Entramos na mansão do meu avô. Não mudou nada: tudo ajeitado e rústico como sempre. Está tocando música clássica. Cumprimento todos do andar de baixo — até o pai de Steven está aqui. O que não é nenhuma surpresa, já que ele é um amigo de longa data do meu pai e de toda a nossa família. Meu avô sempre fez jantares e bailes para parentes e pessoas bem próximas, então a presença dele faz todo sentido.
Com tanta gente circulando, sinto vontade de ir ao banheiro e decido subir as escadas para usar o do andar de cima, que costuma ser mais reservado. No entanto, quando estou passando pelo corredor, escuto uma voz familiar vinda do antigo escritório do vovô. Paro, curiosa, ao notar que a porta está ligeiramente entreaberta. É a Vanessa, conversando com alguém.
Calma... Vanessa? E com quem?
Abro só um pouquinho mais a porta, deixando apenas uma fresta para ver com quem e o que ela está falando.
— Eu a odeio! — Vanessa diz, batendo o pé no chão.
— Minha filha, ela é uma garota boa, super educada. Vocês podem ser boas amigas — uma mulher diz. Pelo jeito, é a mãe da Vanessa.
— Você sabe o que ela fez! — Vanessa bufa.
— Ela não fez nada, Vanessa! — a mãe a repreende. — Você deveria tomar mais cuidado com suas atitudes. Ela não tem culpa de você não ter esperado até encontrar o garoto certo!
— O Dylan é o garoto certo, mamãe! — Vanessa cruza os braços.
— Mais para a frente você saberá que não é... — A mãe de Vanessa coloca as mãos em seus ombros. — É só ter paciência.
As duas se abraçam e logo descem, desaparecendo de vista. Eu não sei o que achar dessa conversa. Tenho certeza absoluta de que ela estava falando de mim... de quem mais seria? Mas por que ela tem que me tratar bem? Isso está cada vez mais confuso.
Esqueço o banheiro por um instante, respiro fundo e desço as escadas. É aí que vejo Steven segurando uma taça de champanhe enquanto conversa com minha avó Ellen.
Eu absolutamente não vou conversar com o Steven hoje, não vou mesmo! Passei a maior vergonha quando me "declarei" — na verdade, só admiti que gostava dele, mas mesmo assim...
Termino de descer os degraus tentando passar despercebida, mas falho miseravelmente. Assim que coloco os pés no salão, vejo Steven se despedir educadamente da minha avó e caminhar a passos firmes diretamente na minha direção. Não deu nem tempo de fugir.
— Oi, Katherine — ele diz, parando bem na minha frente com aquele olhar intenso de sempre.
— Oi, Steven — cruzo os braços e olho para o chão.
— Tudo bem? — Ele abaixa um pouco a cabeça, tentando forçar meus olhos a encontrarem os dele. O tom de sua voz está mais grave do que o normal.
— Sim — respondo, sentindo minhas bochechas esquentarem. Eu só queria sumir dali.
— Quer uma bebida?
— Pode ser — finalmente o encaro.
Então, um garçom surge atrás de mim com uma bandeja de prata cheia de taças de champanhe. Steven pega uma e me dá. Beberico um pouquinho, tentando parecer indiferente, até que algo me paralisa: uma música que eu amo começa a tocar, And I Love You So, do Elvis Presley.
— Quer dançar? — Steven pergunta sem hesitar. Antes mesmo que eu pudesse inventar uma desculpa, outro garçom aparece e Steven entrega as nossas taças para ele. Seus olhos não saem dos meus por um segundo. — Vamos dançar.
Olho em volta e noto que os casais já estão se aproximando na pista. Sem que eu dê uma resposta verbal, ele dá um passo à frente, quebrando qualquer distância que restava entre nós. Eu aceitei.
As mãos dele encontram a minha cintura de um jeito firme, possessivo, colando meu corpo ao dele de uma forma que me faz perder o fôlego. Um arrepio corre pela minha espinha. Devagar, levo meus braços ao redor do seu pescoço, sentindo a textura da sua roupa sob meus dedos.
Começamos a nos mover em passos lentos e calorosos. A proximidade é tão avassaladora que consigo sentir o calor da sua respiração na minha pele e o pulsar forte e acelerado do seu coração contra o meu peito. Steven me puxa ainda mais para perto, reduzindo qualquer espaço a zero, como se estivesse me prendendo ali e avisando que não pretendia me deixar ir.
Sinto meus joelhos fraquejarem de leve com a intensidade do seu olhar, então desisto de resistir e encosto minha cabeça em seu peito, deixando minhas mãos descerem lentamente até pararem próximo ao meu rosto. O perfume dele me envolve por completo. Eu me sinto absurdamente segura e, ao mesmo tempo, completamente vulnerável. Meu coração está uma escola de samba e mil borboletas parecem explodir no meu estômago. O mundo lá fora sumiu. Isso é normal?
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De Volta ao Começo
RomantikPara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
