Sete dias haviam se passado desde que eu finalmente coloquei um ponto final no meu namoro com o Dylan. Sete dias longos. Ele ficou completamente arrasado e tentava canalizar isso me mandando SMS diariamente, implorando por uma segunda chance, enviando promessas vazias e juras de amor. Na maioria das vezes, eu simplesmente ignorava. Deixava o celular de lado, recusando-me a entrar naquele ciclo de manipulação outra vez.
Eu estava sentada na bancada da cozinha, navegando distraidamente no meu MacBook enquanto saboreava uma xícara de cappuccino. O som de uma notificação ecoou no balcão. Peguei o aparelho esperando mais um texto dramático do meu ex, mas um sentimento de alívio me percorreu ao ver o nome da Celeste na tela.
[WHATSAPP ON]
Celeste: Amiga, você vai na festa do Peter hoje, né?
Katherine: Não sei, provavelmente sim!
Celeste: Ai, preciso ir, mas estou tão indecisa... O Daniel quer ficar comigo e o Octávio também. Os dois são um sonho, Kat! O que eu faço?
Katherine: Cel, você é uma peça! Hahaha. O Daniel é mais certinho, você sabe. Já o Octávio fica com todas, você conhece muito bem a minha opinião sobre garotos assim.
[WHATSAPP OFF]
Fechei o aplicativo e voltei a focar no computador, engajando em uma conversa leve com a Jubi sobre uma nova receita gastronômica que ela estava ansiosa para testar no próximo almoço. O momento de paz, contudo, durou pouco. Outra vibração cortou o ambiente. Era o Dylan, curto e direto, perguntando se eu compareceria à festa do Peter.
"Sim", teclei de volta, fria, e bloqueei a tela imediatamente. Eu precisava de pelo menos mais cinco horas de tranquilidade antes do reencontro inevitável que eu teria com meu ex, pelo amor de Deus.
Quando contei para a minha mãe sobre o término, ela quase teve um colapso dramático. Questionou meus motivos, insistiu que eu estava cometendo um erro e que precisava reatar o quanto antes. Os dois sempre se deram super bem; mamãe o estimava muito, projetando nele o genro perfeito. Mas ela não entendia — ou fingia não entender — que as coisas nos bastidores da nossa relação já não funcionavam mais. Meu pai, por outro lado, foi meu porto seguro. Quando conversamos no escritório, ele apenas colocou a mão no meu ombro e disse: "Vá atrás daquilo que te faz feliz, querida". Aquilo foi tudo o que eu precisava ouvir.
Terminei o cappuccino, fechei o Macbook e subi para o meu quarto. Vasculhei o closet, escolhi a produção da noite e deixei separado. A festa estava marcada para começar às 21h00, o que significava que eu tinha exatamente quatro horas livres. Uma pontada de ansiedade misturada com expectativa cutucou meu estômago; eu queria muito me divertir, dançar e esquecer os problemas.
O Dylan estaria lá, era óbvio. Eu só rezava para que ele não passasse a noite inteira no meu pé. Queria esquecê-lo por algumas horas, será que era pedir muito? Eu agora era livre e desimpedida, embora conhecesse o histórico dele o suficiente para saber que ele provavelmente escalaria algum amigo para vigiar meus passos.
Desci para a cozinha encher minha garrafa Stanley a passos rápidos e parei abruptamente, levando um susto ao dar de cara com um homem alto, sem camisa, prestes a empurrar a porta de vidro do deque. Meus olhos se arregalaram antes que a ficha caísse. Max!
— Que saudade! — exclamei, a surpresa se transformando em pura alegria. Corri na direção dele e me joguei em seus braços.
— Kat! — A voz grave dele ecoou e ele me tirou do chão, girando-me no ar com uma facilidade impressionante, como se eu não pesasse mais que uma pena.
Maximus era meu primo de vinte e cinco anos. Ele morava em San Diego com a namorada e suas visitas ao Brasil eram raras e imprevisíveis. Eu não tinha a menor ideia de que ele estaria no Rio, muito menos na minha casa justo no dia em que eu tinha planos de sair.
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De Volta ao Começo
RomansaPara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
