A Promessa

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Ú𝐥𝐭𝐢𝐦𝐨 𝐂𝐚𝐩í𝐭𝐮𝐥𝐨.

Quando a bela arma prateada manchava-se de escarlate, em todos os polos do infindável universo pôde-se escutar um sôfrego grito. Tanto os vivos como os mortos entraram em lamúria pela deusa desfalecida.

Deméter, Afrodite, Thanatos, Métis, Calypso, Poseidon, Lathifa... Hades.

A visão da jovem perdendo sua vitalidade era o pior pesadelo de Hades, este que agora estava no quarto da mesma junto de Deméter e Poseidon. Nunca odiou tanto ser a morte em personificação divina, sentia-se impotente e por mais que desejasse tê-la consigo, sabia que esta não seria feliz. Deixar partir era o melhor mas não era isso que seu coração lhe dizia.

Afrodite tentava salva-la mas fôra impedido por sua afilhada quem sorriu acariciando sua testa como se tentasse acalma-lo. Durante eras ninguém nunca viu o deus festeiro com tamanha tristeza, nem mesmo quando fôra rejeitado pelo amor de sua vida. No final das contas, ele tinha Perséfone como uma filha querida que sempre estaria disposto a ajudar, e se pudesse voltar no tempo, a tiraria do submundo mesmo que isso interferisse nos planos de Hades mesmo sabendo que estes estavam protegendo sua pequena.

— Estou em paz... -sussurra com um sorriso.

— Não faça isso comigo, filha -implora Poseidon quem tinha longas lágrimas caindo de seu rosto.

— Vou ficar bem, 𝘗𝘢𝘪. -o reconhece pela primeira vez como seu pai, fazendo o coração do rei dos mares errar uma batida.

O ar fúnebre reinava no mundo, a mais doce das criaturas estava morrendo. Morrendo por todas as mentiras ditas, morrendo por toda culpa posta... morrendo da tristeza sentida.

— Filha... por favor, não pode me deixar... -suspira em prantos a deusa da colheita.

Perséfone a olhava buscando algum resquício da mulher que acreditou ser sua mãe mas infelizmente não o viu, e por mais que não gostasse de guardar rancor, não podia perdoar-la no momento e no fundo Deméter a compreendia.

— 𝑯𝒂𝒅𝒆𝒔...

Quando o nome do Senhor da Morte foi pronunciado fracamente pelos lábios esbranquiçados da mulher à sua frente, seus olhares se cruzaram pela primeira vez no local. Seria estranho dizer que uma onda magnética não os atraia, assim como seria inevitável negar que o melhor no momento era que ambos ficassem separados.

Ela sorri e o chama para aproximar-se o que faz todos se surpreenderem inclusive o próprio Hades, que apesar do espanto se aproxima da esposa desfalecida. Ele a tinha como um cristal frágil e divino que com somente um toque inoportuno se romperia, e agora pôde ver que seu próprio amor a quebrou assim como o fazia consigo agora.

— Quero que prometa cuidar das crianças... faça o que eu não fui capaz de fazer. -segura em suas mãos.

— Por favor não vá.... fique comigo e com nossos filhos.. -suplica em tom rouco e baixo.

—  Sabes que não posso, não é o melhor para mim... deixe-me partir em paz, 𝒎𝒆𝒖 𝒂𝒎𝒐𝒓. -explica passando uma das mãos sobre sua bochecha enquanto tirava alguns fios rebeldes de seu rosto pálido.

Quando seus olhos se fechariam e seu coração daria o último bombear, de seus últimos suspiros a mesma confessa o que tanto pesava em seu peito.

Sabia que era o fim e queria que fosse de forma limpa, que pudesse estar em paz para partir.

— 𝑬𝒖 𝒕𝒆 𝒂𝒎𝒐 𝑯𝒂𝒅𝒆𝒔. -sorri fraco olhando em seus olhos.

O coração da morte parou no momento em que ouviu tal coisa. Estaria ela louca ou com o efeito de alguma substância? Ou talvez... ela o amasse de verdade?

Persephone Histórias para pegar e não largar. Descubra agora