O tempo era frio e com uma aparência fúnebre. Ninguém sabia dizer onde a deusa da destruição estava, nem mesmo Zeus. Hades, contudo, sabia bem e não era necessário o fruto profano para tal conhecimento.
No palácio de Poseidon, Deméter o enfrentava acusando-o de inseminar ódio em sua filha com injúrias, mas apesar de estar sendo rudemente acusado o mesmo apenas pôs-se a ouvir a difamação de sua irmã mais nova.
— Agora minha menininha pensa que sou um monstro! -fala enquanto anda de um lado ao outro em busca de acalmar-se.
— E és. Lástima que também faço parte de tal categoria. -dita enquanto permanece sentado em seu trono ouvindo os gritos de sua irmã.
— Se pudesse teria tido outros e a esquecido! -silaba com rancor.
— Posso tê-los mas optei por não. Perséfone, minha filha e única herdeira, retirou vossa maldição. Entretanto, eu e minha adorada esposa decidimos não ter descendentes. -explica calmamente.
— Ela não o deseja como Pai. -afirma.
— E te abomina como Mãe. -confessa.
— ISSO POR TUA CULPA!!! Tua e do desgraçado do Hades, quem não conseguiu prende-la no Submundo! -se enfurece.
— Nosso irmão sabe de muitas coisas e uma delas é que não pode parar Perséfone. Até lhe explicaria detalhadamente mas tua presença me enoja a tal ponto que peço que se retire. -diz exausto de tamanho tumulto.
— Estás a expulsar tua própria irmã?! É isso mesmo, Poseidon?? -indignada olha com raiva para o mais velho.
— Como és sínica... Destruiu minha vida, condenou uma inocente, raptou MINHA ÚNICA FILHA, me afasta dela, lança-me maldições e tranca num canteiro de rosas e eu que sou o tirano?? Poupe-me de teus lamúrios, Deméter, e por favor saia daqui antes que mandem tira-la a força. -finaliza com desgosto.
Com o orgulho ferido Deméter se retirou do castelo indo ao Monte Olimpo em busca do apoio do Conselho para encontrar e contornar a situação com a filha desaparecida.
Zeus que antes apreciava um belo vinho Tito, agora estava a observar vossa irmã com uma feição e irradiça.
— Deméter, cara irmã mais jovem, espero que o motivo de sua interrupção seja plausível o suficiente para não exila-la imediatamente. -sorri forçado.
— Quero uma reunião com o conselho! -diz irritada.
— Por qual razão? -questiona.
— Poseidon pôs insanidades na mente de minha filha fazendo-a desaparecer! -reclama com o irmão.
— Hades sabe onde está. -confirma sem se importar com o assunto em questão.
— Mas eu não! -grita.
— Pergunte-o. -sugere simplista.
— Assim como eu, sabes que não me dirá. -afirma com cansaço.
— Exatamente. -diz Hades em tom de divertimento com um olhar sádico tendo um meio-sorriso nos lábios finos.
Hades que até então aparentemente nulo estava, chegou no escritório de seu irmão com belo sorriso no rosto. Como Se descobrisse um segredo mirabolante.
O homem de longos fios negros trajava roupas igualmente pretas com acessórios em prata e ferro. Parecia que estava indo à luta por mais que seu semblante fosse calmo.
Deméter queria perguntar-lhe sobre sua menininha mas sabia que seria em vão afinal, perdeu todo o direito desde a morte de sua mãe biológica, o rapto em seu nascimento e principalmente quando soube de tudo que seu irmão fez com a pequena e mesmo assim calou-se, enquanto Perséfone que quando soube do "estupro de sua mãe" quis tirar satisfações com o acusado mas fôra impedida pela mesma alegando que não queria mais escândalos. Deméter assim como Hades, não era digna de Perséfone e o pior é que ambos o sabiam.
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Persephone
FantasyFilha da dor e do desejo, dona do olhar das matas, cabelos em tons de fogo, pele como nuvens e lábios de rosa vermelha. Uma criança que se vê cortejada pelo destino e beijada pela casualidade: Se entregar a morte para obter vida. Até a flor mais bel...
