***MATHEUS***
A Katherine acabou de me mandar uma mensagem avisando que vai se atrasar. Digo que está tudo bem, mas que saco... Ela realmente não estava brincando quando falou em atraso. Já estou quase perdendo a pouca paciência que me resta quando finalmente a vejo entrando no restaurante.
— Matt! — Katherine se senta na mesa, visivelmente afobada e com o olhar tenso.
— Oi, linda! — respondo, com o meu melhor sorriso amigável enquanto ela acomoda a bolsa.
— Desculpa a demora, é que... precisamos conversar de verdade sobre o que aconteceu no Belmonte — ela dispara, sem nem olhar o cardápio.
Sinto meus músculos enrijecerem por um milissegundo, mas mantenho a expressão serena. Ah, não. Não me diga que essa certinha veio querer dar uma de detetive agora?
— Shhhhh... Para com isso, Kath. Não precisa dessa tensão toda. Vamos pedir um drinque primeiro?
— Eu não quero drinque nenhum, Matt! — ela interrompe, com a voz firme, apoiando os cotovelos na mesa. — Aquela noite eu vi o meu copo espumando de um jeito estranho. Logo depois que tomei um gole, comecei a me sentir mal, tonta... Minha cabeça girou. O que você colocou na minha bebida?
Faço uma cara de confuso absoluto, e solto uma risada amarga, balançando a cabeça como se estivesse profundamente chocado e ofendido com a acusação.
— O quê? Você tá maluca, Katherine? — pergunto, me inclinando na direção dela com o tom de voz calmo, porem ferido. — Eu tava cuidando de você! Você bebeu demais. Ou a bebida devia estar estragada, ou o barman colocou algo errado... E você vem me culpar? Poxa, eu atravessei a porra do oceano, vim dos Estados Unidos pra visitar meus amigos e é assim que você me recebe? Me acusando de ser um monstro?
Mentalmente, dou risada. É claro que fui eu. Um pozinho rápido no copo e o trabalho estaria feito. Ela é linda, tem aquele corpo perfeitamente esculpido e estava me dando o maior mole... Qual era o problema de dar uma "ajudinha" para a noite ficar mais interessante para os dois? Se aquele idiota não estivesse por perto no Belmonte, a noite teria sido perfeita.
A Kat me encara, os olhos semicerrados, dividida entre a dúvida e a repulsa.
Aproveito a hesitação dela e me mudo para o sofá ao lado do dela. Chego mais perto, passando a mão pelo ombro dela para tentar puxá-la pra mim.
— Olha pra mim... Eu só quero o seu bem — murmuro, levando os dedos ao queixo dela e tentando virar o rosto dela para um beijo.
Kat trava no mesmo instante. Ela segura meu pulso com força e me empurra para longe, com um olhar de pura repulsa.
— Não encosta em mim, Matt!
— Qual é o seu problema, garota? — bufo, perdendo um pouco o teatro de bom moço. — Você tá neurótica! Acabou de terminar com o Dylan e agora tá achando que todo mundo quer te prejudicar? Se manca! Eu tentei te ajudar naquela noite!
Avanço de novo e sinto ela se debatendo contra o meu peito, mas continuo segurando. Eu não viajei até o Brasil para voltar de mãos vazias depois de tanto bla bla bla
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De Volta ao Começo
RomancePara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
