XXIII

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Juliana


Quando abri os olhos, com dificuldade pelo tanto que chorei e bebi ontem, eu apenas torcia pra ter sonhado e que aquilo tudo não tivesse sido verdade. Não era possível que eu tenha mesmo enchido a cara o suficiente pra precisar ser salva por Samuel antes que acabasse tendo problemas ou passado vergonha. Mas, infelizmente (ou felizmente), é a verdade e não apenas um sonho muito realista.

E a prova de que não foi um sonho, é a maldita dor de cabeça de ressaca que está me atormentando.

Virei pro lado e Venom soltou um miado para sinalizar que estava ali, deitado quase embaixo de mim. Puxei a coberta até que eu estivesse totalmente escondida e voltei a fechar os olhos, mesmo sabendo que não conseguiria dormir novamente, minha cabeça me mataria (de dor e de vergonha) antes que eu pudesse apagar de novo.

Passei um bom tempo assim, deitada e tentando não sentir a maldita dor de cabeça, o gosto de sola de sapato na boca, a garganta seca e o estômago que ardia tanto que quase me dava vontade de chorar, até que resolvi levantar da cama, derrotada, com o ego ferido, o coração partido e aquela maldita ressaca. Segui basicamente me arrastando até o banheiro e nem me dei ao trabalho de olhar minha cara no espelho, provavelmente eu estou péssima, não tirei a maquiagem e deve estar um horror.

Depois de muito tempo, mais do que qualquer ambientalista consideraria adequado, eu sai enrolada na toalha e vesti uma roupa confortável, o relógio marcava oito e quarenta e três da manhã. Cedo demais. Voltei ao banheiro para buscar aspirina, tomei dois comprimidos com bastante água e fui para a cozinha, preciso comer alguma coisa, mesmo sabendo que meu estômago não está, exatamente, queimado de fome. Meu cronograma do dia se resume a ficar de ressaca e uma roupa confortável é o traje para cumpri-lo.

Na cozinha, Samuel estava sentado à mesa, tinha um jornal em mãos e não me olhou quando entrei no cômodo, continuou tomando seu café e lendo o que quer que fosse que estivesse lendo, Thor estava deitado aos seus pés, recebendo um carinho feito com o pé esquerdo de Samuel que passava gentilmente sobre os pelos do cachorro.


- Por que eu voltei pra casa? – perguntei, querendo ver se ele contaria a verdade ou fingiria de desentendido.

- E eu, por acaso, sou sua secretária pra saber o motivo pelos quais você faz as coisas ou deixa de fazer? – perguntou desaforado, erguendo o olhar do jornal e me olhou com o desprezo de sempre.

Ótimo, vai se fingir de desentendido, o que é ótimo para a dignidade dos dois, ainda que ambos saibamos que as coisas não foram bem assim.

- Foi apenas uma pergunta, mal educado. – respondi, abrindo a geladeira para procurar algo que eu pudesse comer e que não fosse basicamente me matar de azia.

Ovos e bacon.

Já li algo sobre isso em algum lugar, que a gordura e a proteína ajudam nesse processo de melhorar da ressaca. Na verdade, eu não li, foi Liam quem me falou isso depois do aniversário de Harry, porque estávamos destruídos de ressaca de tequila e mal conseguindo existir. Reprimi o suspiro sentido e peguei dois ovos, a vasilha em que o bacon estava guardado e coloquei sobre o balcão.

- Você se importa com o cheiro de coisas de origem animal sendo feitas? – perguntei e Samuel bufou, mas não parecia realmente irritado, virando-se em minha direção.

- Você pode fazer uma refeição rica em gordura e proteína sem precisar ser animal.

- Samuel, minha cabeça está doendo demais, então fale quais são as opções e eu vou fazer.

- Esquenta o que fiz ontem pro jantar. – deu de ombros ao falar. – Tem carboidrato, gordura e proteína. Faz um suco de laranja e pronto.

- Obrigada. – resmunguei, voltando a colocar os ovos e o bacon na geladeira e procurando pelo jantar. – E o que foi o jantar?

Make You MineOnde histórias criam vida. Descubra agora