Capitulo 13 - Amigos Antigos

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l O trajeto de volta com o Agnaldo foi um borrão de luzes contra o vidro do carro.

Assim que pisei em casa, rumei direto para o meu banheiro. Despi-me do vestido e entrei debaixo de um banho quente, deixando a água relaxar cada músculo tenso do meu corpo. Eu precisava, desesperadamente, lavar a noite de hoje da minha pele.

Vesti um pijama de seda confortável e me joguei na cama. Peguei o celular no criado-mudo para checar como a Celeste estava depois daquele verdadeiro terremoto na festa.

[WHATSAPP ON]

Katherine: Já está em casa?

Celeste: Já, amiga. Consegui escapar daquele hospício. Mas vem cá... o que foi aquele bafafá todo no quarto, hein?! Todo mundo na festa só falava disso.

Katherine: Nem me pergunte! O Dylan arrombou a porta justo quando eu e o Steven estávamos sozinhos lá dentro.

Celeste: Pááára tudo! Rolou algo antes do nocaute?

Katherine: Só um beijo. Mas o Dylan perdeu completamente o controle, não precisava agir daquele jeito selvagem. Eu não namoro mais com ele, ele não tem direito de cobrar absolutamente nada!

Celeste: Ui, então agora a contagem oficial subiu! Você já beijou quatro caras em toda a sua vida, parabéns pela evolução!

Katherine: Não zombe! Hahahah. Cada um tem seu tempo, mocinha.

Celeste: Não estou zombando, juro! Mas amiga... papo sério: aquele Steven é um verdadeiro Deus grego! Fiquei até hipnotizada só de olhar para ele no meio daquela confusão. Que homem é aquele?

[WHATSAPP OFF]

Bloqueei a tela abruptamente e joguei o aparelho no colchão. O que a Celeste tinha acabado de falar me deixou com uma sensação estranha e incômoda no peito. Seria... ciúmes?

— Não! Absolutamente não! — murmurei para o quarto vazio.

Ciúmes do Steven? Nem aqui, nem na China. Nós mal nos conhecíamos direito, tínhamos um histórico curioso e eu tinha acabado de sair de um relacionamento desgastante. Ele era livre para hipnotizar quem ele bem entendesse. Ponto final.

Ajeitei os travesseiros e me cobri, preparando-me para finalmente dormir, quando o som de uma nova notificação cortou o silêncio do quarto. Peguei o celular imaginando ser mais algum comentário bobo da Cel, mas meus olhos se arregalaram ao ler o nome no topo da tela: Matheus. Meu melhor amigo de infância, que havia se mudado para Los Angeles.

[WHATSAPP ON]

Matheus: Katherine? Está acordada?

Katherine: Matt! Que saudade! Como você está?

Matheus: Estou ótimo. E detalhe: acabei de pousar no Rio!

Katherine: Jura???? Mentira!

Matheus: Puríssima verdade. Podemos nos ver amanhã?

Katherine: Claro que sim!

Matheus: Que tal no Belmonte Leblon? Bateu uma nostalgia pesada.

Katherine: Está ótimo! Que horas?

Matheus: Umas 20h00 pode ser?

Katherine: Perfeito, estarei lá! Mal posso esperar para te abraçar.

Matheus: Combinado então. Beijos, Kat... descansa.

[WHATSAPP OFF]

Matheus havia se mudado para os Estados Unidos há dois anos com a família. Desde que ele pegou aquele avião, nós nunca mais tínhamos nos visto pessoalmente, apenas por chamadas de vídeo caóticas por causa do fuso horário.

O Belmonte era o nosso lugar sagrado. Um barzinho na zona sul do Rio, onde costumávamos beber escondidos na pré-adolescência. Nós só conseguíamos frequentar o lugar na época graças a uma carteira de identidade falsificada impecável que o Matt havia mandado fazer com um dos melhores clonadores da cidade.

Lembrar disso me trouxe uma sensação gostosa de leveza e nostalgia, algo que eu precisava muito depois dos últimos dias.
Deixei o celular de lado com um sorriso genuíno no rosto. Eu estava genuinamente animada para encontrá-lo amanhã, tomar um drink sem pressa, escutar todas as novidades da Califórnia e desabafar sobre a minha própria vida em ruínas.

Fiquei me perdendo nessas memórias de infância e nos planos para o dia seguinte, até que o cansaço finalmente venceu a minha mente agitada e eu caí em um sono profundo e sem sonhos.

De Volta ao Começo Histórias para pegar e não largar. Descubra agora