Capitulo 15 - Sentimentos

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***STEVEN***

Eu ainda não conseguia acreditar que Katherine tinha beijado aquele cara na minha frente. A imagem se repetia em looping na minha mente. Pude ver claramente nos olhos daquele idiota o que ele queria: ele buscava algo muito além do beijo, uma vantagem que não tinha o direito de levar. Com Katherine naquele estado de vulnerabilidade, o que ele pretendia não era certo, seria pura covardia. Minha vontade era de avançar, quebrar os dentes dele e bater tanto naquele cara até descarregar toda a fúria que subia pelo meu pescoço. Eu estava suando frio, o coração martelando contra as costelas como se eu tivesse sido escolhido para desarmar uma bomba nuclear em contagem regressiva. Mas, infelizmente, a única bomba prestes a explodir ali era eu, consumido por uma mistura inédita de ciúme e possessividade.

Engolindo o orgulho e o estresse, tomei a decisão de levar Kath para casa. O ambiente barulhento ficou para trás. A peguei nos braços para tira-la o carro. Olhei para baixo, encarando aquele rostinho pequeno e indefeso contra o meu peito. Ela parecia tão frágil que uma onda de calor estranha me atingiu.— Por que gosto tanto de você? — sussurrei para mim mesmo, um desabafo legítimo que escapou antes que eu pudesse conter.

Droga, percebi no mesmo segundo que ela escutou. Enquanto subia as escadas até o meu quarto, sentindo o peso leve e morno dela contra mim, Kat quebrou o silêncio.
Ela sussurrou com a voz rouca pelo efeito do álcool:

— Stev?

— Kat? — respondi, tentando manter a voz firme enquanto meu peito apertava.

— Eu gosto de você. —Aquelas palavras pareceram ecoar pelas paredes, mas simplesmente não entravam na minha cabeça. Havia um bloqueio imediato dentro de mim. Eu não podia gostar de uma garota de 17 anos. Não que a idade em si fosse o problema real ali, mas sim tudo o que ela representava. Eu sempre fiquei com mulheres mais desenvolvidas, maduras, que sabiam exatamente como o jogo funcionava.

Comigo, tudo era sempre só sexo, só diversão de uma noite. Eu sempre quis apenas levá-las para a cama, satisfazer o ego e o corpo, nada mais. No outro dia, eu sequer lembrava do que tinha acontecido debaixo dos lençóis; não precisava saber nem o nome. Mas Kath... Kath quebrava todas as minhas regras.

Olhei para ela, sentindo uma derrota pacífica me dominar.

— Eu também gosto de você, Katherine Rosmore.

Seus olhos se fecharam devagar e ela abriu um pequeno sorriso, um lampejo de pura satisfação que desarmou qualquer defesa restante em mim. Aposto que já caiu no sono logo em seguida, entregue ao cansaço.

Deitei Kath na cama de casal com o máximo de cuidado, como se ela fosse feita de cristal, e me aproximei do corpo dela e a abracei. Respirei profundamente, inalando seu perfume misturado ao cheiro da noite. Senti o peso do meu histórico; minha vontade carnal era de ser mau, muito mau com ela, de tomá-la ali mesmo e saciar o que estava me queimando por dentro. Porém, fechei os olhos por um segundo e tentei me concentrar na mulher indefesa que ela se tornara naquela cama. Ela confiava em mim. Eu não podia ser o predador.

Comecei a tirar a saia dela, mas precisei adotar uma estratégia de guerra: mantive meus olhos fixos em um ponto qualquer na parede, algo atrás de mim, lutando contra o próprio instinto. Ótimo, a saia eu consegui tirar sem olhar. O problema veio a seguir. Comecei a puxar aquela blusa e, inevitavelmente, me virei para olhar o que estava fazendo. Dei de cara com aquele corpo maravilhoso exposto sob a luz fraca do quarto. Senti o sangue ferver e comecei a ficar ereto imediatamente. Merda, merda, mil vezes merda! O pânico moral me atingiu. Eu, Steven Harper, nunca... jamais havia despido uma mulher na minha vida inteira sem ter a real e imediata intenção de fazer sexo com ela.

Aquilo era território completamente novo, desconfortável e assustador. Quando finalmente terminei de tirar a blusa, vi seu corpo seminu e meu coração falhou uma batida. Puta merda! Pensei seriamente que fosse infartar com aquela visão tão sexy bem na minha frente. Sua lingerie contrastava de forma perfeita e cruel com a palidez da sua pele e o tom dos seus cabelos espalhados pelo travesseiro. Katherine conseguia me provocar e testar todos os meus limites de sanidade mesmo sem ter a mínima intenção de fazer aquilo. Mas então, algo mudou no meu peito. O desejo puramente físico começou a dividir espaço com um sentimento muito mais denso e terno. O mais estranho de tudo era perceber que, acima da luxúria, eu queria apenas deitar ali, ao seu lado. Queria apenas sentir seu corpo próximo ao meu, respirando no mesmo ritmo. Mesmo estando ereto e com a testosterona implorando por ação, por incrível que pareça... o simples fato de estar ali com ela seria suficiente para mim esta noite.

Tratei de tirar minhas próprias roupas. Retirei minha camisa, a calça pesada e o sapato, ficando apenas de cueca. O contraste do ar gelado do quarto na minha pele me trouxe de volta à realidade. Vou até o meu closet, procuro nas gavetas e pego uma camiseta antiga minha, de tecido macio e confortável, que certamente ficaria enorme nela. Volto para a cama, levanto sua cabeça com delicadeza para não despertá-la e passo a camisa por ela. Ajusto as mangas, puxo os braços dela com cuidado e, enfim, ela está pronta e protegida. Deito ao seu lado no colchão, sentindo o peso do meu próprio corpo afundar. Estico o braço e a puxo lentamente para mim, trazendo-a devagar até que fique completamente grudada ao meu peito. Pego o cobertor pesado e nos cubro, isolando o resto do mundo do lado de fora daquela cama. No mesmo instante, ainda inconsciente, ela reage ao meu toque. Kath me abraça apertado e enlaça sua perna na minha, buscando o meu calor. Naquele momento exato, uma onda de calmaria absoluta me invadiu. Eu me senti bem, em paz, como se o corpo dela pertencesse genuinamente ao meu, e o meu ao dela, em um encaixe que fazia todo o sentido do mundo.

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