Vinte e Oito

256 25 14
                                        

Domingo, 8 de maio

Estou deitada na cama do Viceroy há dois dias, esperando que o terremoto estrondoso na Califórnia, arranquei pedaço de praia onde está construído.

Com a minha sorte, é provável que isso aconteça. Além da multa que recebi por transportar animais no banco da frente, 1.000 dólares também teve multa por garrafas abertas de bebida alcoólica dentro do carro, mais 500 dólares por sujar a estrada, outros 1.000 por descartar a sujeira do meu cachorro de maneira inadequada, 150 dólares por dirigir devagar demais na faixa da esquerda e outros 150 por excesso de velocidade.

Sim, excesso de velocidade. Aparentemente, além de conversar ao telefone, saber que três dos meus ex- namorados são gays também faz com que eu dirija mais rápido. Eu não estava a 90 km/h, eu havia passado dos 140. Fui multada por dirigir a 146 km/h.

Considerando que a diária do hotel custa 400 dólares, talvez fosse melhor eu ter saído do Viceroy e ido para outro lugar para poder surtar em paz. Mas, depois de pensar mais a fundo, decidi que era melhor ficar quietinha onde eu estava. Imaginei que, se está à beira de um ataque de nervos, hospedar-se em um hotel barato qualquer nas proximidades do aeroporto vai ser simplesmente a gota d'água.

Afinal, a única coisa que ainda me ajuda a manter a sanidade é saber que o lençol e o cobertor que o Viceroy oferece têm mais de 300 fios. Certo, certo. A maconha que eu comprei de um garoto perto da piscina também está ajudando, assim como os jogos de Playstation que o carregador de malas me deu, e, é claro, a voz do meu cantor favorito da década de 1980.

Os quatros juntos funcionam como os anéis dos Super Gêmeos, ativando...a forma de uma vadia totalmente encrencada e fracassada na vida, que está se sentindo confortável demais e chapada demais para pular pela janela.

Eu me sinto como se estivesse anestesiada, e não é só por causa da maconha.

Estou em estado de choque. Não consigo acreditar que Michael seja gay. Não consigo acreditar que Sheeran seja gay. E também não consigo acreditar que Dornan seja gay. Dou uma longa tragada no meu baseado e cubro o focinho de Eva, para que ela não fique chapada por causa da fumaça.

Sheeran, meu número 3, era um ano mais velho que eu, e foi o primeiro cara com quem me envolvi quando estava na faculdade. Eu o conheci em uma festa na casa da Fraternidade da qual ele era membro, e nosso namoro durou uma semana inteira.

Todos o chamavam de Cowboy Sheeran, já que gostava bastante do estilo country. Ele não foi criado em uma fazenda ou algo do tipo, então não tenho certeza de onde veio aquela fascinação, mas ele sempre estava usando um chapéu e um colete de couro.

Essas e outras coisas típicas dos cowboys. Se naquela época alguém me dissesse que ele acabaria saindo do armário, eu teria caído na gargalhada. Sheeran era forte e másculo. Ele chegava até mesmo a vestir suas chaparreiras de couro para qualquer lugar que fosse.

Ele era totalmente machão. Mas, pensando bem...certa vez Sheeran deixou escapar uma frase que poderia ser um sinal de que ele seria gay, se eu tivesse prestado atenção. Ele me disse que sentia uma "ligação diferente". Será que homens heterossexuais têm "ligações diferentes" entre si? Eu sempre pensei que tivessem, mas talvez eu estivesse errada.

Em relação a Dornan, o número 8 da minha lista, admito que sempre tive a impressão de que ele ligeiramente gay, se isso fosse possível. A principal razão para isso é que, logo antes de terminarmos o namoro, ele esteve em uma festa de casamento e...

De repente, meu telefone toca. Eu leio o nome no identificador de chamadas.

É Alfonso. Eu não estou com vontade de conversar, mas, quando o meu cérebro envia a mensagem para a minha mão, ordenando-lhe que não atenda ao telefone, já estou com ele colado ao ouvido.O THC da m.a.c.o.n.h.a. está me deixando l.e.r.d.a.

Qual seu número? Histórias para pegar e não largar. Descubra agora