Capitulo 11 - Estilhaços

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Steven me olhou de cima a baixo, os olhos azuis brilhando sob a iluminação da festa. Eu fiquei completamente paralisada, sem saber o que dizer, sentindo o ar fugir dos meus pulmões. Mas o universo parecia não querer me dar um segundo de paz. Antes que qualquer um de nós pudesse pronunciar uma palavra, um garoto tropeçou desajeitadamente ao nosso lado, virando um copo cheio de negroni direto no meu vestido.

O líquido se espalhou pelo tecido, encharcando-me por inteiro. Virei-me para o culpado com um olhar que, se tivesse poder de laser, sem dúvidas eu o teria reduzido a cinzas. O garoto balbuciou uma desculpa esfarrapada e sumiu na multidão.

— Que droga! — resmunguei, olhando para o estrago.

Virei-me novamente para Steven. Sem dizer uma palavra, ele segurou minha mão com firmeza, abrindo caminho por entre as pessoas e me conduzindo para o interior da mansão do Peter. Passamos por alguns casais se beijando pelos cantos e subimos a imponente escadaria até o segundo andar, longe do barulho ensurdecedor da pista.

Steven empurrou a porta do primeiro quarto — que por sorte estava vazio —, guiou-me para dentro e fechou a porta atrás de nós, isolando o som da festa.

Acomodei-me na beirada da cama de casal, ainda processando.

— Não vai limpar o vestido? — ele quebrou o silêncio, encostado na parede com os braços cruzados, observando-me.

Assenti com a cabeça. Fui até o banheiro do quarto, encontrei um pacote de lenços umedecidos sobre a bancada e comecei a limpar a pele dos meus braços e a dar batidinhas no tecido do vestido. Por sorte, não tinha manchado tanto e consegui tirar o melado. Pelo menos visualmente, eu já estava minimamente apresentável de novo.

Voltei para o quarto e encontrei Steven na mesma posição, mas sua expressão havia mudado. Sua mandíbula estava cerrada e o olhar fixo em mim transmitia uma tensão contida.

— E o seu namorado? — ele perguntou, o tom de voz um pouco mais grave.

— Ex! — corrigi imediatamente, revirando os olhos e voltando a me sentar na cama. — Eu terminei com ele faz uma semana.

Steven soltou uma risada contida, relaxando os ombros. Foi como se um peso invisível tivesse sido tirado de suas costas naquele exato segundo. O clima pesado de antes começou a se dissipar, dando lugar a algo muito mais denso e elétrico.

Fiquei girando o celular entre os dedos, nervosa, até sentir o colchão afundar ao meu lado. Steven se sentou perto, perto o suficiente para eu sentir o calor do seu corpo. Ele não parava de me encarar, sustentando um olhar tão profundo que causou um verdadeiro frio no meu estômago. Aquela proximidade estava me deixando sem ar.

— Seria estranho se eu te contasse que estou sentindo como se mil faíscas estivessem saindo do meu corpo agora? — perguntei em um sussurro corajoso, quebrando a distância enquanto o encarava de volta.

Um sorriso lento e de canto desenhou-se nos lábios dele. Steven aproximou o rosto do meu com uma lentidão calculada, como se estivesse decifrando meus sinais, esperando por uma última permissão implícita.

Eu não pensei em mais nada. Ergui a mão e a espalmei na nuca dele, puxando-o para um beijo.

A sensação foi avassaladora, como a queda livre de uma montanha-russa que faz o coração parar na boca. O beijo começou calmo, mas logo os movimentos se tornaram calorosos, profundos e devastadores. Deitei-me de costas na cama e ele se inclinou por cima de mim, sem quebrar o contato. O clima no quarto subiu de temperatura rapidamente. Eu não fazia ideia de onde aquilo iria dar e, honestamente, não me importava; só queria continuar. Nunca tinha sentido nada parecido antes — era intenso, diferente de tudo o que eu conhecia, e eu me peguei querendo cada vez mais.

Steven deslizou as mãos firmes pela minha cintura, segurando-me contra ele, enquanto eu tateava a barra de sua camisa, erguendo-a lentamente para passar os dedos pelo seu abdômen definido.

*TOC TOC TOC*

As batidas violentas na porta cortaram o ar como um balde de água fria. Dei um sobressalto, saindo rapidamente de baixo dele. Steven soltou o ar com força, puxando a camisa de volta para o lugar enquanto murmurava:
— Droga!

Ajeitei o caimento do meu vestido num reflexo apressado e passei os dedos pelos lábios para limpar o batom vermelho que devia estar completamente borrado. Corri para o banheiro, peguei o batom na bolsa e passei outra camada rápida antes de voltar. Enquanto isso, Steven abriu a porta de uma vez.

— Cadê a Katherine?! — Uma voz alterada e furiosa ecoou pelo quarto.

Saí do banheiro e dei de cara com o Dylan. Ele parecia completamente fora de si, com os olhos vermelhos e empurrando o que estivesse na sua frente. Steven, por outro lado, mantinha uma postura impecável. Os braços cruzados e uma expressão de puro deboche estampada no rosto.

— O que você estava fazendo trancado aqui com a minha namorada? — Dylan gritou, partindo para cima de Steven com os punhos cerrados.

Steven reagiu com reflexos rápidos, espalmando a mão no peito de Dylan e desferindo um empurrão firme que o fez dar dois passos para trás.

— Ela não é a sua namorada, cara. Deixa de ser patético — Steven disse, a voz calma e cortante. Ele deu as costas para o Dylan por um segundo, caminhando até mim e espalmando a mão na minha cintura para me guiar até a saída. — Melhor a gente sair daqui, Kat.

Mas o Dylan não aceitaria perder daquele jeito. Movido pelo orgulho ferido e pelo álcool, ele avançou por trás e puxou o ombro de Steven com força, virando-o de frente.
O soco veio logo em seguida. A partir dali, o quarto virou um borrão de violência. Os dois começaram a brigar feio, trocando golpes pesados. Tentei dar um passo à frente, gritando para tentar separá-los, mas era perigoso demais entrar no meio daquela troca de socos. Foi quando a Celeste surgiu na porta aberta, com os olhos arregalados de puro susto.

— O que está acontecendo aqui?! — ela perguntou, a voz esganiçada. Sem esperar resposta, Cel deu meia-volta e correu pelo corredor, gritando por ajuda.

Eu continuava a berrar para que eles parassem, mas nenhum dos dois ouvia. O estrago físico já era evidente. Dylan exibia um corte feio abaixo do olho, que já começava a inchar e arroxear, e o sangue escorria abundantemente de seu nariz, sujando sua camisa. Steven havia levado um soco forte na mandíbula, que exibia uma marca avermelhada, e um filete de sangue brotava perto do seu supercílio.

A briga terminou de forma brutal. Steven esquivou-se de um golpe desajeitado de Dylan, segurou-o pelo colarinho e, usando o próprio impulso dele, jogou-o com força total contra a mesa de centro de vidro que decorava o canto do quarto.

O barulho do vidro se estilhaçando em mil pedaços foi ensurdecedor, ecoando pelo corredor. Dylan desabou em meio aos cacos, contorcendo-se de dor e segurando as costelas.

— CHEGA! — Gritei, descarregando toda a adrenalina que estava presa no meu peito.
Caminhei decidida, entrei na frente do Steven e segurei seu braço com força, puxando-o para longe dos destroços. Olhei uma última vez para o Dylan caído, sentindo uma mistura de raiva e desprezo por ele ter arruinado a minha noite mais uma vez. — Vem, Steven. Alguém cuida dele depois — avisei, firme.

Puxei Steven pelo braço e cruzamos a porta, deixando o caos daquele quarto para trás.

De Volta ao Começo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora