Lágrimas da Morte

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Afrodite vira tudo e sabia desde muito antes, que o coração da jovem flor, pertencia a outro mas tivera que ocultar isso, afinal, este outro não estava em seu destino.

Vira como Hades a olhava incrédulo depois de confessar não ama-lo. O clima estava denso e deveria intervir antes que algo ocorresse.

— Como não me amas?! Esqueceu-se de nosso beijo, de nossos passeios...isso não significou nada para ti? -diz Hades magoado.

— Eu lhe amo como meu Tio querido, eu agradeço por tudo e me faltam palavras para dizer-te o quanto és importante para mim, mas não sei se sou capaz de ama-lo como meu marido. -diz Cora tentando acalma-lo.

— O que?!

— Hades se acalme! Não vê que está assustando-na?! -diz Afrodite, que logo se vira para Cora. -Pétala de Jasmin, lembra que lhe disse que tens um destino a seguir? Ele é o destino.

— Como? -solta sem palavras.

— Estão noivos desde que nasceste. Hoje será revelado oficialmente diante dos deuses. Se casará em sua próxima primavera. Espero que lembre da lição 13. -sussurra a última parte, perto de seu ouvido.

— Nunca desobedecer sempre reaprender. -diz em um sussurro.

— E quanto a vosmecê, pare de se exaltar com ela. Parece até um dos tantos jovens que vemos por essas eras, essa atitude não se adequa a idade infinita que possuis.

— Eu não quero a imortalidade! -diz nervosa.

— Cora... -diz Afrodite.

— Dindo, me conheces, conheces meu coração, sabes de mim. Não posso casar-me...

— Você pode. -diz Hades com frieza. -Espero ver-te no salão dentro de poucos minutos. Não me decepcione mais Cora. -se retira com certa moléstia.

— Dindo... -abraça o deus do amor.

— Não chore por aquele que não merece suas lágrimas. Seu sofrimento terá fim, Hades será um bom esposo, ao contrário daquele deus que não foi capaz de enfrentar a morte e ainda assim, deitou-se com Psique, em plena núpcias com Apollo. -diz confortando-a em um abraço.

— Não estou pronta.

— Estará. Vamos, estou com vosmecê. -sorri amável.

Retornando ao salão, muitos continuavam a beber, outros dançavam com seus pares e até conversavam e sorriam, coisa que era rara no Olimpo.

Zeus que conversava com Poseidon, avistou a entrada de Cora e Afrodite, mas decidiu esperar pela vinda de seu irmão, para enfim anunciar o casório.

— Querida, vistes meu irmão? -pergunta Zeus a Hera.

— Não meu Senhor. -responde Hera.

— E tu minha amada rainha? -pergunta novamente.

— Não o vi, nem o senti mas sei onde estas. -diz Métis.

— Sugiro, Senhor do Olimpo, que inicie seu discurso, sinto que chegará em breve. -diz Anfitrite.

— Minha noiva está certa, logo ele virá.

— Concordo com todos mas ainda quero entender o que queres dizer com vossa fala, amada esposa. -diz o deus do trovão.

— Simplesmente que só retornará por esse motivo. E eu tenho muito dó de Cora. No fundo, por mais que seja um destino, nem sempre acaba bem. Teya é um excelente exemplo.

— Chega desse assunto. Sabes que isso me incomoda. Não tenho culpa que a mesma morreu em meu leito, e mesmo que não fosse o meu, exijo seu respeito como meu marido e seu rei! -diz Zeus exaltado.

— Me desculpe, Rei do Olimpo.

O tema de Teya e Zeus, machuca muito Métis, afinal, quem não se machucaria com a morte da própria filha no leito do próprio pai, que lhe tomou como sua?

Teya era uma linda deusa que tinha como irmã, Tena. A jovem nasceu mortal e por isso deveria ser tomada por algum ser dividido. Aos 15 anos, ela se entregou para o pai, que por seu desejo em forma de brutalidade,matou a pobre no leito, antes da mesma adquirir a divindade e com isso, a imortalidade.

Depois da morte da filha, a primogênita Tena, foi mandada para o mundo mortal, onde teve memórias perdidas e viveu como o que era, uma humana, tendo marido, Willians Stefan, e até 3 filhos, Lucina, Frederic e Kaira.

Depois de milênios que Métis engravidou novamente e por fim teve Afrodite e Athena, ao que horas depois no mesmo dia, Hera da a luz a Ares e Hefesto.

Métis nunca voltou a gerar herdeiros mas sabia que havia ganhado uma linda flor, sua neta, que agora estaria com ela.

Depois dessa pequena discussão, Zeus decide começar a expor o real motivo de tal celebração. Era um meio de não pelear com a única mulher amou e de verdade desejou, de corpo, alma e coração.

— Meus caros convidados, tenho uma grande notícia para vossa alegria! Meus dois irmãos Poseidon e Hades, irão se casar! Dentro de uma primavera, Hades se casará com a filha de Deméter, Cora a princesa das flores. E dentro de poucas eras teremos também a união de Poseidon e Anfitrite, a princesa nereida dos oceanos.

Muitos ficaram surpresos, não por Poseidon e a nereida por ele escolhida, mas Cora e Hades? Eram tão opostos que nem Apollo, o deus do sol, e sua irmã gêmea Ártemis, deusa da lua, eram tão diversos.

E nesse momento surge Hades, imponente como sempre, vestido de suas roupas negras. Ele olhava todos mas seu olhar se prendeu a jovem flor que estava de pé ao lado do trono do deus do amor.

— Não participarei de um casamento onde a noiva é arrastada até o altar.

— Faço questão que leve-a ao altar. Não aceito negações afinal, me deve sua imortalidade AMIGO. -diz Hades com um sorriso de escárnio.

Cora os observava assustada, já Afrodite, só vira a situação em silêncio, até uma voz invadir vossa cabeça.

"— Preste atenção, mande um de seus cupidos acertar Cora com a flecha do amor, no dia de meu casamento."

"— Está disposto a tê-la mesmo que seja na ilusão de um amor verdadeiro?"

"— Estou disposto a tudo para tê-la, para ter seu amor, seu corpo, sua ALMA."

"— Que assim seja, imperador das sombras."

Persephone Onde histórias criam vida. Descubra agora