Domingo, 1o de Maio
Eu finalmente consegui sair da clínica de reabilitação.
- Da próxima vez, leia os papéis antes de assinar - diz Lucille, antes de nos despedirmos.
Depois de sair de Lily Pond, eu vou até uma livraria e compro em exemplar de Canja de galinha para as almas indestrutíveis para presentear Jensen. Lucille me prometeu que entregaria o livro a ele.
Eu a adoro, e tenho uma divida de gratidão eterna para com ela. Além de convencer Jan a telefonar para Maite, que confirmou o fato de eu não ser viciada em drogas, ela também cuidou de Eva enquanto eu estava internada. Ligou para o veterinário para se certificar de que a cirurgia de castração correu bem, foi até a clinica para pegar Eva e levou-a para casa para se recuperar.
Estou me sentindo extremamente irresponsável. Eu não devia ter comprado um cachorro, e não apenas porque estou viajando de carro. Não me entenda mal, eu adoro Eva e fico muito feliz por tê-la salvado, mas... e se não houvesse alguém como Lucille?
E se eu demorasse mais para sair da clinica de reabilitação? O que eu iria fazer? Deixa-la no veterinário até que eu estivesse em condições de pegá-la? Até desistir de tentar encontrar um nesse desastre que é minha vida?
Além disso, não contei a Maite ou Alfonso m, as únicas duas pessoas que sabem que estou viajando pelo país, que eu iria me internar em uma clínica de reabilitação.
Pensei que conseguiria sair de lá antes que percebessem que havia escapado, mas eu estava errada. Ninguém conseguiu falar comigo durante seis dias, e todos os telefonemas que eles fizeram foram direto para a caixa de mensagens. Os dois entraram em pânico pensando que algo de ruim havia acontecido comigo. Maite, por exemplo, deixou mais de 20 mensagens na minha caixa postal, e cada uma parecia estar mais aterrorizada do que a anterior.
Em relação a Alfonso, ele não estava tão preocupado quanto a Maite, até que ela foi bater à porta dele, em meio a um ataque histérico, perguntando se ele sabia onde eu estava. Depois de fazê-la se acalmar, ele disse a ela que eu estava em Rockford, visitando um cara chamado Jensen Ackles.
Eu já havia comentado sobre Jensen com Maite, e a única coisa que ela se lembrou foi que Jensen era o meu ex-namorado que vendia drogas. Ao todo, Alfonso me deixou umas 15 mensagens. Preciso me desculpar com os dois.
Antes de voltar para a estrada, eu encontro um lugar tranquilo em um estacionamento e pego meu celular. Depois de respirar fundo, ligo para Maite. Ela atende depois de dois toques.
- Oi, sou eu - eu digo, com uma voz tranquila.
Ela não responde.
- Olha, me desculpe por sumir desse jeito.
- Desculpas? - diz ela, em tom de zombaria. A voz dela é alta e agressiva. - Isso é tudo o que você tem a dizer?
- Eu não sei mais o que eu poderia dizer. Foi uma estupidez fazer o que eu fiz, e estou arrependida. Desculpe- me.
- Você achou que não precisaria contar a mim ou a alguma outra pessoa que estava se internando em uma clínica de reabilitação? Você achou, que se desaparecesse por um tempo, ninguém notaria? Que ninguém sentiria a sua falta?
- Não, mas não pensei que ficaria lá por tanto tempo, e...
- O seu problema é exatamente esse, Anahí - ela grita. - Você não pensa.
Percebo que não tenho o direito de ficar zangada com Maite, especialmente agora. Mass eu detesto o hábito que ela tem de sempre se intrometer nas decisões que eu tomo sobre minha própria vida.
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Qual seu número?
FanfictionNova York, início da Primavera. Anahí Portilla lia seu jornal favorito quando fica horrorizada ao ler, que as mulheres têm em média 10,5 parceiros sexuais ao longo da vida. Acreditando que o número é baixo demais, ela puxa da memória todos os homens...
