XXXVII

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Samuel


A semana foi de uma paz absolutamente perturbadora.

Juliana saiu cedo todos os dias, na maioria deles antes de eu acordar, passava o dia todo fora, mas deixava o café da manhã pronto e quando não vinha para o almoço, mandava entregar comida. Eu a via a noite, quando ela conferia se o machucado estava cicatrizando bem e fazia curativo. Às vezes ela vinha aqui só pra isso e sumia de novo.

Basicamente tudo que eu pedi aos céus.

Tentei descobrir o que diabos ela estava fazendo, mas ainda não tive notícias, só sei que ela está com o tal Albert, o neto da senhora Dawson, pra todo canto dessa cidade. E que fique claro que eu só tentei descobrir o que ela anda fazendo, afinal, ela está aqui sob minha responsabilidade e se alguma coisa acontecer com aquela idiota, eu levo a culpa.

Antes que eu pudesse levantar da cama e procurar algo pra comer, meu celular tocou e uma foto da minha mãe apareceu na tela. Sorridente. Eu estou sentindo falta dela.


- Você ainda não saiu da cama, Samuel? – foi a primeira coisa que ela falou quando me viu.

- Bom dia, mãe, eu estou bem, obrigado, e a senhora? – impliquei e ela rolou os olhos, mas sorriu.

- Tudo bem, meu amor. Como estão as coisas aí?

- Bem tranquilas, faz sol e suas plantas estão ótimas, Juliana está cuidando delas.

- Eu sei, ela me contou.

- Desde quando você fala com Juliana, mãe?

- Desde que ela está sendo sua babá, começando em Los Angeles. – implicou, dando uma gargalhada da cara que eu fiz.

- Quando a senhora volta?

- Acho que só no meio de abril. Por quê?

- Queria te ver.

- Tire férias e venha pra cá.

- Preciso voltar pra Los Angeles primeiro e ver como vai ser, mãe, era pra eu ter férias agora, mas esse tornado atrapalhou minha vida.

- E sua mão, melhorou?

- Está melhor, o corte está fechado e só tá um pouco sensível, mas tá tudo bem agora. E a senhora? Como estão as coisas aí?

- Aqui está tudo bem, tia Beth está bem melhor, fizemos um almoço no fim de semana passado e reunimos quase toda a família, você ia gostar.

- Aposto que sim.

- Você sabe que dia é hoje, não sabe?

- Sei sim.

- E está tudo bem?

- É estranho, mesmo depois desse tempo, mas eu estou bem. – respondi sincero e minha mãe me olhou por vários segundos, tinha os olhos bem fixos na minha imagem na tela e parecia tentar ver se eu estava mentindo.

- Você vai lá?

- Não, mas não quero falar disso.

- Espero que a casa esteja limpa e em ordem.

- Está. E deixaremos tudo organizado antes de irmos pra Los Angeles.

- Assim espero.

- Mãe, eu estou sentindo sua falta. De verdade.

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