Capitulo 20 - O Preço do Vazio

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***STEVEN***

Katherine, Katherine, Katherine... Por que você simplesmente não sai da minha cabeça?

Eu preciso de uma garota. Preciso de outra, de mais uma, de qualquer uma, só para me livrar dessa fixação absurda antes que eu enlouqueça de vez.

Eu sempre tive absolutamente tudo o que quis nesta vida. Nunca precisei implorar, esperar ou ouvir um "não". E agora, por causa de uma garota do meu passado, parece que tudo dentro de mim mudou.

Quando eu tinha dezesseis anos, minha mãe morreu em um acidente de carro trágico. Ela era uma das estilistas mais famosas do país, uma mulher genial que comandava um império na moda. O acidente foi tão grave que só fiquei sabendo três dias depois da tragédia, quando a perícia a reconheceu pela arcada dentária. O meu pai, que já era o médico mais renomado e respeitado do Rio de Janeiro, ficou completamente estraçalhado. Mas nada se comparava ao buraco que se abriu no meu peito.

Nós nunca fomos o tipo de família comercial de margarina, que janta juntos na mesa e conversa sobre o dia. Era o brilho da minha mãe criando coleções e desenhando para o topo da sociedade contra a rotina exaustiva de um cirurgião renomado. Sempre foi tudo sobre trabalho, alto padrão e imagem pública. Eles eram obcecados pela perfeição... Mas a verdade nua e crua é que a presença de uma mãe faz uma falta gigantesca.

A morte dela mudou o meu pai para sempre. Ver o filho único afundado no luto e despedaçado por dentro destruiu a postura inabalável do grande doutor. Ele simplesmente perdeu a capacidade de dizer a palavra "não" para mim. A culpa e a dor do desastre o transformaram em alguém que tentava anestesiar minhas feridas cobrindo cada pedido meu com privilégios. Qualquer desejo meu virava ordem.

Aos dezoito anos, ganhei meu primeiro carro. Sempre fui apaixonado pela velocidade, mas meu pai nunca me deixou dirigir antes da maioridade. Afinal, a imprensa não podia ver o filho do médico mais famoso do estado dirigindo sem carteira por aí — a reputação da família desmoronaria nas revistas. Meu primeiro carro foi uma Ferrari. Eu sei, é o clichê do filhinho de papai que tem tudo na palma da mão. Mas mesmo tendo tudo, o vazio ainda persistia lá no fundo.

Passei a vida morando na mansão dele, até que, aos dezenove, ele me deu minha própria casa em um dos condomínios mais luxuosos do Rio de Janeiro. A desculpa oficial dele? Ele dizia não aguentar o desfile de mulheres que eu levava para lá e que não admitia aquela bagunça sob o teto dele. Mas a verdade é que ele assinou o cheque sem hesitar um segundo.

No começo, caminhar sozinho por aqueles corredores gigantescos e frios me dava uma sensação sufocante de solidão. Mas não demorou para que as festas, os drinques e as companhias superficiais tomassem conta de tudo. O vazio parecia ter acabado.
Ou pelo menos era o que eu tentava fingir.

Eu só posso estar doente, não existe outra explicação lógica. A única mulher que consegue prender meu pensamento é a Katherine. É como um vício inexplicável. Apenas ela parece capaz de preencher o abismo que voltou a se abrir no meu peito.

É isso. Eu preciso ver ela!

Eu tenho que ver ela agora. Não dá para continuar enlouquecendo neste silêncio sufocante. A Katherine é a única solução.

Peguei as chaves do carro e fui direto para a casa dela.

Quando cheguei, o primo dela, Max, abriu a porta. A primeira coisa que vi foi o ex-namorado dela, aquele sujeito desagradável do Dylan, parado no meio da sala com a cara mais arrogante do mundo.

No mesmo segundo, a Katherine surgiu no hall. Nossos olhares se cruzaram no ar e o tempo pareceu parar. Vi o desconforto estampado nos olhos dela ao olhar para aquele cara, e vi a fúria no olhar do Dylan quando ele percebeu a minha presença.
Ele travou o maxilar, me encarando como se quisesse me expulsar dali só com a força do pensamento. Sustentei o olhar dele sem recuar um único milímetro, deixando claro que ele não me intimida nem um pouco.

Se ele acha que vai retomar esse espaço e voltar a enganar Katherine, está muito enganado.

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