Eu: Eu não vou morar com a minha mãe! Eu não sei nada dela, eu nunca soube - falo e em uma tentativa falha tento segurar o choro.
Carlos: Oh minha querida, eu não posso fazer nada - meu tio suspira me abraçando - Você ouviu o delegado! Você é obrigada a ir morar com a sua mãe! Por lei ela tem a sua guarda, mesmo que ela não tenha sido presente na sua vida.
Eu: por que eu não posso morar com você? - falo soluçando.
Carlos: você sabe que eu vivo viajando Bárbara - sorri fraco - mas eu prometo que toda vez que eu estiver aqui, ou em algum outro estado daqui do Brasil eu te mando uma passagem pra você passar as semanas comigo! Tenta usar esse tempo pra conhecer a sua mãe, por mais que ela seja uma estranha pra você - fala me fazendo rir irônica.
Eu: ela é tão estranha pra mim que se eu der de cara com ela eu não vou saber que é a minha mãe - falo sentindo um aperto no meu peito. - e vai ser mais estranho ainda porque eu vou ter que ir morar no Rio, e em uma comunidade. Eu...
Carlos: lembre-se sempre de não julgar o livro pela capa! Você não te noção de quantas pessoas maravilhosas moram em comunidades. As comunidades tem essa famosa imagem sobre, mas é totalmente o contrário - sorri me acalmando.
Eu: bom, espero!
Carlos: só tenta não bancar a mimada, porque que ambos sabemos que seu pai sempre te deu tudo do bom e do melhor - sorri me olhando - e não esqueça. Assim que você fizer 22 anos poderá mexer no dinheiro do seu pai e comandar a empresa! Mas pode deixar que eu te ajudo nisso. Os acionistas pediram esse tempo todo pra você entender do assunto.
Eu: eu nunca saberei comandar que nem ele - suspiro triste - eu ja sinto tanta falta dele - falo começando a chorar e meu tio me abraça.
Meu pai morreu ontem de madrugafa. Ele estava voltando de uma viagem de trabalho e um carro desgovernado atingiu o carro dele e ele infelizmente não resistiu.
Não tive tempo de me despedir, de falar absolutamente nada.
E como eu não tenho idade pra morar sozinha, terei que morar com a minha mãe.
Tereza Alves Bittencourt.
Pra mim uma mulher desconhecida que eu nunca vi na minha vida.
Eu espero que não sejam tão ruim viver com ela.
Minha vida virou de cabeça pra baixo.
Em um dia tive que fazer as minhas malas e sair do meu bairro pra ir pra casa da minha mãe.
Não tive tempo de me despedir de ninguém, mas pelo menos eu não me mudei de cidade, então posso os visitar quando eu quiser! mas infelizmente nós não moraremos a ruas de distância.
Anderson, o meu motorista coloca minhas malas no carro e eu entro logo em seguida, olhando a minha casa.
Eu: um ano - falo pra mim mesma enquanto suspiro sentindo as lágrimas chegando.
Anderson: podemos ir senhorita Bárbara? - pergunta e eu viro o olhando e assinto com a cabeça.
Eu não sei porque eu não posso viver aqui. Sempre tem gente aqui, seja a empregada, a cozinheira, enfim. Sempre tem gente.
Bloquearam absolutamente todas as coisas do meu pai, e eu não posso mexer em nada até fazer 22 anos.
Agora o porque disso? Eu não faço a menor ideia.
[...]
Depois de longos minutos chegamos na entrada do morro do Vidigal. Fomos recepcionados com dois caras apontando fuzis pra gente e fazendo um sinal pro Anderson parar o carro e desligar.
O mesmo o faz e logo um dos caras vai até o lado do motorista.
— Da o papo - fala sério apontando o fuzil pra gente fazendo com que meu coração dispare.
Ótima recepção!
Eu: vou pra casa da Tereza Alves. Ela me disse que vocês estariam avisados. - falo sem paciência o olhando, mas com o cu na mão.
— Sorte tua que é filha da dona Tereza, se não eu metia bala em vocês só por essa tua pose de patricinha de copacabana - fala me avisando o que me faz revirar os olhos - o carro vai até aqui. Tu vai subir de moto e depois os menor vão levar tuas coisas. - fala me olhando - e tu, mete marcha logo daqui. - avisa o Anderson que apenas afirma com a cabeça.
Eu: até qualquer dia - sorrio o abraçando e o mesmo retribui.
Anderson: lembra do que você prometeu pro teu tio! e lembre-se, qualquer coisa é só chamar! - sorri e eu assinto saindo do carro logo em seguida.
Ajeito minha roupa e fico olhando pro cara.
Eu: eai?! é pro hoje ou não?! - falo impaciente.
— O marreta, leva essa mina la pra casa da dona Tereza. Não encosta um dedo nela que essa dai é irmã do Jamaica.
Eu: quem é Jamaica? - pergunto mas o mesmo me ignora e volta pro seu posto, logo acendendo um cigarro de maconha o que me faz bufar irritada - filha da puta - falo baixo e logo o tal de Marreta me chama pra ir com ele.
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Oiee meninas tudo bem??
Mais uma estória para vocês!!
Espero muito que gostem!
Participem dos capítulos, interajam 🥰❤️
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A patricinha do Vidigal
Roman pour AdolescentsDo condomínio pra comunidade. Bárbara tem sua vida virada de cabeça pra baixo depois da morte de seu pai. A jovem nunca imaginou que teria de largar a sua vida para viver com uma desconhecida, a mulher que lhe deu a vida. Nunca pensou que teria qu...
