Capitulo 39 - O Sabor do Inesperado

432 27 6
                                        

Acordei pela manhã com o toque insistente do meu celular. Em fração de segundos, todas as lembranças da noite passada invadiram minha mente. Um pequeno sorriso surgiu involuntariamente nos meus lábios.

Cocei os olhos e me virei para procurar o Steven... mas, para a minha surpresa, o outro lado da cama estava vazio.

Claro! Como pude ser tão ingênua?

É óbvio que ele acordou e fugiu para algum lugar — provavelmente a empresa do pai —, esperando que eu acordasse sozinha e entendesse o recado implícito de que era hora de ir embora. O clássico e covarde truque masculino para dizer "já deu, tchauzinho".

Bati a mão na testa e me sentei na cama, pronta para me remoer, quando a porta do quarto se abriu. Steven passou por ela segurando uma enorme bandeja de café da manhã. Fiquei literalmente de boca aberta, sem reação.

— Bom dia, dorminhoca! — Disse ele, com aquela voz rouca matinal que fez meu coração dar um salto. — Dormiu bem? —
Ele colocou a bandeja na cama, bem na minha frente, e se inclinou para me dar um selinho. Estava de cabelo molhado, recém-saído do banho, vestindo apenas uma calça jeans que deixava a mostra o elástico da cueca preta da Calvin Klein.

— É... dormi muito bem — Respondi, dando um sorriso bobo. Paguei o copo de suco de laranja, tomei um gole e voltei a olhar para ele, que me encarava com uma expressão absolutamente encantada. — O que foi? —
Passei a mão no cabelo bagunçado e olhei para baixo. Eu estava usando uma camiseta dele, a maior do armário, com certeza, porque cabiam umas três de mim ali dentro.
— Estou péssima. — Dei risada.

— Você está linda.— Ele se aproximou mais. Ele estava tão cheiroso que fechei os olhos por um segundo, apenas inspirando aquele aroma de Creed Aventus.

— Ah, obrigada. Por um segundo, pensei que você tivesse ido para a empresa. - Respondi.

— Eu desmarquei todos os meus compromissos de hoje. — Revelou ele, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e me olhando nos olhos.

Naquele instante, ele estava sendo mais perfeito do que qualquer expectativa que eu pudesse ter alimentado. Tive uma vontade absurda de abraçá-lo e nunca mais soltar.
— Reservei um almoço no Satyricon para nós dois. — Ele completou, dando um sorriso meio tímido. Será que esse era mesmo o Steven que eu conhecia? — A filha da noiva do seu avô ligou muitas vezes e eu atendi... a Vanessa, certo? — Assenti com a cabeça, curiosa para saber o que ela queria.

— Ela ligou perguntando se estava tudo bem. Pareceu bem surpresa quando eu atendi... não é para menos. — Comentou baixinho, quase para si mesmo. — Enfim, pedi para ela ir até a sua casa e separar uma roupa para você almoçar comigo. Ela pareceu animada e disse que daria uma desculpa para a sua mãe. O motorista dela chegou com as roupas faz um tempinho, deixei ali na escrivaninha.

Anotei mentalmente que precisava agradecer muito à Vanessa depois e me surpreendi com tamanha preparação que ele já havia feito antes mesmo de eu ter acordado.

Terminei o suco e peguei um morango recheado com Nutella. Até parecia que tinha sido o próprio Steven que preparou tudo aquilo.
— Você encomendou essa bandeja, né? — perguntei, desconfiada, olhando os detalhes.

— Na verdade, a Valdinha que fez. — Ele riu. — Ela cuida de mim e da casa, acabei roubando ela do meu pai. Quando eu me mudei, nós dois queríamos ficar com ela. Porém meu pai como sempre não conseguiu me dizer não. Até porque se dependesse de mim, eu teria colocado fogo na cozinha e na casa há um bom tempo.... - Rimos juntos, e eu elogiei tudo, garantindo que estava sensacional.

Assim que terminei o café, avisei que iria tomar banho. Peguei as coisas que a Vanessa enviou e me dirigi ao banheiro.
Entrei debaixo do chuveiro e enquanto a água quente caía sobre meu corpo, minha mente voltou para a noite anterior. Foi infinitamente melhor do que nos meus melhores sonhos. O Steven me fez sentir tão segura e confortável que o momento se tornou simplesmente inesquecível.

Saí do banho alguns minutos depois, me enxuguei rapidamente e vesti o que a Vanessa tinha escolhido: um vestido rosa com detalhes em azul bebê, um pouco acima do joelho, combinado com sapatilhas em tom de rosa clarinho. Passei uma maquiagem leve e arrumei rapidamente o cabelo. A produção era simples, mas me fez sentir renovada, bonita e leve.

Ao sair do banheiro, vi Steven vestindo uma camiseta polo azul marinho.
— Está pronta? — ele perguntou, pegando a carteira na escrivaninha.

Quando respondi que sim, ele se virou para me encarar.
— Uau! Você está deslumbrante.

Caminhei em sua direção, segurei suas mãos e me estiquei na ponta dos pés para dar um selinho.
— Obrigada.

[...]

Pouco tempo depois, chegamos ao Satyricon, sem dúvidas, um dos restaurantes mais charmosos que conheço.

Steven conversou com a recepcionista no balcão, e ela nos informou que o garçom nos guiaria até a nossa mesa no fundo do restaurante.

Enquanto caminhávamos até a mesa, percebi que Steven não tirava os olhos da recepção, que tínhamos acabado de passar. Ele mordia os lábios, visivelmente tenso. Fiquei me perguntando o que estava acontecendo.
— Steven, você está bem? — toquei em seu braço.

— Está tudo ótimo. — Ele me olhou e deu um sorriso claramente forçado.

Sentamos à mesa e peguei Steven olhando de relance para uma mulher que acabara de chegar, logo depois que chegamos. Se eu não o conhecesse, diria que estava passando mal.

— Steven, o que está acontecendo? — Perguntei de uma vez, encarando-o no fundo dos olhos.

Antes que ele pudesse responder, seus olhos se desviaram. Ele ficou profundamente vermelho, com uma expressão de pura angústia.

De repente, a garota loira que entrou logo após de nós, de olhos profundamente negros, parou ao lado da nossa mesa. Ela sorriu para o Steven e se inclinou para dar um beijo na bochecha dele. — Um movimento estrategicamente pensado para exibir o decote. Steven se distanciou.

— Luiza Berger, prazer. — Ela estendeu a mão para mim.

Cumprimentei-a, oferecendo um sorriso confuso e bastante forçado. Não gostei dela e também era nítido que o Steven também estava extremamente desconfortável com a presença dela ali.

— Essa é a sua prima, docinho? — Perguntou ela, sentando-se sem cerimônia ao lado dele.

Fechei a cara na hora. Prima?

— Esta é a Katherine! E não, ela não é minha prima... é minha... — Ele me olhou, visivelmente buscando socorro, mas mantive o silêncio. — Minha namorada. —
Ele sorriu e meu coração congelou no peito.

Não consegui conter o sorriso que brotou em meus lábios, enquanto a tal Luiza desmanchava o dela instantaneamente.

— Luiza, a gente conversa depois. — Steven falou baixo, levantando-se para dar a entender que ela saia da mesa. — Esse momento é extremamente importante para mim e eu não quero que você estrague. — Ele finalizou.

A garota se levantou. Ela parecia estar com tanta raiva que, por um segundo, achei que fosse me fuzilar apenas com o olhar. Em vez disso, ela se inclinou na minha direção e disparou:
— Eu estou grávida. E adivinha quem é o pai?

Ela olhou diretamente para o Steven. E, naquele exato segundo, o meu mundo inteiro desmoronou.

De Volta ao Começo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora