Caminhando durante longos minutos enquanto refletia sobre o ocorrido no Submundo, questionava-se do motivo das vozes a atormentarem ao ponto de matar criaturas inocentes. Afinal, tudo isso começou desde sua "visita" a Hecate, por que a mesma não poderia ajuda-la ao invés de mandar-lhe charadas para seu jogo insano e cruel? Muitas perguntas e sem nenhuma resposta convicta.
— Ora ora, se não é a destruição em pessoa.... -sussurra uma voz desconhecida.
Seria mais uma das vozes a atormenta-la? E se estivesse ficando louca? E se matasse mais um inocente por seus delírios?!
— Todos carregamos uma dose de insanidade, querida. -afirma em tom de sarcasmo.
— Quem está a falar? -observava ao redor de si buscando a origem do dono das falas estranhas.
Silêncio.
Com somente o som do vento a bater nas folhas, uma jovem garota cai a sua frente assustando-a por aparecer intacta após despencar de uma altura considerável, conseguir dar uma pirueta e ainda pousar em pé. Já ouvira falar destes seres, no mundo mortal eram os bobos-da-corte, no dos imortais, entidades sem alma.
Seus cabelos alaranjados junto de sua pele alva a deixavam com uma aparência doce. Entretanto a tintura avermelhada em forma de risco que cobria a parte frontal de sua testa até o início das bochechas junto das longas garras rubras e roupas totalmente misturadas em vários tons, demonstravam que não era uma criatura com as outras. Seus olhos rosa o diziam claramente.
— Já fomos apresentadas mas não formalmente. Sou Lyssa a deusa da ira e personificação da loucura produzida pela raiva. -curva-se em total divertimento.
— Eu não...
— Eu sei disso, por esta razão lhe expliquei minha divergência com minha adorada irmã. Mas o interesse aqui é outra coisa, não é mesmo? Conte-me o que desejas ao buscar-me. -senta-se em uma raiz de árvore enquanto a encara com um largo sorriso.
— Se estava em teus sonhos, como não sabes o que busco? -questiona suspeitando das atitudes do ser a frente.
— Não sou a deusa da magia ou uma das velhas moiras para saber e conhecer tudo e todos, deusa. -lhe responde com certa moléstia.
— Há uma verdade que preciso descobrir. Vozes me dizem nomes estranhos, me induzem a conversas desconexas e sentimentos inexploráveis.... quero chegar ao fim deste mistério. -desabafa.
— E o que se supõe que descobriste? -diz entediada.
— Meu real nome não é "Cora" mas sim "Perséfone". Aparentemente houve um enfrentamento entre minha mãe e uma mortal, pude ouvir o sussurro amoroso de meu pai, meu padrinho me enfeitiçou a pedido de meu marido, o mesmo que destruiu o papel que continha minha biografia. -dizia tudo com tanta pressa que somente voltou a respirar ao fim de sua fala.
— Sabendo disto, o que de fato busca encontrar? -vendo que nada do que lhe foi falado era importante, foi direta em suas perguntas.
— Respostas. Quem me mente e quem diz-me a mais pura verdade. Quem me é leal e quem se apodera de minha generosidade...
— Sinto em lhe dizer mas só poderei responder um de seus vastos questionamentos melancólicos, então sugiro que pense bem e escolha com sabedoria vossa pergunta. -se afasta e começa a caminhar tendo a deusa em seu encalço.
— Por que sempre dizem isso e não dizem tudo o que sabem ao invés de fazer-me dar voltas e voltas? -pergunta cansada de tantos rodeios.
— E qual graça teria de lhe adiantar o fim de sua jornada? A vida é um jogo e sua imortalidade é vossa consequência, arque com ela enquanto ainda a possuis. Sem mais rodeios, qual é a vossa pergunta, majestade? -questiona novamente em tom de ironia.
Com a mente em branco tentava raciocinar algo mas nunca vinha uma pergunta mas sim milhares. Queria ter mais tempo para pensar porém Hades poderia chegar a qualquer momento devia de ser rápida.
De olhos fechados buscou ouvir sua voz interior ignorando as restantes em sua mente, somente a voz de coração. Mesmo sabendo que haviam várias questões a serem resolvidas e talvez até mais sérias, não pode fugir da sua própria voz.
— Quem é meu pai? -pergunta dolorida enquanto observa a criatura a sua frente sorrir com a pergunta escolhida.
Estou um pouco ocupada essa semana por este motivo tivemos um atraso na atualização. Relevem os erros ortográficos, não esqueçam de dar estrelinha e comentar o que estão achando até aqui. Nos vemos no próximo capítulo, beijos e borboletas🦋💙
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Persephone
FantasyFilha da dor e do desejo, dona do olhar das matas, cabelos em tons de fogo, pele como nuvens e lábios de rosa vermelha. Uma criança que se vê cortejada pelo destino e beijada pela casualidade: Se entregar a morte para obter vida. Até a flor mais bel...
