Capitulo 19 - A Teatralidade das Rosas

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— Dylan! — Termino de descer os últimos degraus da escada e forço o sorriso mais artificial da minha vida ao vê-lo parado no meio da sala. — Que surpresa... O que você está fazendo aqui?

Ele sorri. Aquele mesmo sorriso convencido, cheio de uma superioridade arrogante que, no passado, eu cheguei ao absurdo de achar atraente.

— Na verdade... isso é pra você — ele diz, estendendo um buquê gigante de rosas vermelhas na minha direção com um ar triunfante.

Por um segundo inteiro, meu cérebro simplesmente trava. Olho para aquela montanha de flores e depois para a cara dele.

— Ah... obrigada. É... muito gentil da sua parte — murmuro, pegando o buquê simplesmente por educação.

No instante em que meus dedos tocam o arranjo, sinto meu estômago dar um nó. Um embrulho frio e incômodo. Faz semanas que deixei cristalino como água que nós dois tínhamos acabado de vez. Eu não queria, de forma alguma, alimentar qualquer tipo de ilusão na cabeça dele.

Enquanto tento equilibrar as flores, percebo um pequeno cartão de papel de gramatura alta, escondido estrategicamente entre as pétalas. Claro que a minha curiosidade infeliz resolveu dar as caras na pior hora possível. Puxo o bilhete com um movimento discreto e leio em silêncio:

Kath, você sempre soube o quanto é importante na minha vida. Eu te amo. Volta pra mim.

Fecho os olhos por um segundo longo, buscando forças do além.

Perfeito. Era exatamente o fiasco que eu estava tentando evitar.

Levanto o olhar devagar até encontrar o dele. Dylan me encara com um peito estufado e uma certeza absoluta, como se estivesse convicto de que quatro linhas rabiscadas e um maço de plantas seriam o suficiente para apagar todo o controle, os ciúmes e o desgaste que destruíram o nosso namoro.

Respiro fundo, sentindo o ar pesar nos meus pulmões.

— Dylan... — As palavras parecem enganchar na minha garganta.

Max, que assistia a toda aquela palhaçada e solta um risinho preso na garganta. Ele balança a cabeça em negação e dá meia-volta em direção à área da piscina, claramente abandonando o navio antes do naufrágio.

Obrigada pela extrema solidariedade, Max. Vinte pontos pra você.

Volto minha atenção para o Dylan, que continua me encarando como um predador esperando a presa ceder.

— Então... — começo, tentando desesperadamente encontrar uma forma menos dolorosa de amortecer o baque. Mas a verdade é que não existe um jeito fofo de rejeitar alguém como ele. — Você sabe que eu não vou voltar pra você, né?

O sorriso vitorioso no rosto dele murcha. Por um milissegundo, vejo uma faísca de choque genuíno atravessar seus olhos. Logo em seguida, porém, ele abaixa a cabeça e adota uma postura exageradamente desapontada, um teatro ensaiado de cara amarrada. Eu conheço esse papel de cor. Antigamente, essa chantagem emocional me deixaria roendo as unhas de culpa.
Hoje? Não causa absolutamente nada.

O silêncio na sala fica sufocante, denso como chumbo. É quando o universo decide ter misericórdia da minha alma: a campainha toca. O som ecoa forte pela casa inteira, e eu preciso fazer um esforço consciente para não soltar um suspiro audível de alívio.

— Aliás... eu preciso ir. Já estou atrasada — aviso, sem dar espaço para ele retrucar.
Dou meia-volta a passos rápidos e corro até a cozinha.

— Jubi, por favor, fica com essas flores pra mim? — entrego o buquê nos braços dela antes que ela tenha tempo de recusar.

Ela arqueia uma sobrancelha, encarando o arranjo e depois a minha cara de pânico com uma curiosidade evidente, mas simplesmente aceita o fardo. Agradeço com um sorriso cúmplice e saio em disparada de volta para o hall de entrada.
Mas, quando coloco os pés na sala, o mundo ao meu redor parece desacelerar de estalo.

Max já tinha puxado a porta principal, revelando quem estava do outro lado.
E parado na soleira... estava o Steven.

Meu coração errou a batida de um jeito tão violento que esqueci temporariamente como se respira.

Ele continuava absurdamente bonito. Parecia esculpido. Vestia uma camisa social branca com as mangas dobradas até a altura dos antebraços, o cabelo sutilmente bagunçado pelo vento e aquele olhar intenso e analítico, que parecia mapear e entender todo o ambiente antes mesmo de dar o primeiro passo para dentro.

Sem que eu pudesse controlar, meus olhos se prenderam aos dele. Foi só um fração de segundo. Mas foi o bastante para fazer minha pele inteira formigar.

Quando finalmente consegui desviar o olhar, notei que o Dylan estava completamente rígido. Sigo a linha do seu olhar petrificado. Ele encarava o Steven com os maxilares travados, uma expressão sombria e pulsando de pura raiva contida.

E o Steven? Ele sustentava aquele olhar de fúria e desdém sem nem piscar, sem recuar um único milímetro. A tensão na porta da minha casa podia ser cortada com uma faca.

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