Capitulo 40 - Inabaláveis

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Eu não sabia exatamente o que estava sentindo. Enquanto a menina dava os passos rumo à saída do restaurante, eu sentia uma mistura sufocante de angústia, raiva, ciúmes e um medo paralisante de perder o que tínhamos acabado de construir. O chão simplesmente tinha sumido sob os meus pés.

Me levantei da mesa no automático, querendo apenas respirar no banheiro ou algum outro ambiente.

— Katherine, espera! Por favor! — A voz do Steven saiu embargada. Ele se levantou rápido e segurou minha mão com firmeza, mas com uma delicadeza desesperada. — Olha pra mim... Não vai embora. Senta aqui comigo, por favor.

Olhei para ele. Os olhos dele transbordavam pânico, não culpa, mas terror de pensar em me ver passar por aquela porta. Voltei para a cadeira, me deixando cair sobre o estofado e escondendo o rosto nas mãos para tentar segurar o choro.

Steven se acomodou ao meu lado, bem perto de mim. Ele envolveu minhas mãos frias com as dele, aquecendo-me instantaneamente.

— Que história louca é essa? Ela estava falando a verdade? — A pergunta saiu quase como um suspiro da minha boca.

— Eu juro pela minha vida que não sei, Kath. Mas a probabilidade é quase nula. — Ele falou, a voz baixa e densa, olhando bem no fundo dos meus olhos. — Eu saí com ela uma única vez, há semanas... e eu usei preservativo. Eu fui responsável. Ou ela está usando isso pra me atingir, ou esse bebê é de outro cara. Desde então ela está literalmente me perseguindo para todo canto. Mas eu vou resolver isso, vou pedir um exame de DNA, vou fazer o que for preciso. Só preciso que você confie em mim.

A sinceridade na voz dele e o calor do seu toque começaram a desacelerar meu coração disparado. Ele não estava tentando se esquivar; estava me protegendo daquela confusão.

— Eu estou tão atordoada, depois de uma noite tão incrível... — Admiti, soltando um suspiro pesado e repousando a cabeça no ombro dele por um segundo. — Perdi totalmente a fome.

— Eu imagino, linda. — Ele murmurou, depositando um beijo carinhoso no meu cabelo, um gesto tão doce que fez uma onda de calor percorrer meu peito. — Vamos sair daqui. Vou pedir para embalarem o que você quiser comer e beber, e nós comemos em um lugar calmo. Só nós dois.

Eu concordei e esperamos nosso pedido ser pronto e embalado. Ele pagou a conta e me guiou até o carro. O trajeto foi silencioso, mas não era um silêncio pesado; era o tempo de que meu cérebro precisava para assimilar tudo. Steven estacionou em um mirante tranquilo, de onde dava para ver a cidade inteira, e só havia nós dois naquele lugar incrível e encantador.

O clima dentro do carro ficou instantaneamente aconchegante, protegido do resto do mundo. Ele ajustou o ar-condicionado, os bancos e me puxou para perto, fazendo questão de que eu ficasse meio deitada em seu peito enquanto dividíamos os espetos de camarão com peixe e lula e havíamos pedido.

O cheiro do perfume dele e a firmeza do seu abraço eram o melhor remédio do mundo.
— Obrigado por não ter saído correndo de mim. — Ele sussurrou perto da minha orelha, acariciando meu braço devagar. — Eu teria ido atrás de você até o fim do mundo, mas ter você aqui agora...

Sorri fraco, sentindo minhas bochechas esquentarem. A forma como ele me tratava fazia qualquer tempestade parecer pequena.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil assim, Steven — brinquei, olhando para cima e encontrando o olhar dele.

— Que bom. Porque depois de ontem à noite... eu não tenho a menor intenção de te deixar ir. — O sorriso dele mudou, ganhando aquele toque charmoso e ligeiramente perverso que fazia meu ventre tremer. — Inclusive... se a gente puder voltar para esse tópico por um segundo...

— E qual parte do "tópico" você quer debater? — Provoquei, sentindo meu corpo responder imediatamente à proximidade dele.

— Todas. — Ele sussurra com a voz ficando rouca, enquanto sua mão passa devagar pela minha cintura e depois por baixo do vestido. — Mas principalmente o fato de que eu não consegui pregar o olho depois que você dormiu, só lembrando de cada detalhe, de cada som que você fez...

Minha respiração falhou. O ciúme e a angústia de minutos atrás derreteram completamente, dando lugar a uma febre deliciosa que tomou conta do meu corpo inteiro.

— Foi melhor do que qualquer sonho que eu já tive, Steven. — Confessei, olhando em seus lábios antes de me esticar para colá-los aos meus.

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