Você tem que ir para um hospital ou para casa! — ordenei, praticamente arrastando Steven enquanto descíamos os degraus de mármore.
O barulho ensurdecedor da música eletrônica voltou a golpear meus tímpanos assim que pisamos no andar de baixo. Tentei abrir caminho desesperadamente entre aquele mar de pessoas bêbadas, apertando o braço de Steven com ainda mais força para não perdê-lo de vista.
Finalmente, conseguimos cruzar sair e emergir no ar fresco da noite. Steven, ainda respirando de forma pesada, segurou minha mão e me guiou até o seu carro. Quando chegamos, ele destravou as portas e abriu a porta do carona para eu entrar. No entanto, ao olhar para trás e ver o topo da mansão do Peter, uma onda de puro estresse me atingiu. Eu não queria ir embora daquele jeito. Na verdade, uma parte de mim queria voltar correndo até aquele quarto, puxar o Dylan pelos cabelos e despejar nele toda a minha fúria acumulada.
— Eu não vou entrar — bati a porta do carro com força, virando as costas para retornar à festa.
— Kat! — A mão de Steven envolveu meu braço com firmeza, segurando-me. — Vem comigo... por favor.
Aquela voz rouca e vulnerável me fez estancar. Virei-me lentamente e encarei seu rosto. Ver as marcas da briga, o supercílio cortado e o hematoma subindo pela sua mandíbula — tudo porque ele tentou me proteger —, fez meu estômago revirar de culpa.
— Tudo bem — cedi em um suspiro longo. — Eu vou. Mas você me leva para casa depois.
Entrei e ele seguiu o trajeto até a propriedade dele em silêncio. Eu não sabia direito o que dizer, e, honestamente, uma parte de mim estava apavorada com a perspectiva de ficar inteiramente sozinha com ele depois de tudo o que havia acontecido.
Steven cruzou a portaria de um condomínio de alto padrão bem próximo ao meu, o Ingleville. O carro avançou pelas alamedas arborizadas até parar diante de uma fachada monumental — sem dúvidas, uma das maiores mansões do lugar. Ele acionou o controle do portão e desceu direto para uma garagem subterrânea impecável.
Assim que ele desligou o motor, saí do carro e notei que ele pisava em falso, demonstrando uma dificuldade nítida para se manter erguido. Dei a volta rapidamente e me posicionei ao seu lado, passando o braço dele sobre os meus ombros para sustentá-lo.
— Você está bem mesmo? — perguntei, sentindo o peso do corpo dele vacilar levemente contra o meu.
— Só com um pouco de dor — ele forçou um sorriso de canto, tentando me acalmar, mas seus olhos pareciam levemente nublados.
Enquanto subíamos a escada interna em direção ao quarto, percebi que ele estava meio tonto. Aquilo não era efeito de álcool, já que ele mal havia bebido na festa; era a adrenalina da briga finalmente baixando de uma vez.
Chegamos ao seu quarto — um espaço imenso, minimalista e sofisticado.
— Vai direto para o chuveiro — pedi, indicando a porta do banheiro. — Vou procurar algo para fazer um curativo em você enquanto isso.
Steven assentiu, exausto. Sem qualquer cerimônia, cruzou o batente retirando a camisa ensanguentada e entrou no banheiro, deixando a porta completamente aberta.
Virei-me de costas em um reflexo rápido, sentindo minhas bochechas queimarem, e me sentei na beirada da cama. O som da água quente caindo contra o box logo preencheu o quarto. Para distrair a mente, levantei-me e comecei a explorar o ambiente, parando diante de uma estante enorme repleta de porta-retratos. Reparei em cada detalhe, foto por foto. Steven sempre tivera aquela beleza magnética, desde muito jovem.
De repente, meus olhos travaram em uma fotografia específica. Era um registro antigo, de quando ele devia ter uns dez ou onze anos. Ele estava agasalhado, sorrindo em meio à neve ao lado de uma garotinha de cabelos escuros e bochechas coradas. Dei um passo à frente, estreitando os olhos. Aquela garotinha... era eu.
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De Volta ao Começo
RomancePara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
