**38° dia de acordo**
Lori Gardner
Entrei no quarto de Amelia e vi Aaron dormindo agarrado ao braço dela, silenciosamente fui até o sofá e coloquei minha bolsa lá.
Quando virei meu rosto ele estava se espreguiçando e passando as mãos pelo rosto, devia estar morrendo de cansado.
-Quer fazer uma pausa?- perguntei.
-Não, eu...
-Eu fico com ela, Aaron.- cruzei os braços.- Vá para casa.
-Todos estão dizendo isso.- ele olhou para Amelia.
-Se você ficar doente vai ser difícil cuidar dela e de você.- expliquei.- Vá para casa, descanse, eu fico.
-Qualquer coisa você pede para me ligar.- ele pegou o casaco.
-Não se preocupe.- sorri sentando ao lado de Amelia.
-Miguel está aonde?- perguntou avoado.
-Ele falou que ia cuidar de algo com Willie e de noite estaria por aqui.- expliquei.
-E você vai ficar até quando?- ele parecia ter um compromisso.
-Posso ficar com ela hoje.- o tranquilizei.
-Obrigada, Lori.- ele sorriu cansado e saiu.
Me arrumei já cadeira e comecei a pentear os cabelos de Amelia, estavam úmidos, talvez tivesse tomado banho.
Murmurei uma música que minha mãe sempre cantava para mim quando eu era pequena e estava com medo, talvez ela estivesse com medo.
Será que ela estava ouvindo? Ou sentindo algo? Por que ela parecia tão tranquila, era como se estivesse dormindo...sonhando...
Será que Amelia estava sonhando e em seu sonho ela achava que estava acordada? Ninguém podia saber.
Assim que terminei de pentear eu fiz uma trança ao lado do ombro e amarrei a ponta, logo depois me encostei na cadeira e a observei.
-Amelia...- murmurei.- Você tem que acordar.- balancei a cabeça.- Tem algo muito errado.- mordi o lábio.- Acho que...
Engoli em seco quando a porta abriu e Hunt chegou, observei ele sentar no sofá e ligar a TV, sempre alguém por perto de Aaron entrava no quarto depois dele sair.
Hunt parecia querer olhar para Amelia mas se conter para que não o fizesse, talvez ele quisesse demonstrar que não se importava.
Mas até quem não conhecia Amelia estava triste por isso, ela perdeu os pais e ainda estava em coma, não tinha como não ficar ressentido.
Até Mia, que Amelia me falou não gostar e o sentimento era mútuo entre elas...até Mia veio ver ela.
Acaticei seu ante braço enquanto olhava para a TV e via um dos filmes daquele canal, era um filme bom, não lembrava agora o nome.
Talvez Amelia gostasse do filme, talvez ela nem tivesse ouvindo, talvez....eram muitos talvez, ninguém podia ter certeza de nada.
Tinham passado seis dias, Amelia não tinha acordado, e os médicos não demonstravam que ela iria acordar tão cedo.
Sabia que ela estava fazendo a rotina de outras pessoas em coma, como exercitar os músculos, receber tratamento especial...
Será que se Amelia acordasse ela iria se recuperar um dia? Não do trauma físico, mas sim do pscológico.
✴️
Aaron Woodward
Sai do elevador e fui em direção ao carro no estacionamento, cocei a barba por fazer e peguei as chaves.
Abri a porta e as chaves caíram, me agachei segurando a porta, a chave caiu de novo e gritei batendo a porta do carro.
O som foi horrível e na mesma hora me irritou, gritei chutando o carro várias vezes, estava cheio daquele hospital, estava cheio de médicos.
-Aaron!- uma voz feminina.- Pare com isso!- duas mãos nos meus ombros.
Torci para que fosse Amelia acordada, mas quando virei vi Carol, seu rosto estava assustado, seus cabelos loiros presos em um coque e os olhos castanhos arregalados.
Ela subiu as mãos até meu rosto e o segurou passando o dedão pela minha bochecha, não quis gostar do toque...mas foi bom.
-Você não está bem para ir para casa sozinho.- ela pegou as chaves no chão.
-Eu posso...
-Entre no carro.- ela abriu a porta do motorista.- Eu levo você.
-Não, Carol...
-O que?- ela me encarou.- Não vai me ajudar você?- ela tentou sorrir.
-Ok.- assenti indo até o banco do carona.
Respirei fundo quando estávamos no carro e ela levou a chave até a ignição, observei ela morder o lábio enquanto saía da vaga.
Virei meu rosto até a janela e percebi que Amelia só tinha parado no hospital por minha causa, por causa daquele acordo idiota...
Talvez tivesse sido melhor liberar ela....não...talvez tivesse sido melhor rodear ela de guardas, não deixar ela sozinha...nunca.
Fechei os olhos e cobri meu rosto enquanto percebia que tudo era culpa minha, ela estava lá por mim, não tinha outra desculpa.
-O que foi?- ela perguntou.
-É tudo culpa minha...
-Foi você quem pediu para o pai dela fazer isso?- Carol perguntou.
-Não...
-Então não se culpe.- ela tirou uma mão do volante e colocando no meu joelho.- Ela está viva ainda.
-Mas não está acordada.- observei aquela mão no meu joelho.
-Mas está viva.- Carol falou simples.- Já é algo, não há culpa.
-Não penso dessa forma.- olhei para ela, Carol comprimiu os lábios.- Obrigado por me levar.
-Não tem problema.- ela voltou com as mãos para o volante.- Estou com você, para o que precisar.
A observei apoiando meu rosto no punho fechado, apenas pensando no que ela tinha dito: Estou com você, para o que precisar.
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Prometida A Um Mafioso - Livro 1
RomanceAmelia Ballard está próxima do seu aniversário de vinte anos e foi prometida a um mafioso aos quatro anos. O aniversário de vinte anos de Amelia é comemorado, mas também é temido por ela depois de seu pai a prometer a um mafioso para pagar uma dívid...
