Capitulo 6 - Te Vejo em Breve

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— Acho melhor entrarmos... — quebrei o silêncio, minha voz soou como um sussurro tímido.

— É! Claro... também acho.

Caminhamos em silêncio de volta à casa da minha tia Rachel. Steven seguia com a cabeça levemente baixa e as mãos enfiadas nos bolsos. Eu só queria cruzar aquela porta logo; precisava da distração da festa para me separar dele e tentar digerir tudo.

Quando paramos diante da imponente entrada, nenhum de nós fez menção de abrir a porta. Sentindo o peso do constrangimento, tomei a iniciativa, empurrei a maçaneta e entrei sem olhar para trás.

— Filha, querida! — Minha mãe surgiu do nada na minha direção. — Eu não te achava em nenhum canto dessa casa! — Ela abriu a boca para continuar o sermão, mas eu a cortei antes:

— Eu estava respirando um pouco de ar puro lá fora com o Steven... — Olhei por cima do ombro, tentando localizá-lo com os olhos, mas ele já tinha desaparecido no meio da sala.

— Ah, sim! — Ela deu um gole na sua taça e me puxou pelo pulso em direção ao centro do salão. — Hora de revelarmos o amigo secreto da família!

Mamãe praticamente saltitou até a lareira decorada.

— Quem começa? — Ela olhou ao redor, mas ninguém se ofereceu. — Ótimo! Então eu começo...

Enquanto ela pegava o primeiro presente e iniciava seu discurso cheio de piadas internas, vi Steven descendo os degraus da escada. Ele se sentou em uma das poltronas distantes, sem trocar um único olhar comigo, fingindo uma enorme concentração na brincadeira.

O restante da madrugada arrastou-se entre declarações engraçadas, abraços calorosos e pilhas de papéis de presente rasgados. Quando finalmente chegou a minha vez, a exaustão já pesava nos meus olhos. Eu mal conseguia me lembrar de quem tinha tirado no sorteio — na verdade, minha mãe havia comprado o presente, eu só havia carimbado o nome da "tia Lucy" no envelope.

Caminhei até o centro da sala de estar e respirei fundo, tentando parecer animada.

— Bom, eu tirei uma pessoa muito especial — imitei a frase clichê que todo mundo tinha usado. Os parentes riram, mas pelo canto do olho vi que Steven permanecia sério, me observando fixamente. — Não sou muito boa com as palavras, então só posso dizer que essa pessoa sempre foi incrível comigo e eu adoro essa pessoa. Tia Lucy!

Minha tia se levantou com um sorriso radiante e me envolveu em um abraço apertado.

— Feliz Ano-Novo, titia! — afastei-me o suficiente para pegar o pacote perto da lareira e entregá-lo a ela.

Eu nem fazia ideia do que havia ali dentro, pois minha mente insistia em desviar para o par de olhos azuis que me encarava do outro lado do cômodo. Mas, pelo sorriso da tia Lucy, o presente tinha sido um sucesso.

O relógio já marcava quase quatro da manhã. Ninguém pretendia descansar? Minhas pernas imploravam por trégua e eu só conseguia pensar na minha cama. Como eles conseguiam manter aquela energia depois de tanta bebida e dança?

Cutuquei minha mãe três vezes seguidas, mas ela sempre me afastava com as mesmas desculpas: "Daqui a pouco já vamos, querida", "Espere só mais um instante".

Exausta, desertei da festa. Fui para a sala de estar da frente, vazia e silenciosa, me joguei em um dos sofás e fiquei encarando o lustre de cristal brilhando no teto. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios quando vi uma silhueta alta se aproximar.

Steven.

— Está cansada? — ele perguntou, parando ao lado do sofá.

— Cansada é pouco. Estou destruída — reclamei, jogando a cabeça para trás.

De Volta ao Começo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora