O ar no quarto estava denso, quase sufocante de tão quente. Todos os fantasmas do passado e cada fração de hesitação ruíram de vez, atropelados por um desejo primitivo que estava acumulado e preso dentro de mim há tempo demais.
Minhas mãos desceram pelo peito nu dele com uma lentidão calculada, sentindo cada músculo se contrair sob os meus dedos. Quando minhas unhas o arranharam levemente, o som rouco que escapou de sua garganta reverberou direto no meu ouvido, fazendo meu próprio corpo estremecer. Ver o controle dele ruir diante de mim era o melhor combustível. Ele já não era o homem cauteloso de antes; era um homem faminto, completamente rendido ao meu toque.
Com uma firmeza possessiva na minha cintura que me fez prender a respiração, ele me girou na cama e me prensou contra o colchão. Fiquei por baixo dele, sentindo o peso e o calor envolvente do seu corpo sobre o meu.
— Se você soubesse o efeito que causa em mim, Katherine... — ele sussurrou, a voz raspada e quente colada na curva do meu pescoço enquanto me deixava beijos profundos, enviando uma descarga elétrica por cada centímetro da minha pele.
Quando sua boca desceu devagar pela minha mandíbula, provocando-me com uma leve mordida de intensidade avassaladora, minha resposta foi pura reação física. Um arrepio violento correu pela minha espinha e eu arqueei o corpo ao seu encontro. Não havia mais espaço para o ar. Enlacei minhas pernas ao redor da sua cintura, puxando-o para mais perto, buscando colar cada milímetro da minha pele à dele em uma fricção desesperada.
Nossos olhares se chocaram na penumbra amarelada do abajur. Não existia mais modéstia, não existia mais filtro. Meus olhos entregavam uma fome absoluta, um convite sem volta para que a gente se destruísse e se reconstruísse juntos naquela noite.
Eu podia sentir o peito dele arfando e o coração martelando descontrolado contra o meu. Ele me olhou fixamente por um instante e me tocou exatamente onde eu mais anseava, enquanto minhas mãos se cravavam em seus ombros e puxavam seus cabelos com extrema urgência.
A provocação cedeu espaço a uma febre incontrolável. Quando ele finalmente se encaixou em mim, fez isso lentamente. Por ser a minha primeira vez, um leve desconforto inicial pontuou o momento, e um gemido contido escapou da minha garganta.
— Está tudo bem? Está doendo? — Ele perguntou, com o olhar transbordando preocupação.
— Não... continua, por favor — Pedi, porque o prazer e a necessidade de tê-lo ali superavam, de longe, qualquer dor.
Com o meu consentimento, ele retomou o movimento, aumentando o ritmo aos poucos, tomado por uma sede de quem parecia ter esperado por aquilo a vida inteira.
Eu gemia baixo em seu ouvido, enterrando as mãos em seus cabelos. Envolta naquele suor, na penumbra e na simbiose de nossas respirações descompassadas, eu me entreguei a um transe de pura química e prazer — ciente de que, depois daquela fusão, nenhuma parte de mim jamais voltaria a ser a mesma.
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De Volta ao Começo
RomancePara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
