Capitulo 4 - A Verdade no Lago

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— E você quer saber sobre o quê? — sussurrei de volta, tentando manter o tom firme.

Steven soltou uma risada baixa, e uma pontada de vergonha me atingiu. Ótimo, Katherine. Você queria parecer madura e sexy, mas deve estar parecendo uma completa idiota.

Antes que eu pudesse me afastar mentalmente daquela situação, ele segurou minha mão com suavidade e me conduziu até o banco de madeira, de frente para o lago. Sentamos lado a lado, e a brisa fria da madrugada tocou meu rosto.

— Me conte sobre o que você gosta — ele disse, desviando os olhos azuis para a imensidão escura da água.

— Arco e flecha... e piano — respondi de imediato, sem pensar muito.

Steven virou o rosto para mim lentamente, e aquele sorriso de lado, charmoso e ligeiramente malicioso, ressurgiu em seus lábios.

— Eu gosto de arco e flecha... — Ele esticou o braço pelo encosto do banco, aproximando-se sutilmente. — E gosto de você também.

O olhar dele se fixou nos meus olhos, intenso, e eu simplesmente perdi a voz. Meu coração errou uma batida.

— Obrigada — murmurei, forçando um sorriso amarelo.

Steven interpretou minha reação como um sinal verde. Ele começou a se inclinar na minha direção, diminuindo o espaço entre nós com uma lentidão calculada. Quando senti o calor da mão dele tocar a minha nuca, puxando-me delicadamente para mais perto, meu cérebro finalmente despertou do transe. Eu previ exatamente o que viria a seguir.

Um estalo de realidade me atingiu. Espalmei as mãos no peito dele e o empurrei com força. Em seguida, levantei-me do banco num salto, o sangue fervendo de raiva, e dei as costas, saindo pisando fundo.

Quem ele pensa que é? Ser bonito não dava a ele o direito de achar que eu era fácil. Fiquei tão boba com a beleza dele que esqueci quem eu era por alguns segundos, saindo completamente do meu mundo real.

— Ei, espera! — a voz dele ecoou atrás de mim.

Antes que eu pudesse dar mais algum passo, Steven segurou meus braços por trás. O aperto dele foi firme, forte o suficiente para me impedir de puxar os braços e continuar andando.

— Qual é o seu problema? — ele perguntou, a voz misturando espanto e frustração. Claramente, ele não estava acostumado a ter um beijo rejeitado.

— Sabe qual é o problema? — Tentei puxar meus braços com força, mas os dedos dele continuavam firmes na minha pele. Lanço um olhar carregado de puro ódio por cima do ombro. — Dá para me soltar? Está machucando!

Ao ouvir o tom da minha voz, a expressão dele mudou instantaneamente.

— Só se você prometer que não vai fugir de novo — ele negociou, afrouxando a pressão imediatamente.

Puxei meus braços de uma vez.

— Eu tenho namorado! — cruzei os braços com força contra o peito, encarando-o de frente, sustentando o olhar.

Steven abriu e fechou a boca várias vezes, as palavras parecendo travar na sua garganta enquanto ele tentava processar a informação. Ele deu um passo atrás, visivelmente desconfortável.

— Eu vi você triste lá no quarto... — ele começou, fazendo uma pausa, parecendo buscar os termos certos. — Achei que... — Ele ergueu as duas mãos, passou-as pela nuca em um gesto de pura frustração e as soltou ao lado do corpo. — Sei lá o que eu pensei! Desculpa.

Ele cobriu os olhos com a palma da mão, massageando a testa, o peso do arrependimento estampado em sua postura.

Ver aquele cara tão seguro de si desmoronar em um pedido de desculpas desajeitado quebrou um pouco da minha armadura. Soltei um riso soprado, sem graça.

Steven tirou a mão do rosto rapidamente, me encarando, tentando decifrar o significado daquela risada.

— Vamos sentar de novo... — mudei o tom, estendendo a mão para ele.

Dessa vez, fomos nós dois que caminhamos em silêncio de volta ao banco. Nos sentamos, mantendo uma distância respeitável. Olhei para o lago e decidi soltar o que estava me sufocando desde o início da noite.

— Eu acabei de descobrir que o meu namorado me traiu — despejei as palavras de uma vez. Steven abriu a boca para falar algo, mas eu o cortei com um gesto de mão. — Na verdade, no fundo, eu já sabia faz tempo. Só que sempre me pareceu humilhante demais acreditar... Eu confiei nele, mesmo sabendo o que as pessoas falavam a respeito dele pelas costas. E agora... não sei.

Soltei outra risada leve, mas dessa vez era um deboche direcionado a mim mesma, à minha própria ingenuidade.

— Eu acho que compreendo... — Steven quebrou o silêncio, os olhos fixos nos reflexos da água. — Eu nunca tive ninguém para me apegar de verdade. Só... não queria me sentir solitário nesta noite. — Ele soltou um riso contido, e eu acabei sorrindo também, sentindo a ironia da situação. Ele virou o rosto para mim, e a expressão maliciosa de antes tinha sumido por completo. — Desculpa mesmo por ter forçado a barra.

— Tudo bem... — Relaxei os ombros, sentindo como se um peso enorme tivesse sido tirado das minhas costas. Pela primeira vez na noite, respirei fundo sem sentir dor.
Estávamos finalmente em paz, imersos em um silêncio quase confortável, até que o som estridente do meu celular cortou o ar, vibrando forte na minha mão.

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