18. A viagem

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— Para começo de conversa, você sabe que horas são? — Kira disse depois que expliquei tudo.

— Sei, mas estava ansioso.

Estávamos reunidos nos sofás da biblioteca, que era iluminada pela luz que vinha da lua e passava através dos vitrais, um virado para a frente do outro com uma mesa no meio. Era bem frio pela noite, por isso Kira trouxe uma colcha consigo, enquanto eu me agasalhava com a animação. Anthone foi em busca de uma refeição noturna na cozinha logo depois que expliquei tudo, como se quisesse digerir o plano com comida. Os dois estavam com roupas confortáveis, sem os uniformes da guarda.

— Não acha que isso pode dar errado?

— Podemos ajudá-la a descobrir algo. Além disso, vamos aproveitar as festas. Você, Anthone e Luka podem se infiltrar no castelo e investigar e eu e Scarletty desviamos a atenção para nós. Nada vai dar errado!

— Pode não dar para você que é o sobrinho do rei, mas nós quatro somos seres normais e descartáveis para a rainha...

— Ei! Eu posso ser bem útil... — Anthone disse entrando e colocando a comida na pequena mesa — Mas também sinto que é uma péssima ideia.

— Vocês nunca confiam nos meus planos se eles não passarem pela aprovação do Luka ou da Scarletty... — me joguei para trás no sofá — Só que dessa vez não temos eles aqui. Se não querem aceitar meus planos como amigo, aceitem como príncipe.

Os dois ficaram em silêncio.

— Você é um príncipe para mim Max, mas isso não significa que vamos para a festa da rainha, encontrar Scarletty, fingir que estamos lá para que o povo pense positivamente sobre as relações entre os humanos e os mágicos e investigar o castelo disfarçadamente, mesmo com vários funcionários nos vigiando, é o melhor plano do mundo — Kira falou.

Fiquei pensando, mas queria a opinião de Anthone:

— O que me diz? — perguntei.

Ele pegou um biscoito que trouxe da cozinha, mordeu, mastigou, engoliu e disse:

— Então, eu não estou com vontade de morrer com dezenove anos, Scarletty deve estar louca sozinha naquele castelo e este lugar está muito chato de se trabalhar. A ideia é péssima, mas não temos outra saída.

— Meu Deus...Não acredito que você... — Kira tentou, mas foi interrompida.

— Kira, você pode até enfiar uma adaga na minha cabeça, mas Max precisa da Scarletty. Olha como os olhos dele até brilham — ele apontou para mim.

Fiquei meio sem graça. Realmente sentia saudades, mas ao ponto do meu olho brilhar... Isso soava estranho. Kira se jogou no sofá, pensou um pouco e disse:

— Eu vou ter que ficar usando vestidos e uniformes brancos mesmo?

Eu e Anthone gargalhamos. Quando se visitava o Castelo Mágico, todo ser humano ou meio-fada deveria usar branco como respeito pelas cores e natureza das fadas, assim como nos bailes do meu castelo que as fadas usavam capas para tampar suas asas.

— Eu já te vi com a roupa da guarda real branca em alguns eventos e posso dizer que você fica magnífica nessa cor — Anthone disse.

Olhei para os dois, que pareciam estar em outro mundo. Queria me intrometer ou acordá-los para a vida, mas achei melhor não.

— Está tarde, não? Vou dormir, arrumem suas malas para amanhã! — disse me levantando, bocejando e saindo.

— Amanhã? Mas ainda vai demorar o tal aniversário da... — Anthone disse indignado.

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