— Mas e aí, foi só isso? — Vanessa perguntou, logo depois de eu terminar de contar cada detalhe do que tinha acontecido entre mim e o Steven.
— Sim... Ele me garantiu que vai resolver tudo com a tal da Luiza. — Fiz aspas com os dedos no ar.
— Ou mais conhecida como "vaca". — Vanessa corrigiu sem nem piscar. — Gargalhei e dei uma almofadada sem dó no braço dela.
— O Deus Grego precisa resolver logo essa história de gravidez nada conveniente, né amiga? Porque assim não dá.
— Ele vai falar com ela, vai exigir o exame de DNA assim que der pra fazer, tudo direitinho — suspirei, sentando-me na beira da cama. — Se a Luiza estiver realmente grávida e o filho for dele, bom... não é como se eu pudesse mudar.
— Mas eu posso! Está vendo essas garras aqui? — ela ergueu as mãos, exibindo a manicure perfeita. — Vou estragar a cara daquela garota.
— Sem brigas, Nessy. Nada se resolve na base da unhada. — Olhei para ela por cima dos óculos e arqueei as sobrancelhas. — Certo?
— Tá, tá... Seria um verdadeiro desperdício com as minhas unhas em gel. — Resmungou.
Levantei da cama e caminhei até a minha escrivaninha. Enquanto isso, Vanessa continuava jogada entre os meus travesseiros, usando um pijama de leão de pelúcia que parecia mais uma fantasia de evento infantil.
— O que você vai fazer? — Ela perguntou, ajeitando a uma touca de cetim no cabelo.
— Vou descobrir quem é Luiza Berger de verdade. — Dei uma piscadinha, peguei o celular e abri o Instagram.
Digotei o nome na barra de pesquisa e o perfil apareceu na hora. Ela era bem bonita, impossível negar. Fui direto checar os amigos em comum e só encontrei um rosto conhecido: o próprio Steven.
Continuei rolando e analisando as informações: o pai dela é dono de uma agência de viagens, que é onde ela trabalha; tem 20 anos, é natural de São Paulo, mas atualmente mora no Rio. As fotos mostravam uma rotina agitada, cheia de festas caras, viagens para o exterior e eventos VIP.
— E aí? Achou alguma coisa de útil? — Nessy pergunta.
— Ela morava em São Paulo... — Respondo, sem tirar os olhos cravados nas fotos.
— Hmmm... — Nessy murmurou, com a boca cheia de cookies de chocolate, debruçando-se sobre o meu ombro. — Vinte anos, veio de SP... o que mais?
— Dá uma olhada nisso aqui. — Virei a tela do celular para ela em um carrossel de fotos postado há quatro dias. Luiza aparecia radiante em uma festa no Rio, segurando uma taça do que parecia ser um gin tropical e usando um vestido bem justo e vulgar, inclusive. Na legenda, lia-se: "Noite insanamente perfeita com os melhores!".
— Espera aí... — Vanessa engasgou com um pedaço de cookie e apontou um dedo para a tela. — Quatro dias atrás a gatinha estava virando shots na balada e hoje de manhã aparece no restaurante dizendo que está grávida? A conta não fecha!
— Pois é. — Passei a mão pelo queixo, encarando a foto com um sorriso de canto esperançoso. — Se ela já soubesse da gravidez, não estaria bebendo desse jeito. E se descobriu hoje cedo, o teatrinho no restaurante foi rápido demais para quem acabou de pegar um teste positivo... ou ela realmente é bem doida e impulsiva.
Antes que a gente pudesse se aprofundar na nossa teoria da conspiração, a tela do meu celular piscou em cima da mesa. O nome do Steven apareceu na tela.
Vanessa deu um pulinho na cama, quase derrubando o pacote de cookies.
— Atende no viva-voz! Quero ver se o Deus Grego continua no modo príncipe encantado!
Revirei os olhos, mas não consegui conter o sorriso bobo que se formou nos meus lábios ao deslizar o dedo para atender a ligação.
— Fala, Steven... — Brinquei ao atender, colocando o celular no viva-voz e me recostando na cadeira.
Vanessa me deu um cotovelo silencioso e fez uma careta, curiosa.
— Apenas checando se você já tinha se recuperado do susto. — A voz do Steven saiu calma e grave pelo alto-falante. — E para te dar uma atualização antes que você passe o resto do dia teorizando.
— Sou toda ouvidos — respondi, trocando um olhar cúmplice com a Vanessa.
— Falei com o advogado da minha família. Nós já entramos em contato com a Luiza e exigimos o laudo médico e o pedido de exame de DNA, através de um laboratório neutro.
— E qual foi a reação dela? — Pergunto.
— Ela hesitou, disse que 'não era bem assim' e desligou na cara dele. Não sei, me parece que era um blefe que já começou a balançar. — Steven soltou um suspiro, parecendo bem mais aliviado. — A propósito, ela me mandou uma mensagem agora pouco tentando amenizar o tom.
— Nem precisa dizer. — Interrompi. — Nós estávamos aqui dando uma olhadinha no Instagram dela. Há quatro dias ela estava virando shots em uma balada no Rio.
— Eu imaginei — ele deu uma risada baixa. — Seja como for, eu não vou deixar essa bagunça respingar em você. Já deixei claro para ela que não vou cair em joguinho e que qualquer assunto agora é via advogados.
— Acho que assim seria melhor... — Respondi, sentindo o peso finalmente saindo dos meus ombros.
— Eu preciso resolver umas coisas com meu pai agora à tarde, mas queria saber se você quer jantar mais tarde. Nada de restaurantes cheios ou dramas.
Olhei para a Vanessa, que fez um gesto positivo com a cabeça, aprovando a atitude dele.
— Pode ser. — Concordei, sem querer transparecer o quanto a ideia me agradava. — Me avisa quando terminar aí.
— Combinado. Até mais tarde, Kath.
Ele desligou. Fiquei encarando o celular por um segundo, assimilando o tom prático e direto que ele usou para resolver o problema, sem promessas exageradas ou sentimentalismo barato.
Vanessa se jogou para trás na cama, olhando para o teto:
— Bom, achei ele um fofo, querido, perfeito! Agora, senhora detetive... que roupa você vai usar para esse jantar "sem dramas..."?
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De Volta ao Começo
RomancePara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
