— Atende, Dylan! — sussurrei contra a tela, mas a chamada caiu na caixa-postal mais uma vez. — Que droga!
Joguei o celular em cima da cama da tia Rachel e enterrei o rosto nas mãos. A ansiedade que me fizera subir correndo as escadas agora se transformava em pura frustração.
*TOC TOC*
— Mamãe, já estou descendo! — avisei rápido, forçando a voz para parecer o menos abatida possível.
*TOC TOC*
As batidas continuaram, firmes. Será que eu não podia ter nem cinco minutos de privacidade para digerir aquele bolo na garganta?
— Já vai! — resmunguei. Ajeitei o salto nos pés e usei a ponta do dedo para limpar um leve borrão de batom no canto dos lábios.
Caminhei até a porta e a abri de uma vez, congelando no lugar. Dei de cara com Steven. Sem camisa. Uau...
— O quarto está ocupado! — protestei, sentindo minhas bochechas arderem.
— Eu derrubei vinho no meu terno — a voz dele soou grave e divertida, bem perto de mim. — Sua tia Rachel mandou eu pegar um do seu tio Rafael emprestado no closet.
Desviei o olhar estrategicamente para o cabelo dele, evitando encarar o abdômen definido bem à minha frente.
— Ok. Está ali dentro — apontei, me esquivando para deixá-lo passar.
Voltei a me sentar na cama, fingindo uma enorme concentração nas minhas unhas, como se elas fossem a coisa mais fascinante do mundo. Pelo canto do olho, porém, observei Steven vestir outra camisa social branca. Quando ele terminou de abotoá-la, finalmente me permiti encará-lo por inteiro. O terno caiu bem; meu tio Rafael era magro, mas tinha os braços largos e um pouquinho de barriga, mas até que acabou ficando bem no Steven.
— Bem melhor! — ele comentou, ajustando a camisa no espelho. Ele se virou, fixando os olhos azuis em mim. — Não vai descer?
— Vou — respondi, pegando o celular na cama e me levantando.
Steven deu um passo atrás e abriu a porta para mim, mantendo o cavalheirismo. Caminhamos pelo corredor e começamos a descer a escadaria de madeira.
— Ah... e feliz 2015! — Ele sorriu de lado, aquele sorrisinho de canto que desestabilizou um pouco o meu ritmo.
A curiosidade falou mais alto e a pergunta escapou antes que eu pudesse filtrá-la:
— Quantos anos você tem?
— Tenho vinte — ele riu, achando graça da pergunta do nada. — E você? Uns dezoito, certo?
Ele parou no final da escada e estendeu a mão, oferecendo apoio para que eu descesse o último degrau. Hesitei por uma fração de segundo antes de tocar a palma dele.
— Dezessete — corrigi, sentindo uma leve corrente elétrica quando meus dedos tocaram os dele.
— Quer andar um pouco? — perguntou, indicando a saída da frente, longe da agitação da piscina.
Apenas assenti com a cabeça. O ar abafado da festa e o sumiço do Dylan estavam me sufocando; um pouco de ar fresco era tudo o que eu precisava.
Steven abriu a imponente porta de entrada da casa e saímos para caminhar pelas ruas calmas do condomínio. A brisa da virada do ano estava agradável, purificando a tensão que eu carregava no peito. Seguimos em direção ao lago artificial, onde as luzes da decoração de Réveillon se refletiam suavemente na água escura.
De repente, a poucos passos da margem, Steven parou de andar e se virou para mim. Eu congrelei completamente.
Levantei levemente a cabeça para encará-lo, o coração dando um salto descompassado no peito. Sem pressa, ele deu um passo à frente, encurtando a distância entre nós, e levou as duas mãos até os meus ombros, afastando delicadamente os fios longos e escuros do meu cabelo que caíam para a frente. O toque sutil de seus dedos na minha pele arrepiou a minha nuca.
— Me conte sobre você — ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz mansa, enquanto suas mãos ainda faziam um carinho sutil nos meus cabelos.
Certo, Katherine. Mantenha a calma. Ele só quer conversar. Pergunte o que exatamente ele quer saber, não precisa ficar nervosa.
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De Volta ao Começo
RomantizmPara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
