capítulo 25

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— Eu gostei mais deste! — exclamei, a voz ecoando no espaço que parecia prometer um novo começo. Meus olhos varriam cada canto do apartamento, imaginando a vida pulsando ali. Era um achado: dois quartos amplos, uma sala iluminada com uma janela generosa que convidava o sol a entrar, e uma cozinha compacta, mas funcional. O piso de madeira clara e as paredes recém-pintadas de um branco imaculado davam a sensação de uma tela em branco, pronta para as nossas cores.

— Pena que só tem um banheiro! — Comentei.

— Eu não me importo de dividir o banheiro com você! — ele respondeu, um sorriso malicioso dançando em seus lábios, fazendo meus olhos revirarem de leve.

— Se não tiver pingo de xixi na tampa do vaso quando eu for usar, tudo bem! — falei, rindo, empurrando-o de leve, mas sentindo um calor no peito.

— Ei, eu sempre acerto o alvo! — ele protestou, com uma falsa indignação.

— Vai chegar uma hora que não vai acertar! — provoquei, já imaginando nossas futuras brincadeiras.

— Pretende ficar comigo até ficarmos velhinhos? — ele perguntou, o tom de brincadeira escondendo uma ponta de esperança genuína. Seus olhos castanhos brilhavam com uma curiosidade terna.

— Quem sabe se fizermos uma boa dupla! — respondi, sentindo meu coração acelerar um pouco.

— Fazemos, toca aí! — Ele estendeu a mão para um high five, retribui num gesto que selava nossa cumplicidade.

— Vamos ficar com este então! — afirmei, sentindo uma empolgação genuína borbulhar dentro de mim. O apartamento já parecia nosso lar. — Vou comprar um sofá bem grande, daqueles que deita pra gente poder assistir filme aqui na sala!

— Eu compro a TV! — Taylor retrucou, animado.

— Só se for daquelas grandonas! — desafiei, imaginando noites de filmes e pipoca.

— Com certeza! — Ele prometeu, e eu soube que era um trato selado.

. . .

Passamos o resto da tarde imaginando como arrumaríamos o apartamento. Ele ficava a meia quadra da escola de dança, uma benção que nos permitiria ir e vir a pé, economizando tempo e dinheiro. Meu pai ligou, queria conversar comigo mais tarde, me convidou para jantar num restaurante no centro.

Fomos à imobiliária para assinar o contrato; o melhor de tudo é que não precisou de avalista, porque eles estavam com a casa de Taylor para vender. Saímos da imobiliária e, com a euforia ainda nos contagiando, fomos direto à loja de colchões. Taylor, sempre prático, comprou uma cama box com um colchão daqueles que abraçam o corpo. Não resisti e me joguei no colchão dentro da loja, afundando na maciez.

— Quero um desses pra mim! — Declarei, com a voz abafada pelo conforto.

— Vou acertar com o vendedor, me espera aqui! — ele disse, já se dirigindo ao balcão.

. . .

Taylor me deixou na frente do restaurante. O ar da noite já começava a esfriar, e as luzes da cidade acendiam, pintando o céu de tons alaranjados.

— Desculpa, mas vou estrear nosso apartamento primeiro! — ele brincou, os olhos marejados de uma alegria contida.

— Se ficar com medo me liga! — provoquei, rindo.

— Pode deixar! — ele me abraçou, e eu lhe dei um beijo suave na bochecha, sentindo uma onda de carinho e a promessa de um futuro que estava apenas começando. 

— Sábado vamos pintar o ap! — falei, saindo do carro, já planejando os próximos passos.

Entrei no restaurante e meu pai estava me esperando na mesa, os dedos tamborilando levemente sobre a toalha de linho.

Amor Secreto - DegustaçãoOnde histórias criam vida. Descubra agora