-Capítulo 04-

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"Acho que isso é um sim." Falo e volto a segurar ele. Coloco seu braço em meu ombro e começamos a andar. "O que é isso que você está usando? Calça não são só para homens?" Ele pergunta tentando me ofender. Dou risada, não a minha verdadeira, mas tento fazer oque Margaret diz.

"Quer mesmo falar sobre as minhas roupas soldado?" Pergunto provocando sua paciência. Ele apenas bufa e fica calado. "Por que você me ajudou? Eu não estava entre as macas." Ele fala confuso. Olho para os homens deixados na areia por alguns segundos. "Eu estava sozinha e parece que apenas eu acho a hierarquia patética, acho que não iria conseguir ajudar todos. Você parece ser novo, apenas ajudei sem pensar." Falo. Espero que o remédio esteja fazendo efeito.

"Eu realmente não queria ajuda." Ele fala com o olhar no chão. Olho para o seu rosto e seus olhos se encontram com os meus. "Mas você precisava." Falo e logo em seguida olho para o chão desviando do seu olhar verde.

Vejo Melissa á alguns metros de nós. Infelizmente seu olhar caiu sobre mim e logo para o homem ao meu lado. Ela o observa e sorri para ele com aquele jeito nojento dela enquanto se aproxima. "Olá soldado. Precisa de ajuda?" Ela pergunta o olhando de cima a baixo com um sorriso malicioso.

"Não." Ele fala com a grosseria que já tive a ilustre oportunidade de conhecer. Seguro minha vontade de rir quando vejo seu sorriso presunçoso cair. Os olhos dela vem para o meu rosto. "Você está horrível! Suas roupas não estão de acordo com o seu trabalho!" Ela fala e eu apenas ignoro. Ela volta a andar conversando com alguns soldados.

Andamos alguns metros, quase a praia inteira. Já estamos bem perto do deck e eu agradeço por isso. Acho que já estamos a dez minutos andando e logo estamos próximos da fila de soldados na ponte.

Por um instante, o soldado se solta de mim e se apoia em um jeep que estava encostado próximo de nós. Respiro fundo e faço o mesmo. "Isso vai doer por muito tempo?" Ele pergunta suspirando. Deixo minhas bolsas no chão e olho pra ele.

"Até cicatrizar vai sim." Sou sincera. "Mas se cuidar direito vai acelerar a cicatrização." Falo. "Por que não queria ser salvo?" Não sei porquê, mas pergunto. Ele me olha estreitando os olhos. "Não é da sua conta!" Ele fala com a grosseria normal na voz. Dou uma risada de escárnio.

"Para de rir por favor! Sua risada me irrita!" Ele fala fechando os olhos. Fico quieta. Esse cara é bem estranho. Respiro fundo e pego minhas coisas. Olho pra ele e fico esperando ele colocar o braço em meus ombros. Obviamente ele não o faz. Reviro os olhos, seguro em sua cintura e coloco seu braço em meus ombros novamente.

Andamos mais um pouco e por fim chegamos no deck lotado. Isso tá parecendo um formigueiro com tantos homens juntos.

Enquanto nos esprememos no meio dos soldados, alguns comentários são ouvidos. "Depois me empresta Styles!" Alguém fala para o homem ao meu lado. O tal Styles ignora e eu obviamente faço o mesmo.

"Você vai se dar bem aqui." Ele fala perto do meu rosto por estar apoiado em mim. Olho para ele sem entender me incomodando com a proximidade de nossos corpos. "Como assim?" Pergunto. Ele sorri de uma forma maliciosa. "Faz tempo que esses homens não ficam perto de alguma garota. Logo você vai ajudar mais do que só na enfermaria." Ele fala. Talvez ele ainda esteja delirando. Pelo menos espero. Apenas ignoro.

Ignoro tudo isso, já que cada atitude nojenta como essa, estão presentes no meu dia a dia.

Um som alto de uma sirene soa por toda praia. Todos os soldados começam a olhar para o céu e eu faço o mesmo. Vejo dois aviões se aproximando da ilha. Em questão de segundos, os mesmos jogam bombas na praia. Meu sangue e meu corpo gelam no mesmo instante.

Fico totalmente paralisada diante disso.

Sinto meu corpo ser puxado para baixo. Percebo que todos estão agachados. Der repente escuto um barulho estrondoso e ensurdecedor. Fecho os meus olhos com força sentindo um zumbido alto em meus ouvidos. O chacoalhar do deck me faz tremer de medo. Meus olhos lacrimejam no mesmo instante e tudo parece ficar mudo.

Coloco as mãos nos ouvidos tentando parar com o chiado. Outro barulho é ouvido, mas dessa vez mais baixo, ou talvez eu que esteja com audição alterada. Continuo com os olhos fechados. Uma dor de cabeça forte me atinge me deixando tonta. Não acredito que isso está acontecendo.

Depois de alguns segundos que pareceram horas, sinto movimetação ao meu lado e abro os olhos. Agora os homens estão se levantando. Respiro fundo ignorando o meu incômodo e me levanto. Olho para a praia, muita fumaça e explosões se encontram em algumas partes da areia. "Você vai acabar se acostumando." Styles fala ao meu lado.

Tento controlar minha respiração descompensada e meu coração acelerado. Fico quieta sem saber oque falar em choque. Continuo seguindo os homens que carregam as macas para o navio. Sinto meus músculos tremendo. E então a sensação daquele dia, volta para o meu corpo, como se eu estivesse revivendo aquele momento.

Ouvidos zumbindo, músculos trêmulos e lágrimas nos olhos.

Eu estava deitada em minha cama no orfanato quando ele apareceu. Eu não queria que ele me obrigasse a fazer aquilo de novo. Ele tampou a minha boca. Eu não consegui me defender. Eu queria gritar, mas ele estava com sua mão em meus lábios. Eu tremia, meus ouvidos ficaram com um barulho estranho e eu chorava, chorava muito.

DUNKIRKOnde histórias criam vida. Descubra agora