*** STEVEN ***
Eu só me lembrava de ter ficado completamente anestesiado uma vez na vida: quando perdi minha mãe. E ali, sob o olhar dela, a sensação era a mesma. Um nó claustrofóbico na garganta, o peito subindo e descendo rápido demais. Quando Katherine me olhava daquele jeito, parecia enxergar no fundo da minha alma...
Parei tudo. Tive que parar. Se continuássemos daquele jeito, o arrependimento viria depois, pesado e amargo. Ela já tinha passado por surpresas demais naquele dia, guiada pelo calor do momento, pela emoção crua. Eu não podia me aproveitar disso.
— Steven! — A voz dela cortou o ar. Ela se levantou e eu dei um passo para trás, com o corpo rígido. Se eu a tocasse agora, não garantiria conseguir soltar. — Para! —
Dessa vez, a voz dela não fraquejou. Veio firme, determinada.
Hesitei por um segundo e foi o suficiente. Katherine encurtou a distância até que não houvesse mais. Ela colocou uma das mãos no meu peito e lutei contra o impulso de puxá-la totalmente para mim de novo. Então, as mãos dela desceram devagar, contornando minha cintura com uma delicadeza quase dolorosa.
— Eu gosto mesmo de você — Sussurrou, colando o corpo macio ao meu. — Eu realmente quero tentar.
Fiquei estático. O medo me paralisou. Eu sou de carne e osso, mas a proximidade dela me desconcertava por inteiro. Quando ela ergueu o rosto e vi seus olhos marejados, uma fisgada de culpa me rasgou o peito. Ela se afastou devagar e nossos olhares ficaram presos, um duelo mudo de pura eletricidade.
Não aguentei.
Avancei um passo, moldando o rosto pequeno dela entre minhas mãos quentes. Ah, Katherine... se você tivesse dimensão do quanto eu sou louco por você...
Puxei uma mecha do cabelo dela para trás da orelha. Aquele contraste entre a expressão inocente e o olhar carregado de intenção me deixava completamente desarmado. Em um impulso inevitável, selei nossos lábios. Não foi o beijo selvagem e urgente de antes. Foi um beijo lento, profundo, onde despertávamos com uma paixão antes contida, que fazia meu sangue queimar devagar.
Ela recuou até a cama, me puxando junto, o peso dos nossos corpos caindo sobre o colchão. Quando partiu o beijo, ficou me encarando, os dedos traçando o contorno do meu rosto como se eu fosse feito de vidro lapidado. De repente, um sorriso brincalhão surgiu em seus lábios. Misteriosa. Imprevisível. Absolutamente fascinante.
— Você é lindo — Ela murmurou, segurando firme na minha mandíbula e depois se inclinando para o criado-mudo, apagando a luz principal e deixando apenas a penumbra amarelada do abajur desenhar suas curvas. Fiquei hipnotizado, acompanhando cada movimento. O som suave do zíper da calça sendo aberto ecoou pelo quarto silencioso. Minha respiração travou.
Que imagem.
O tempo parecia ter parado. A lingerie preta rendada criava um contraste pecaminoso contra a pele incrivelmente clara e aveludada, com curvas perfeitas. Ela jogou o cabelo para o lado, mantendo os olhos fixos nos meus e me beijou. Um beijo doce, com gosto de tentação e promessa, que fez todas as minhas terminações nervosas queimarem.
Sem interromper o contato das nossas bocas, minhas mãos agiram por instinto: desfiz o cinto e também me livrei da calça rapidamente, querendo sentir a pele dela contra a minha sem barreiras. Ela assumiu o controle, por cima, sem sombra de timidez ou hesitação.
Parei por um segundo, minhas mãos firmes na cintura dela, subindo até sentir a calidez de suas costelas. Olhei bem no fundo dos seus olhos, precisando ouvir a verdade.
— Tem certeza de que está pronta? — Sussurrei.
Ela não disse uma palavra. Apenas assentiu devagar, com um olhar denso, entreaberto, carregado de desejo puro. Era a resposta que eu mais ansiava. Aquela noite seria inesquecível — para mim, e espero que principalmente para ela.
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De Volta ao Começo
RomancePara Katherine, uma garota do Rio de Janeiro, com 17 anos, a vida parecia seguir o roteiro planejado. Dona de um coração bondoso e de uma alma sonhadora, ela acreditava ter encontrado tudo o que precisava: uma rotina tranquila, uma família unida e u...
