Capitulo 24 - Despedidas

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Hoje faz exatamente uma semana desde o desastre que foi aquele encontro com o Matt. Uma semana inteira sem responder a uma única mensagem dele. Se depender da minha vontade, nunca mais olho na cara daquele sujeito pelo resto da minha vida.

Fui ao restaurante disposta a confrontá-lo sobre aquela noite, no Belmonte. Eu precisava olhar nos olhos dele e entender por que a minha bebida estava espumando e por que me senti tão mal de repente. Mas o Matt não queria conversa séria. Quando toquei no assunto, ele começou a inventar desculpas esfarrapadas, me chamou de neurótica e simplesmente parou de ouvir.

Antes que eu pudesse reagir, ele se aproximou no sofá do restaurante e me forçou um beijo nojento. No mesmo segundo o pânico e a repulsa travaram meus músculos. Consegui empurrar o peito dele com toda a força que me restava, me desvencilhei daquele toque invasivo e levantei a passos rápidos direto para o banheiro do restaurante.

Apoiei as mãos no mármore da pia, com o corpo inteiro tremendo, o coração batendo na boca e as lágrimas escorrendo sem parar.

Eu nunca, em toda a minha vida, tinha passado por uma situação daquelas. Sentir aquela invasão, aquela tentativa brutal de controle vinda de alguém que eu considerava um amigo... era algo aterrorizante e terrivelmente difícil de processar.

Com os dedos trêmulos e a visão turva pelo choro, puxei o celular do bolso e liguei para o Agnaldo. No momento em que ele atendeu, eu desabei de vez. Chorei alto, soluçando, sem conseguir formular uma frase inteira.

— Agnaldo... por favor — pedi, tentando conter o sufoco na voz. — Me busca. Agora. Por favor.

Ele percebeu o desespero na minha voz e disse apenas que estaria na porta do restaurante em dez minutos. Respirei fundo para conter o tremor nas pernas e saí do banheiro apenas para pegar minha bolsa. Passei pelo Matt sem dizer uma única palavra, ignorando completamente as desculpas esfarrapadas e o tom cínico com que ele tentava se defender, virei as costas e saí pisando duro. No segundo em que entrei no carro do Agnaldo, me encolhi no banco de trás e chorei o caminho inteiro até em casa.

Cheguei engolindo o choro, com uma raiva e uma sensação de vulnerabilidade que me esmagavam por dentro. Me joguei na cama e desabei. No dia seguinte, acordei parecendo um verdadeiro zumbi: olheiras fundas idênticas às de um panda, o cabelo todo embaraçado e a cabeça doendo de tanto tentar digerir a sujeira daquela noite.

O Max foi quem me deu o maior apoio, pois tinha vergonha de contar isso para os meus pais.

E agora, aqui estou eu.

No meio do movimento barulhento do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, me despedindo de uma das únicas pessoa que não me enxerga como um troféu ou uma conquista para se exibir. — o que, no meu momento atual, virou um luxo raríssimo.

— Você não pode ficar mais um pouquinho? — pergunto, com os olhos já cheios de lágrimas.

— Ôh, Kath... — Max me puxa para um abraço apertado, daqueles que parecem segurar os nossos pedaços no lugar. — Eu já mudei minhas passagens e fiquei muito mais tempo do que o previsto aqui no Brasil...

Ele se afasta um pouco, passando a mão pelo cabelo e me olhando com um carinho genuíno.

— Mas eu juro que volto logo. Ou você pode ir me visitar em San Diego também! A Verônica vai adorar te ver de novo, ela vive dizendo que está morrendo de saudades.

Dou uma risada fraca, limpando o rosto, e concordo, lembrando do quanto também sinto falta da noiva dele.

"Última chamada para o voo com destino a San Diego." — A voz impessoal do alto-falante ecoa pelo saguão.

Dou um último abraço demorado no Max, sentindo o aperto da despedida. Ele foi o meu porto seguro no meio de tanto caos, e vê-lo passar pelo portão de embarque me deixa com a nítida sensação de que, a partir de agora, estou sozinha para lidar com os meus fantasmas.

De Volta ao Começo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora