro na casa dele. Ele se vira e olha para mim.
- Que sorriso é esse? - ele pergunta.
- Não sei - eu respondo, sentindo as faces corarem - Acho que estou feliz, só isso.
- Feliz? Por quê?
- Feliz porque esbarrei em você, eu acho. Sabe, você é uma pessoa tão boa e norm...
Opa, espere um pouco.
Talvez eu tenha falado cedo demais.
Quando entro na sala de Ed, eu paro de falar quando vejo algo incrivelmente perturbador: cerca de uma dúzia ou mais de animais de pelúcia, de todas as formas e tamanhos, estão pendurados em varetas presas à parede sobre o sofá. Eles são grandes, quase a metade do tamanho do meu braço, e assustadores, tão assustadores que acho que eles vão se tornar parte integral dos meus pesadelos pelos próximos anos.
Ah, e cheguei a mencionar que eles estavam olhando diretamente para mim? Cada um deles, todos olhando diretamente para mim. Estou paralisada de medo.
- O que... o que são esses bonecos? - eu pergunto, sentindo um forte desconforto.
Ed olha para mim, e depois para a parede.
- Ah, esses aí? - pergunta ele. Eu faço que sim com a cabeça. - São meus muppets.
Ele diz isso com uma tranquilidade inacreditável, como se estivesse descrevendo os livros de uma estante.
- Seus muppets? - eu pergunto. - São fantoches?
- Não, não. Muppets e fantoches são diferentes. Muppets são manipulados com a mão esquerda, enquanto fantoches são operados com a mão direita - diz Ed. Ele volta e aponta para a parede. - Esses aí são muppets.
Deve haver alguma explicação lógica para isso.
- É algum tipo recente de arte ou algo do tipo? - eu pergunto.
- Não, nada disso. Não são uma nova forma de arte - diz Ed, rindo por entre os dentes. - Eu sou um muppeteiro.
Eu balanço a cabeça, sem saber se ouvi direito.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Qual seu número?
FanfictionNova York, início da Primavera. Anahí Portilla lia seu jornal favorito quando fica horrorizada ao ler, que as mulheres têm em média 10,5 parceiros sexuais ao longo da vida. Acreditando que o número é baixo demais, ela puxa da memória todos os homens...
