Capitulo 27 - Segredos Sob Medida

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Cheguei em casa exausta. A Sam simplesmente não parou de andar pelo shopping até encontrar o sapato exato para combinar com a blusa que tinha acabado de comprar. Minhas pernas protestavam, mas o ar fresco da tarde era um alívio.

O jantar na casa do meu avô estava marcado para as 20h. Olhei para o relógio: 17h35. Perfeito para alguns minutos de descanso antes da correria. Desci para a área da piscina. Ao passar pela cozinha, a Jubi me avisou que minha mãe tinha ido ao SPA e pedido para alinhar com o Agnaldo a busca para as 18h00. Apenas concordei e enviei uma mensagem rápida para o motorista.

Acomodei-me na espreguiçadeira e a vista do horizonte, tingido pelas cores amenas do fim de tarde, sempre me trazia uma paz genuína. Contemplar aquele refúgio trazia uma sensação profunda de gratidão. Mais do que o conforto ou a estrutura, eu valorizava a proteção da minha família e o afeto das pessoas que me cercavam — algo que nenhum valor financeiro poderia substituir.

Distraída por esses pensamentos, acabei pegando no sono. Despertei num sobressalto quando Agnaldo me chamou com sua voz firme e polida:
— Senhorita Katherine!

— Agnaldo! — levei a mão ao peito, recuperando o fôlego. — Que susto.

— Seu pai acaba de ligar. Pediu para que a senhorita já comece a se preparar.

Agradeci, recolhi o celular e subi para o meu quarto. Após um banho revigorante, preparei-me para a ocasião. Escolhi um vestido azul da DG, longo e de caimento impecável, com detalhes que traziam um toque de elegância sem perder a sofisticação. Alisei o cabelo e o prendi em um coque firme e bem estruturado. Na maquiagem, optei por um olhar destacado por uma sombra marrom suave, rímel e um liptint. Finalizei com brincos delicados e meu chinelo da Hermès. Às 19h40, eu já estava pronta. Borrifei meu perfume habitual e desci a imponente escadaria.

Meus pais já me aguardavam no hall principal. Ao me verem, ambos interromperam a conversa com olhares de admiração.

— Querida... — minha mãe sorriu, ajeitando a postura. — Você está deslumbrante.

— Maravilhosa, minha filha — completou meu pai, orgulhoso.

Minha mãe estava impecável num vestido longo preto de corte clássico, saltos em verniz e suas inconfundíveis joias de família. Meu pai vestia um terno sob medida, com um corte moderno que contrastava de forma elegante com seus cabelos grisalhos.

[...]

O trajeto foi silencioso. Assim que o carro cruzou os portões do condomínio fechado onde meu avô mora, decidi quebrar a quietude:
— Por que acabamos vindo mais cedo?

— Consegui reorganizar minha agenda para sair antes da empresa — meu pai respondeu, ajustando o relógio no pulso. — Preciso ter uma conversa reservada com o seu avô antes do jantar. Não é, querida? —
Ele olhou de relance para a minha mãe.

Ela apenas assentiu, mantendo um sorriso contido e uma postura atipicamente reservada — algo raro para ela, que sempre transparecia absoluta segurança.

— Entendi... — murmurei, voltando meu olhar para a janela.

A hesitação na resposta deles e o clima tenso no carro deixaram evidente que não se tratava de um encontro apenas social. A curiosidade se acendeu no mesmo instante, e eu sabia que precisaria descobrir o que realmente estava por trás daquela conversa.

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