Maia:
As crianças estão crescendo tão rápido! É impressionante. Dançam muito, principalmente Jimmy. Ele tem uma desenvoltura perfeita, dança qualquer tipo de música, com uma facilidade que me deixa boquiaberta. Já Luna, sinto que o foco dela é o balé, mas há uma paixão oculta pelo teatro. Na escola, nos musicais, ela sempre era a protagonista, e suas atuações eram impecáveis. É incrível vê-la se transformar no palco.
Jim é meu chicletinho, grudado em mim para tudo. Já Gabriel é o chicletinho da Mel, não desgruda dela. Estamos tentando tirar esse ciúme que ele tem dos outros, o levamos a um psicólogo para resolver isso. Ele se sente menos amado porque não gosta de dançar, o que é uma pena, pois ele sabe dançar e dança muito bem, só é cabeça dura mesmo. Acha que não é bom o suficiente, ou talvez não seja o "jeito dele" se expressar.
Nossa pequena Jessy, a filha da Mel e do Jey, tem tudo para ser uma bailarina clássica. Lembro-me de uma vez que eu estava dando aula para uma turma juvenil e ela entrou na sala. Tinha uns dois aninhos na época. Eu a peguei no colo, e ela me disse com aquela voz fofa: "Eu xei fage dida". Então, eu a provoquei, duvidando de brincadeira. Jessy correu para a barra, mal conseguia tocar a ponta dos dedos. E então, para minha surpresa, ela ficou na ponta dos pés, girou e girou, e minhas alunas e eu ficamos estáticas a olhando. Mel entrou bem na hora em que ela deu um pulinho que mal saiu do chão, e fez um espacate, com as mãos em movimento, girou e seguiu girando até voltar para a barra. Ela dança com paixão, Jessy fecha os olhos, abre o sorriso e dança sentindo a música. Resolvi dar aula particular para ela, além das aulas que ela faz quando quer e porque quer. Ela é um talento nato.
E assim, os anos voam, cada um trazendo novas alegrias, desafios e a certeza de que a dança continua sendo o elo que nos une.
♥️♥️♥️♥️
Jimmy:
Nós estávamos na terceira série quando recebi minha primeira carta de amor. Era pequena, dobrada com carinho, e dizia:
"Jim, você é o menino mais lindo desse mundo ☀️"
Era simples e fofa. Eu a guardei em um lugar secreto, perto do meu coração.
Na quarta série, no Dia dos Namorados, recebi várias cartas, mas a que mais me chamou a atenção era a que tinha um sol desenhado no final.
"Jim, você é como a terra para mim, fico como o sol, às vezes presente, às vezes escondido, mas estou sempre lá te vendo rodopiar à minha volta. ☀️"
Aquilo mexeu comigo. Quem era essa pessoa que me via assim?
Na quinta série, entrei para o time júnior de futebol americano. Meu dindo e meu pai estavam muito orgulhosos de mim, e eu me sentia um astro. E, como nos anos anteriores, recebi mais uma carta.
"Jim, meu amor por você é tão secreto que nunca vou conseguir tirá-lo do meu coração, ficará secreto para mim e para o mundo, mas quero que saiba que o sol te ama e olha para você todos os dias. ☀️"
E assim foi indo, mas na oitava série, fiquei muito perturbado, porque a única carta que eu queria receber, não recebi. Passei o dia irritado, a ponto de qualquer coisa me tirar do sério. Quase briguei com meu segundo melhor amigo, o Ethan.
— O que você tem, não recebeu a carta da namoradinha? — perguntou Ethan, tirando uma peça de roupa após o treino, com aquele jeito brincalhão dele.
— Não enche, Ethan! — falei puto, batendo a porta do armário.
— Qual é, Jim, sou seu amigo, cara, estava só brincando. — Ele se desculpou.
— Eu sei, está bom, é que eu... Eu recebo uma carta especial todo ano e este ano... Droga, foi mal, Ethan!
— Tudo bem, Jim, sinto muito por sua carta especial não ter caído na posta. Quem sabe se perdeu, ou a pessoa foi embora da escola, até pode ter errado o armário. — disse ele, dando um tapinha no meu ombro, tentando me consolar.
No outro dia, a carta estava lá, mas no armário errado, para piorar a situação: no armário do Augusto, o irmão chato do Ethan.
— Olha só... — debochou ele, segurando a carta. — Para meu Jim...
— Ei, isso é meu! — saltei por cima do banco e ele levantou o braço, rindo.
— Estava no meu armário, então é meu! — Ele provocou.
— Está escrito o meu nome, Augusto, pode devolver.
Augusto correu pelo vestiário, abrindo a carta enquanto corria. Eu o derrubei, e começamos a lutar. Augusto podia até fazer luta, mas eu era forte também. Quando soquei sua boca, vi a carta caindo na água do box.
— Não! — Gritei, meu coração apertado.
— É só uma carta, seu imbecil! — disse ele, enquanto eu tentava sair de baixo dele.
— Não é só uma carta! — falei, quase chorando. Não sei o que ele viu em mim, mas saiu de cima, e eu peguei a carta. Tirei rapidamente de dentro do envelope, mas já estava começando a molhar. — Droga, isso é culpa sua!
— Ainda dá para ler! — disse ele, ríspido como sempre, me olhando de lado.
— Eu sei, está bom, sei disso, mas estragou algo que eu prezo muito.
Augusto saiu batendo o pé, sem nem se desculpar. Palhaço. Estendi a carta em cima de uma toalha para secá-la, lendo as palavras que tanto esperava:
"Jim, pensei muito se continuaria a te escrever, não sei porque ainda escrevo, talvez eu tenha esperança bem lá no fundo que um dia você olhe para mim com outros olhos, não sei, mas você continua sendo o meu mundo, Jim."
— Quem é você? — sussurrei para a carta, desejando saber.
♥️♥️♥️♥️
Luna:
Meu mundo gira em torno de Jimmy desde que eu nasci. Brincamos juntos, dançamos juntos. Final de semana, dividimos: um ficamos todos com os dindos, e no outro com meus pais. Começamos a competir aos 9 anos, e prêmios e medalhas é o que não falta na estante do escritório dos meus pais. Somos uma dupla imbatível na dança.
Eu tenho que ir ao psicólogo tanto quanto meu irmão, ou talvez até mais. Ele pede para eu fazer "coisas de amigos" com Gabi, mas ele é um garoto muito diferente do Jim. Ele quer que eu faça as coisas que ele quer, não tem um meio-termo, quer minha atenção o tempo todo, me sufoca um pouco. Mas pelos meus pais, eu tento. Uma vez, o convenci de ir dançar comigo na sala da vovó Liz.
— Você só quer saber de dançar e dançar com o Jim! — disse ele emburrado, como sempre.
— Se você aprender a dançar como o Jimmy, eu danço com você, até posso competir em alguma modalidade com você. — Tentei negociar, sabendo que ele era competitivo.
Ele deu um sorriso maligno, e eu revirei os olhos.
— Eu sei dançar. — Ele afirmou, convencido.
— Então me mostre que você é bom no que sabe fazer. — Zombei, duvidando.
— Eu não gosto de dançar... — Ele começou a se esquivar.
— Ou não sabe?! — Provoquei, de novo.
Eu sabia que ele era competitivo, mas não imaginei que realmente ele sabia dançar e me mostrou como sabe. Fiquei chocada com a desenvoltura dele! Tenho certeza que eu venceria qualquer campeonato com ele assim que ele completar mais idade.
— Eu falei que eu sabia dançar. — Ele disse, com um sorriso vitorioso.
— E por que não gosta? — perguntei, curiosa.
Ele não respondeu, me deu as costas e saiu. Marrento. O que ele esconde?
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Amor Secreto - Degustação
RomanceNum palco onde a vida imita a dança, Maia é uma jovem bailarina que se equilibra entre os passos tortuosos de um passado familiar conturbado e a busca incessante por seu lugar no mundo. Enquanto lida com a redescoberta de um amor de infância, Jonas...
